O Banco Central do Brasil pode adotar um ciclo de redução de juros mais agressivo do que o mercado está prevendo, de acordo com a avaliação de José Berenguer, CEO do Banco XP. A desaceleração da inflação e a fraqueza da economia brasileira são os principais motivos para essa expectativa.

Apesar dos recentes indicadores econômicos apontarem para um crescimento da atividade, com o PIB do primeiro trimestre superando as expectativas, Berenguer ressalta que essa recuperação ainda não se reflete em todos os setores. Enquanto o agronegócio apresenta um desempenho positivo, a indústria e o comércio estão passando por um período de menor aquecimento.

Berenguer destaca que o crédito está muito caro e acredita que a economia enfrentará dificuldades. Ele também observa que há uma menor pressão inflacionária, o que reforça sua crença de que o Banco Central adotará uma postura mais agressiva em relação à curva de juros. No entanto, ainda não está claro quando esse ciclo de redução terá início.

As projeções do relatório Focus, que reúne estimativas do mercado sobre os indicadores econômicos, apontam para uma taxa Selic de 12,50% ao final de 2023, 10% em 2024 e 9% no final de 2025, conforme divulgado pelo Banco Central.

Além disso, Berenguer menciona que, devido ao alto patamar dos juros, que atualmente está em 13,75% ao ano, existem ativos no mercado, como fundos imobiliários e fundos dedicados ao agronegócio, que estão sendo negociados com descontos expressivos.

Ele também prevê uma possível redução na emissão de títulos incentivados, que proporcionam isenção do Imposto de Renda para investidores pessoa física e têm despertado grande interesse nos últimos meses. Essa diminuição pode ocorrer devido a um possível deslocamento do interesse para ativos de maior risco. Berenguer afirma que a capacidade dos bancos de emitir esses títulos está no limite.

Por fim, para o CEO do Banco XP, essa mudança de cenário pode resultar em uma competição menor por esse tipo de ativo, o que afetou significativamente a captação da indústria de fundos. Ele conclui ressaltando que tem havido um deslocamento importante de poupança para esse tipo de papel, principalmente entre os clientes de alta renda.

Equipe MI

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