ADM eleva previsão de lucro com avanço dos biocombustíveis e margens fortes
A Archer-Daniels-Midland elevou sua previsão de lucro para 2026 após superar expectativas no primeiro trimestre.
Imagem: Reuters
A Archer-Daniels-Midland (ADM) elevou sua previsão de lucro para 2026 após divulgar resultados trimestrais acima do esperado, impulsionada principalmente pelo avanço dos biocombustíveis e pelas margens mais fortes no processamento de soja. O anúncio foi feito nesta terça-feira (5), nos Estados Unidos, e reforça a mudança de cenário para o setor de agronegócio global, que vinha enfrentando incertezas regulatórias nos últimos trimestres.
A revisão nas estimativas ocorre em um momento de maior clareza sobre as políticas energéticas norte-americanas, fator que vinha travando decisões estratégicas de grandes tradings agrícolas. Agora, com regras mais definidas, empresas como a ADM conseguem projetar com mais precisão seus resultados.
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A ADM elevou sua projeção de lucro ajustado para 2026 para uma faixa entre US$ 4,15 e US$ 4,70 por ação, acima da estimativa anterior, que variava de US$ 3,60 a US$ 4,25. O movimento reflete, sobretudo, a expectativa de melhora nos resultados dos segmentos de esmagamento de oleaginosas e produção de etanol.
Esse avanço está diretamente ligado à consolidação das políticas de biocombustíveis nos Estados Unidos. Após meses de indefinição, o governo determinou metas mais ambiciosas de mistura de combustíveis renováveis, criando um ambiente regulatório mais estável. Com isso, a demanda por insumos como óleo de soja tende a crescer, beneficiando empresas com forte atuação nesse mercado.
Resultado trimestral supera expectativas do mercado
Além da revisão nas projeções, a ADM também apresentou desempenho acima do esperado no primeiro trimestre de 2026. A companhia registrou lucro ajustado de 71 centavos de dólar por ação, superando a estimativa média de analistas, que era de 66 centavos.
O resultado positivo indica que, mesmo diante de desafios pontuais, a empresa conseguiu capturar oportunidades no mercado global de commodities agrícolas. Esse desempenho reforça a confiança dos investidores na estratégia adotada pela companhia.
Margens de esmagamento ganham força com alta do petróleo
Outro fator determinante para o desempenho da ADM foi a melhora nas margens de esmagamento de soja, impulsionada pela valorização do petróleo no mercado internacional. O aumento dos preços da commodity elevou também o valor do óleo de soja, utilizado como base para biocombustíveis.
Esse cenário favoreceu não apenas a ADM, mas também outras empresas do setor, como a Bunge Global, que igualmente revisou suas projeções recentemente. As margens na América do Norte atingiram níveis elevados, comparáveis aos observados em períodos de forte estresse geopolítico, como após a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022.
Desempenho operacional ainda mostra desafios
Apesar do cenário mais favorável, nem todos os segmentos da ADM apresentaram resultados positivos. A unidade de esmagamento registrou prejuízo operacional de US$ 79 milhões no trimestre, revertendo o lucro observado no mesmo período do ano anterior.
Segundo a empresa, o resultado foi impactado por perdas relacionadas à marcação a mercado. Ainda assim, a companhia destacou que houve aumento nos volumes processados e melhora nas condições de margem, indicando uma recuperação gradual do segmento.
Exportações e demanda internacional sustentam resultados
No segmento de serviços agrícolas e sementes oleaginosas, a ADM registrou queda de 34% no lucro operacional, que totalizou US$ 273 milhões. Mesmo assim, o desempenho foi parcialmente compensado pelo aumento das exportações.
A demanda internacional, especialmente da China, teve papel relevante nesse contexto. Após uma trégua comercial firmada no fim de outubro, o país asiático ampliou as compras de soja e sorgo dos Estados Unidos, além de contribuir para o fortalecimento das exportações de milho.
Esse movimento ajudou a sustentar os resultados da companhia, mesmo diante de pressões em algumas áreas específicas.
Perspectivas mais positivas para o setor
Com a definição das políticas de biocombustíveis e o avanço da demanda global por energia renovável, a tendência é de que empresas do setor agrícola continuem se beneficiando nos próximos trimestres. A ADM, ao elevar sua previsão de lucro, sinaliza uma visão mais otimista para o futuro próximo.
Além disso, o ambiente de maior estabilidade regulatória reduz incertezas e favorece novos investimentos, tanto em capacidade produtiva quanto em inovação. Nesse contexto, o setor de agronegócio deve seguir como um dos principais protagonistas na transição energética global.