Trump chama Dinamarca de ingrata e cobra controle da Groelândia até junho
Durante discurso em Davos, Trump afirma que apenas os Estados Unidos são capazes de garantir a segurança da Groenlândia e pressiona acordo.
Trump responde questões sobre a Groelândia em Davos (Imagem: DWS News/Youtube/Reprodução).
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (21) que nenhum outro país seria capaz de garantir a segurança da Groenlândia além dos próprios EUA. A declaração foi feita durante discurso no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, e reacendeu a tensão diplomática envolvendo a ilha semiautônoma ligada à Dinamarca.
Segundo Trump, a localização estratégica da Groenlândia a tornaria vulnerável. “Acredito que nenhum outro país consegue manter a segurança da Groenlândia como os Estados Unidos”, afirmou o presidente.
Discurso duro e críticas à Dinamarca
No pronunciamento, Trump adotou tom crítico em relação a Copenhague e classificou como um erro histórico a devolução da ilha à administração dinamarquesa após a Segunda Guerra Mundial. Ele voltou a dizer que os EUA “fortificaram” a Dinamarca no passado e sugeriu falta de reconhecimento por parte do país europeu.
“Demos a Groenlândia de volta para a Dinamarca, que ideia estúpida. E olha o quão ingratos eles são agora”, afirmou.
Apesar das declarações contundentes, o presidente americano disse que não pretende recorrer à força militar. “Poderia fazer uso da força, mas não vou”, declarou.
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Pressão por negociações e ameaça tarifária
Trump afirmou buscar “negociações imediatas” para discutir a possibilidade de aquisição da Groenlândia pelos Estados Unidos. A fala ocorre em meio a uma escalada de pressões comerciais.
O presidente indicou que pode impor uma tarifa de 10% sobre produtos europeus a partir de fevereiro caso a ilha não passe ao controle americano até junho.
A ameaça teve reflexos diretos na relação entre Washington e Bruxelas. Diante do impasse, o Parlamento Europeu decidiu suspender a análise do acordo comercial entre União Europeia e Estados Unidos, conhecido como Acordo de Turnberry.
Relação UE e EUA entra em compasso de espera
O pacto previa a suspensão de tarifas sobre produtos industriais americanos exportados ao bloco europeu, além da criação de cotas tarifárias para itens agroalimentares dos EUA.
Segundo o presidente da Comissão de Comércio Internacional do Parlamento Europeu, Bernd Lange, o processo foi interrompido após o que classificou como uma “quebra do acordo” por parte de Washington.
“Vamos manter o andamento de dois processos suspenso até que haja clareza sobre a Groenlândia e sobre essas ameaças”, acrescentou Lange.
A suspensão sinaliza um novo ponto de atrito na relação transatlântica, em um momento em que as declarações de Trump sobre soberania, comércio e política externa voltam a gerar reações em cadeia no cenário internacional.
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