O que fazer com as ações VALE3 após prejuízo de US$ 3,8 bi no 4T25?
Mesmo com prejuízo bilionário no 4T25, Vale entrega Ebitda forte e reduz dívida. Analistas divergem sobre VALE3 após alta de 61% em seis meses.
(Foto: Adobe Stock)
A Vale (VALE3) divulgou um balanço do 4T25 que dividiu a atenção do mercado: enquanto o prejuízo líquido de US$ 3,8 bilhões chama atenção, o desempenho operacional foi considerado forte pelas principais casas de análise. O Ebitda proforma alcançou US$ 4,8 bilhões, superando estimativas, com geração de caixa livre de US$ 1,9 bilhão e redução da alavancagem para 0,7 vez.
Leia em detalhes:
Para os analistas, o prejuízo teve caráter majoritariamente contábil, impulsionado por impairments e efeitos fiscais sem impacto relevante no caixa. O foco, portanto, permanece na operação, na geração de caixa e na dinâmica das commodities.
Metais básicos ganham protagonismo
O destaque positivo veio da divisão de Metais para Transição Energética, especialmente cobre e níquel. O JP Morgan avaliou o resultado como positivo e manteve visão construtiva para o papel, fixando preço-alvo de R$ 97,00. O banco ressaltou o avanço do Ebitda na unidade, impulsionado por maiores volumes e melhor desempenho de subprodutos como ouro.
A XP Investimentos também reconheceu a melhora operacional, sobretudo no cobre, mas manteve postura mais cautelosa quanto ao valuation.
Minério ainda dita o ritmo
Apesar do avanço dos metais básicos, cerca de 80% do Ebitda da companhia ainda está atrelado ao minério de ferro. A Genial Investimentos reforça que a tese da Vale continua sendo majoritariamente uma história sobre minério, projetando preço médio de US$ 95 por tonelada em 2026 e estabelecendo preço-alvo de R$ 90,00 para a ação.
O ponto de atenção é o cenário de oferta crescente nos próximos anos e uma possível desaceleração da demanda chinesa, fatores que podem limitar o potencial adicional de valorização.
O que fazer com VALE3 após o 4T25?
As ações vêm de forte valorização e já negociam próximas às máximas históricas. Cotada a R$ 87,26, a Vale (VALE3) acumula alta de 61,32% nos últimos seis meses. Para parte do mercado, uma parcela relevante do bom momento operacional e da melhora na geração de caixa já está precificada no valor atual do papel, o que pode limitar ganhos adicionais no curto prazo.
O consenso entre especialistas aponta para três possíveis estratégias:
- Manter posição: para investidores já posicionados, a geração de caixa robusta e a desalavancagem sustentam a tese.
- Aguardar ponto de entrada: após a forte alta, parte das casas vê espaço mais limitado no curto prazo.
- Visão construtiva no médio prazo: especialmente se os preços do minério e do cobre permanecerem firmes.
O balanço do 4T25 reforçou a eficiência operacional da Vale (VALE3), mas o desempenho das ações continuará diretamente ligado ao ciclo do minério de ferro; variável que segue como principal motor da tese nos próximos trimestres.
Com informações de Isabela Ortiz / E-investidor