Produção de soja cresce menos de 1% com risco de El Niño
A produção de soja do Brasil deverá alcançar um recorde de 180,1 milhões de toneladas na safra 2026/27, segundo a Safras & Mercado.
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A produção de soja do Brasil deverá registrar um novo recorde na safra 2026/27, mas o ritmo de expansão tende a ser o mais moderado dos últimos ciclos. De acordo com projeção divulgada pela consultoria Safras & Mercado nesta sexta-feira (17), o país poderá colher 180,1 milhões de toneladas, volume 0,98% superior ao da temporada anterior. O avanço, entretanto, será limitado por fatores como a expectativa de um evento de El Niño mais intenso, o aumento dos custos de produção e margens mais apertadas para os produtores. O plantio está previsto para começar em meados de setembro e o comportamento do clima será determinante para confirmar as estimativas.
Produção de soja do Brasil deve atingir novo recorde em 2026/27
Mesmo diante de um cenário de maior cautela, a Safras & Mercado projeta que a produção de soja do Brasil alcance um novo patamar histórico. A estimativa de 180,1 milhões de toneladas reforça a liderança brasileira no mercado mundial da oleaginosa, tanto na produção quanto nas exportações.
O crescimento esperado, no entanto, é de apenas 0,98% em relação à safra anterior, percentual inferior ao observado em anos recentes. A desaceleração é explicada principalmente pela combinação entre incertezas climáticas, custos elevados dos insumos agrícolas e menor expectativa de ganhos de produtividade.
A projeção foi divulgada nesta sexta-feira (17), quando a consultoria apresentou suas primeiras estimativas para a safra 2026/27, que terá início com o plantio previsto para setembro nas principais regiões produtoras do país.
El Niño aumenta preocupação com a produtividade
O principal fator de atenção para a nova temporada é a previsão de um evento de El Niño com intensidade superior à registrada nos últimos anos.
Segundo o analista Rafael Silveira, da Safras & Mercado, existe preocupação porque os efeitos do fenômeno climático poderão coincidir justamente com os meses mais importantes para o desenvolvimento da cultura, período em que ocorre a definição do potencial produtivo das lavouras.
Caso esse cenário se confirme, diversas regiões produtoras poderão registrar redução no rendimento das plantações. Por esse motivo, a consultoria já trabalha com projeções de produtividade ligeiramente inferiores às observadas na última temporada.
Embora ainda seja cedo para mensurar o impacto efetivo do clima, especialistas destacam que o comportamento das chuvas e das temperaturas será acompanhado de perto durante todo o ciclo da cultura.
Área plantada continua em expansão
Mesmo com os riscos climáticos, a área destinada ao cultivo da oleaginosa deverá continuar crescendo.
A estimativa da Safras & Mercado aponta que os produtores brasileiros deverão semear 49,1 milhões de hectares, alta de 1,2% na comparação com a safra anterior.
O avanço da área ocorre porque a soja continua oferecendo uma relação de rentabilidade mais favorável do que o milho na safra de verão do Centro-Sul do Brasil. Esse cenário incentiva muitos agricultores a ampliar o espaço destinado à oleaginosa, mesmo diante de custos mais elevados.
Além disso, os bons resultados obtidos nas últimas safras ajudaram a manter a atividade economicamente viável, reduzindo parte dos impactos provocados pela alta dos insumos.
Custos elevados limitam investimentos nas lavouras
Outro desafio para a safra 2026/27 está relacionado ao custo de produção.
Os fertilizantes registraram alta ao longo do primeiro semestre de 2026, elevando significativamente as despesas dos produtores rurais. Esse aumento pode levar parte dos agricultores a reduzir investimentos em tecnologia, manejo e adubação das lavouras.
Segundo a consultoria, esse movimento tende a limitar o potencial produtivo da safra, principalmente em propriedades que dependem de maior intensidade tecnológica para alcançar elevados níveis de rendimento.
Apesar desse cenário, Rafael Silveira destaca que a boa produtividade obtida nos últimos anos contribuiu para melhorar a relação entre receitas e custos, permitindo que a expansão da área cultivada continue acontecendo, ainda que em ritmo moderado.
Produtividade deve apresentar leve recuo
A projeção da Safras & Mercado indica produtividade média de 3.686 quilos por hectare, ligeiramente abaixo dos 3.692 quilos por hectare registrados na temporada anterior.
Embora a diferença seja pequena, ela demonstra que praticamente todo o crescimento esperado para a produção brasileira ocorrerá por meio da ampliação da área plantada, e não pelo aumento da produtividade das lavouras.
Se as condições climáticas forem mais severas do que o previsto, especialmente em função do El Niño, a produtividade poderá sofrer novas revisões ao longo do ciclo.
Mercado seguirá atento ao clima e à demanda internacional
Além das condições climáticas, o mercado continuará monitorando a demanda global pela soja brasileira, especialmente por parte da China, principal compradora do produto nacional.
A expectativa é que o Brasil mantenha sua posição como maior fornecedor mundial da commodity, sustentado pelo aumento da área cultivada e pela competitividade do setor agrícola.
Nos próximos meses, as atenções estarão voltadas para o início do plantio e para a evolução das condições meteorológicas, fatores que serão decisivos para confirmar ou alterar a estimativa inicial de produção apresentada pela consultoria.
Enquanto isso, produtores seguem avaliando estratégias para equilibrar custos, investimentos e riscos climáticos, buscando preservar a rentabilidade da atividade mesmo em um cenário de crescimento mais moderado para a safra 2026/27.