Bitcoin pode cair a US$ 20 mil em 2026; mercado analisa ciclos e riscos estruturais
Análises usam ciclos históricos, dados de correção e a exposição da MicroStrategy para avaliar riscos e possíveis níveis de preço do Bitcoin
(Imagem: Montagem/Canva Pro)
O mercado de criptomoedas discute a possibilidade de o Bitcoin (BTC) recuar para a faixa de US$ 20 mil ao longo de 2026. A projeção aparece em análises que consideram o histórico de ciclos do ativo, movimentos de correção após períodos de forte valorização e a atuação de grandes investidores institucionais, como a MicroStrategy.
Nesta terça-feira (3), o Bitcoin era negociado em torno de US$ 75 mil, após ter atingido máximas próximas de US$ 120 mil em 2025. O movimento atual representa uma queda acumulada de cerca de 35% desde o último pico, segundo dados de mercado.
Historicamente, o Bitcoin apresentou ciclos de alta seguidos por correções acentuadas. Após a valorização iniciada em 2012, quando o ativo saiu da faixa de US$ 130 para superar US$ 1.000, o preço recuou cerca de 80% nos dois anos seguintes. Movimento semelhante ocorreu após o ciclo de 2016–2017, quando o BTC alcançou US$ 19 mil e, posteriormente, caiu para níveis próximos de US$ 2.800, uma retração superior a 80%.
No ciclo seguinte, iniciado em 2019, o Bitcoin atingiu aproximadamente US$ 65 mil em 2021 e, depois, recuou cerca de 75%, voltando para a casa dos US$ 30 mil em 2023. Analistas que utilizam essa referência histórica observam que os ciclos de alta duraram, em média, cerca de 1.430 dias, seguidos por correções entre 75% e 80%.
Com base nesse padrão, parte do mercado considera que uma queda adicional poderia levar o Bitcoin para níveis próximos de US$ 20 mil, caso o comportamento histórico se repita.
Outro fator monitorado é a posição da MicroStrategy, empresa listada nos Estados Unidos que adotou o Bitcoin como principal ativo de tesouraria. A companhia acumula mais de 700 mil bitcoins, volume que equivale a mais de US$ 50 bilhões, de acordo com divulgações corporativas recentes. A estratégia envolve captação de recursos via emissão de dívida e ações para aquisição da criptomoeda.
Dados públicos indicam que o preço médio de compra da MicroStrategy está próximo de US$ 76 mil por bitcoin, nível semelhante ao valor de mercado atual. Analistas apontam que, em cenários de queda mais acentuada, a estrutura de endividamento da empresa pode ampliar a volatilidade do ativo, caso haja necessidade de venda de parte das reservas para atender obrigações financeiras.
Apesar das discussões sobre possíveis correções, o Bitcoin segue representando uma parcela reduzida do mercado financeiro global. Estimativas do setor indicam que a criptomoeda responde por cerca de 0,2% do total de ativos financeiros no mundo. Projeções de longo prazo consideram diferentes cenários de crescimento desse percentual, o que sustenta avaliações variadas sobre o potencial de valorização ou risco do ativo nos próximos anos.
Com informações de Vitor Miziara / E-investidor