Tensões entre EUA e Europa derrubam Bitcoin para próximo dos US$ 93 mil

Aversão ao risco cresce com ameaças tarifárias, enquanto criptomoedas caem e ouro atinge máximas históricas

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Última atualização:  19 de jan, 2026 às 14:32
Moedas com o símbolo do Bitcoin em fundo vermelho e gráfico de ações de criptomoedas. Imagem: Envato Elements

O Bitcoin (BTC) e o mercado de criptomoedas operam em queda nesta segunda-feira (19), pressionados pelo aumento da aversão ao risco nos mercados globais. A principal criptomoeda do mundo era negociada próxima de US$ 93 mil, com recuo de cerca de 2,5% em 24 horas, em um cenário marcado pela intensificação das tensões comerciais entre Estados Unidos e União Europeia.

O movimento de correção ganhou força após declarações do presidente norte-americano Donald Trump, que voltou a ameaçar a imposição de tarifas contra países europeus ligados a exercícios militares no território da Groenlândia.

Segundo relatos do mercado, a União Europeia prepara um pacote de retaliação tarifária de € 93 bilhões (US$ 108 bilhões), o que ampliou o clima de incerteza. A deterioração do cenário macro levou investidores a reduzir exposição a ativos de maior risco, afetando tanto ações europeias quanto criptomoedas.

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Criptomoedas não acompanham alta dos ativos de proteção

Enquanto o Bitcoin recuava, ativos considerados proteção, como ouro e prata, avançaram e renovaram máximas históricas, reforçando a busca por segurança em meio à instabilidade geopolítica. As criptomoedas, porém, não acompanharam esse movimento defensivo.

Entre as principais altcoins, o desempenho foi majoritariamente negativo.

  • O Ethereum (ETH) registrava queda de aproximadamente 3%;
  • Solana (SOL) recuava 5,8%.
  • XRP tinha baixa de 4%,
  • Dogecoin (DOGE) caía cerca de 6,8% no mesmo período.

Uma das exceções do dia foi a Monero (XMR), que avançava quase 8%. A alta ocorreu após o analista on-chain conhecido como ZachXBT apontar que grandes volumes de Bitcoin e Litecoin (LTC) roubados estariam sendo convertidos em Monero, reacendendo discussões sobre o uso de moedas de privacidade em operações ilícitas.

A queda ocorre após um movimento de recuperação observado nos últimos dias. O Bitcoin chegou a superar a marca de US$ 95 mil, impulsionado pela melhor semana de captação de ETFs de Bitcoin nos Estados Unidos desde outubro, o que havia sustentado o apetite por risco no mercado cripto.

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Bolsas europeias recuam e Wall Street não opera

No mercado acionário, as bolsas europeias operam em queda. O índice Stoxx 600 recuava cerca de 1,1%, pressionado principalmente por ações de montadoras, como a BMW, enquanto papéis do setor de defesa apresentavam desempenho positivo.

Nos Estados Unidos, os futuros do S&P 500 caíam aproximadamente 0,9%, em um pregão esvaziado pela ausência de negociações à vista em ações e Treasuries, devido a um feriado local.

No mercado de câmbio, o dólar apresentava leve queda de 0,1%, enquanto os futuros dos Treasuries operavam praticamente estáveis. Já os títulos soberanos da Alemanha e da França registravam ganhos moderados, refletindo a busca por ativos considerados mais seguros.

Tarifas voltam ao centro do radar global

A retomada das preocupações com tarifas ocorre em um momento em que o apetite por risco vinha sendo sustentado por resultados corporativos resilientes e investimentos contínuos em inteligência artificial.

No entanto, as declarações de Trump — que incluem a aplicação de tarifas de 10% a partir de fevereiro, com possibilidade de elevação para 25% em junho — reacenderam a volatilidade.

Autoridades europeias já discutem medidas de resposta, incluindo tarifas sobre produtos industriais americanos, como aeronaves, automóveis e bebidas, o que mantém os mercados em alerta.

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Lucas Machado

Redator e psicólogo com quase 5 anos de experiência na produção de artigos e notícias sobre uma ampla gama de temas. Suas áreas de interesse e expertisse incluem previdência, seguros, direito sucessório e finanças, em geral. Atualmente, faz parte da equipe do Melhor Investimento, abordando uma variedade de tópicos relacionados ao mercado financeiro.