Serviços dos EUA renovam máxima e testam força da economia em meio à tensão global
O setor de serviços dos EUA atinge máxima em três anos e meio em fevereiro, com o PMI subindo para 56,1, acima das expectativas do mercado.
Foto: REUTERS/Callaghan O'Hare
O setor de serviços dos EUA atinge máxima em três anos e meio em fevereiro, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (4), em Washington. O avanço reforça a percepção de que a economia americana iniciou o primeiro trimestre com ritmo mais forte do que o esperado, impulsionada por demanda interna resiliente e recuperação das encomendas.
O Índice de Gerentes de Compras (PMI) não manufatureiro do Instituto de Gestão de Fornecimento subiu para 56,1 no mês passado, ante 53,8 em janeiro. O resultado representa o nível mais alto desde julho de 2022 e ficou acima das projeções de analistas, que esperavam leitura em torno de 53,5.
Leituras acima de 50 indicam expansão da atividade. Como o setor responde por mais de dois terços do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos, o desempenho tem peso relevante sobre o crescimento geral.
Quando e onde: dados de fevereiro divulgados em Washington
Os números refletem a atividade registrada em fevereiro e foram apresentados na capital americana. A pesquisa, amplamente acompanhada por investidores e formuladores de política monetária, serve como termômetro da economia de serviços — segmento que engloba comércio, transporte, tecnologia, saúde e finanças.
O resultado surge após o PIB americano desacelerar para uma taxa anualizada de 1,4% no quarto trimestre. No trimestre anterior, entre julho e setembro, a economia havia crescido a um ritmo mais robusto, de 4,4%.
Com isso, o fato de que o setor de serviços dos EUA atinge máxima em três anos e meio alimenta expectativas de recuperação mais consistente já no início deste ano.
Como o avanço ocorreu: demanda forte e novas encomendas
Setor de serviços dos EUA atinge máxima em três anos e meio com impulso das encomendas
O principal motor da expansão foi o aumento das novas encomendas. O subíndice avançou para 58,6, o maior nível desde setembro de 2024, frente a 53,1 no mês anterior. O crescimento indica que empresas continuam recebendo pedidos em ritmo acelerado, sinalizando confiança por parte de consumidores e companhias.
Além disso:
- As encomendas para exportação registraram recuperação significativa;
- Os pedidos em atraso também cresceram;
- O índice de preços pagos pelas empresas caiu de 66,6 para 63,0, sugerindo leve moderação nas pressões de custo.
Esse conjunto de fatores explica por que o setor de serviços dos EUA atinge máxima em três anos e meio, mesmo em um ambiente global de incertezas.
A combinação de demanda aquecida e arrefecimento parcial dos custos pode contribuir para um cenário de crescimento com inflação mais controlada — ponto crucial para as decisões do Federal Reserve.
Por que isso importa: impacto no crescimento e na política monetária
O desempenho robusto do setor fortalece as projeções de expansão econômica no primeiro trimestre. Economistas já revisam estimativas diante da surpresa positiva do indicador.
Como o setor de serviços é menos sensível às oscilações industriais e mais ligado ao consumo doméstico, sua força sugere que o mercado de trabalho e a renda das famílias continuam sustentando a atividade.
Além disso, o fato de que o setor de serviços dos EUA atinge máxima em três anos e meio pode influenciar a trajetória dos juros. Caso a atividade permaneça aquecida, o banco central poderá manter postura cautelosa antes de iniciar cortes adicionais nas taxas.
Riscos no horizonte: guerra no Oriente Médio pode frear avanço
Apesar do resultado positivo, o cenário externo impõe cautela. A pesquisa foi realizada antes da intensificação do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. A escalada elevou os preços do petróleo e do gás natural e aumentou a volatilidade nos mercados financeiros.
Caso a guerra no Oriente Médio se amplie, os impactos podem incluir:
- Pressão adicional sobre a inflação via energia;
- Queda na confiança empresarial;
- Redução do consumo e dos investimentos.
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