Trump chama proposta do Irã de “totalmente inaceitável” e endurece discurso
Teerã pediu suspensão de sanções e fim do bloqueio naval, enquanto Washington mantém pressão sobre programa nuclear iraniano
Imagem: Brendan Smialowski/AFP/Reprodução via BdF
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevou novamente o tom contra o Irã neste domingo (10) ao rejeitar publicamente a resposta enviada por Teerã à proposta americana para encerrar a crise no Oriente Médio.
Em publicação feita na rede Truth Social, Trump afirmou que leu o documento encaminhado pelos iranianos e classificou o conteúdo como “totalmente inaceitável”.
A reação acontece em meio às negociações indiretas entre os dois países, conduzidas com intermediação do Paquistão, enquanto a tensão militar continua elevada na região do Golfo.
Irã apresentou contraproposta com exigências
Segundo informações divulgadas pelo The Wall Street Journal, a resposta iraniana incluiu uma série de condições consideradas favoráveis ao regime de Teerã.
Entre os principais pontos estariam a suspensão do bloqueio naval imposto pelos EUA, garantias contra novos ataques militares e o alívio das sanções econômicas aplicadas ao país, especialmente sobre as exportações de petróleo iraniano.
Além disso, o governo iraniano teria proposto apenas a diluição parcial do urânio enriquecido, mantendo parte do material sob controle indireto em um terceiro país.
Analistas internacionais avaliam que o plano apresentado está distante da exigência central defendida por Washington: o encerramento efetivo do programa nuclear iraniano.
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Proposta americana previa trégua
A estratégia defendida pela Casa Branca seguia caminho diferente da contraproposta apresentada por Teerã.
Segundo fontes ligadas às negociações, os EUA defendiam inicialmente uma redução das hostilidades militares e um cessar-fogo mais amplo antes da abertura de discussões sobre temas nucleares e sanções econômicas.
O endurecimento do discurso de Trump ocorre poucos dias antes de sua viagem à China, onde terá encontro marcado com o presidente Xi Jinping.
Nos bastidores, analistas avaliam que o presidente americano tenta evitar qualquer sinal de recuo diplomático diante do Irã antes da agenda internacional com Pequim.
Mídia iraniana reage e diz que Trump “não gosta da realidade”
A resposta de Trump provocou reação imediata da mídia estatal iraniana. A agência semioficial Tasnim News Agency, ligada à Guarda Revolucionária do Irã, minimizou a crítica do presidente americano e afirmou que a rejeição “não tem a menor importância”.
Segundo uma fonte citada pela agência, as propostas iranianas não foram elaboradas para agradar Trump, mas para defender os interesses do povo iraniano.
A publicação ainda afirmou que o presidente dos EUA “não gosta da realidade” e acusou Washington de sofrer derrotas diplomáticas diante do Irã ao longo das negociações recentes.
Irã cobra fim total da guerra e suspensão de sanções
De acordo com a Tasnim, o documento enviado por Teerã reforça a necessidade de encerramento completo do conflito em todas as frentes militares.
A proposta iraniana também pede garantias formais contra novos ataques e a suspensão temporária das restrições impostas pelo OFAC, órgão do governo americano responsável pelo controle de sanções financeiras internacionais.
Entre os pedidos estaria uma pausa de 30 dias nas restrições relacionadas à venda de petróleo iraniano, além do fim do bloqueio naval na região.
As exigências, porém, aumentaram a resistência dentro do governo americano, principalmente entre setores que defendem posição mais rígida contra o programa nuclear iraniano.
Mercado acompanha tensão no Oriente Médio
As negociações seguem sendo monitoradas de perto pelos mercados internacionais devido ao potencial impacto sobre petróleo, inflação e comércio global.
O conflito envolvendo Estados Unidos, Irã e Israel elevou a preocupação com possíveis interrupções no Estreito de Ormuz, rota estratégica responsável por grande parte do transporte mundial de petróleo e gás natural.
Investidores também acompanham os desdobramentos diplomáticos diante do risco de novos confrontos militares afetarem preços de energia, cadeias logísticas e crescimento econômico global.
Com informações de Gazeta do Povo.