Ações da Americanas disparam mais de 20% após pedido de saída da recuperação judicial
Papéis chegaram a subir mais de 20% depois de a empresa reduzir prejuízo e solicitar fim do processo iniciado após escândalo contábil
Imagem: Americanas/Reprodução via InvestNews.
As ações da Americanas (AMER3) registraram forte alta na abertura do pregão desta quinta-feira (26), após a companhia anunciar pedido de saída do processo de recuperação judicial. Os papéis AMER3 chegaram a subir mais de 20% no início das negociações.
A varejista também informou que reduziu o prejuízo para R$ 44 milhões no quarto trimestre de 2025, resultado que contribuiu para o movimento positivo das ações na bolsa.
Por volta das 12h25 (horário de Brasília), os papéis avançavam 18,64%, cotados a R$ 6,11. Na máxima do dia até aquele momento, a valorização chegou a 21,94%.
Pedido foi protocolado na Justiça do Rio
O pedido de encerramento da recuperação judicial foi apresentado ao Juízo da 4ª Vara Empresarial da Comarca da Capital do Rio de Janeiro.
Segundo a empresa, o pedido ocorre após o cumprimento das obrigações previstas no plano de recuperação, especialmente aquelas com vencimento até dois anos após a homologação do processo.
A solicitação também inclui empresas que integram o grupo, como:
- B2W Digital Lux S.À.R.L
- JSM Global S.À.R.L
- ST Importações Ltda.
A efetivação da saída, no entanto, ainda depende de aprovação da Justiça.
A recuperação judicial foi iniciada após a revelação de um rombo contábil estimado em R$ 25,2 bilhões, considerado um dos maiores casos de fraude da história do mercado de capitais brasileiro.
O episódio provocou queda abrupta das ações, saída da antiga diretoria e questionamentos sobre governança corporativa, além de investigações envolvendo auditores e instituições financeiras.
Leia também:
Três fatores sustentaram pedido de saída da RJ
Durante teleconferência com investidores, o CEO da Americanas, Fernando Soares, afirmou que três fatores foram decisivos para a solicitação de encerramento da recuperação judicial.
Entre os principais pontos citados estão:
- cumprimento das obrigações previstas no plano de recuperação
- implementação do plano de transformação operacional e estratégica
- melhora dos resultados financeiros em 2025
O CFO da companhia, Sebastien Durchon, afirmou que parte significativa dos fornecedores já foi paga à vista em 2024 e que os parcelamentos restantes seguem cronograma até 2028.
Empresa encerra 2025 com caixa superior à dívida
Segundo a companhia, 2025 terminou com caixa maior que a dívida, além de resultado operacional positivo.
O resultado operacional ficou em R$ 770 milhões, enquanto o Ebitda ajustado atingiu R$ 276 milhões, alta de 1,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. Já a receita líquida do quarto trimestre foi de R$ 3,69 bilhões, queda de 3,8% na comparação anual.
Lojas físicas seguem como foco da estratégia
A estratégia da empresa para o período entre 2026 e 2029 mantém as lojas físicas como principal ponto de contato com os consumidores. No quarto trimestre, as vendas em mesmas lojas cresceram 7,8%.
A rede encerrou 2025 com 1.470 unidades, sendo:
- 906 lojas convencionais;
- 564 lojas no formato “express”.
No ano anterior, a rede possuía 1.587 lojas. Atualmente, a empresa afirma contar com 44 milhões de clientes ativos e cerca de 90 milhões de visitas mensais em lojas físicas, site e aplicativo.
Em 2025, a Americanas inaugurou três novas lojas no Nordeste:
- Aquiraz (CE)
- Aracaju (SE)
- Camaçari (BA)
Venda de ativo atrai propostas concorrentes
A companhia também divulgou atualizações sobre o processo competitivo para venda da UPI Uni.Co, ativo colocado à venda durante a recuperação judicial.
Segundo a empresa, duas propostas foram apresentadas:
- Fan Store Entretenimento S.A., com oferta de R$ 152,9 milhões
- Solver Soluções Críticas Ltda., com proposta de R$ 155 milhões
A proposta da Solver prevê R$ 70 milhões pagos à vista e o restante dividido em cinco parcelas.
Acompanhe a movimentação do ativo em tempo real:
Com informações de Money Times.
Este conteúdo foi útil? Siga o Melhor Investimento nas redes sociais: