IBGE: setor de serviços cai em novembro, mas segue 20% acima do nível pré-pandemia
Queda de 0,1% interrompe sequência de nove altas, mas setor segue 20% acima do nível pré-pandemia
Divulgação/IBGE
Depois de alcançar o maior patamar da série histórica em outubro, o volume de serviços no Brasil apresentou leve retração de 0,1% em novembro, na série com ajuste sazonal, segundo dados divulgados nesta terça-feira (IBGE).
O resultado interrompe uma sequência de nove meses consecutivos de crescimento, período em que o setor acumulou avanço de 3,8%.
Apesar da variação negativa no mês, o segmento (que responde pela maior fatia do PIB brasileiro) ainda opera em nível elevado. Em novembro, os serviços estavam 20% acima do patamar pré-pandemia, de fevereiro de 2020, e apenas 0,1% abaixo do recorde histórico registrado no mês anterior.
Transportes puxam queda no mês
Na comparação com outubro, duas das cinco atividades pesquisadas mostraram desempenho negativo. O principal impacto veio do setor de transportes, que recuou 1,4%, seguido por informação e comunicação, com queda de 0,7%.
Por outro lado, os serviços profissionais, administrativos e complementares avançaram 1,3%, enquanto o grupo de outros serviços cresceu 0,5%. Já os serviços prestados às famílias ficaram estáveis no período.
Segundo o IBGE, a retração nos transportes foi influenciada pelo desempenho mais fraco do transporte aéreo, do transporte rodoviário coletivo de passageiros, além de segmentos ligados à logística e transporte dutoviário.
Alta de 2,5% na comparação anual
Mesmo com o recuo mensal, o setor manteve trajetória positiva na comparação com o mesmo período do ano anterior. Em relação a novembro de 2024, o volume de serviços cresceu 2,5%, marcando a 20ª alta consecutiva nessa base de comparação.
O avanço foi sustentado principalmente por informação e comunicação, que subiu 3,4%, e por transportes e correio, com alta de 2,5%. A única contribuição negativa veio dos serviços prestados às famílias, que caíram 1,0%, refletindo menor receita em atividades como restaurantes, hotéis e espetáculos.
Tecnologia como motor do setor de serviços em 2025
No acumulado de 2025 até novembro, o crescimento do setor de serviços chegou a 2,7%. O principal destaque segue sendo o segmento de informação e comunicação, com avanço de 5,4% no ano, impulsionado por atividades ligadas a software, dados, hospedagem, consultoria em TI e provedores de conteúdo digital.
Os transportes avançaram 2,5%, enquanto os serviços profissionais cresceram 2,4%. O grupo de outros serviços permanece como o único freio, com queda acumulada de 0,9% no ano.
Turismo mantém trajetória de recuperação
As atividades turísticas registraram alta de 0,2% em novembro, no quarto avanço consecutivo. O setor já opera 13% acima do nível pré-pandemia e está apenas 0,8% abaixo do recorde histórico.
Na comparação anual, o turismo cresceu 2,1%, com destaque para estados como Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia e Pará.
Impacto na economia e nos juros
Para Sara Paixão, analista de macroeconomia da InvestSmartXP, o resultado abaixo do esperado reforça sinais de perda de fôlego da atividade econômica no fim do ano.
“O setor de serviços mostrou uma variação negativa de 0,1% em novembro, abaixo da expectativa do mercado, que era de alta de 0,1%. O principal destaque negativo foi o segmento de transportes, o que reforça a percepção de desaceleração da atividade econômica no último trimestre”, afirma.
Segundo a analista, apesar da queda pontual, o nível de atividade segue elevado.
“Mesmo com o resultado negativo, o setor ainda está cerca de 20% acima do nível pré-pandemia, sendo um dos mais beneficiados pelo avanço da renda real da população observado nos últimos anos.”
Sara Paixão destaca que o desempenho dos serviços é um dos fatores monitorados pelo Banco Central na condução da política monetária.
“A desaceleração no setor de serviços reforça a percepção de que o ciclo de corte de juros pode começar a partir da segunda reunião do ano. Após a divulgação dos dados, a curva de juros passou a operar em queda na maioria dos vértices”, explica.
Para 2026, a analista vê espaço para uma retomada mais consistente do setor, apoiada por estímulos à renda.
“Alguns fatores podem contribuir para uma reaceleração ao longo do ano, como a redução do imposto de renda para quem recebe até R$ 5 mil, o que tende a sustentar o consumo e os serviços.”