Serviços dos EUA renovam máxima e testam força da economia em meio à tensão global

O setor de serviços dos EUA atinge máxima em três anos e meio em fevereiro, com o PMI subindo para 56,1, acima das expectativas do mercado.

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Última atualização:  04 de mar, 2026 às 15:40
Barista trabalhando em uma cafeteria moderna, vestindo avental, boné e máscara de proteção. Há vapor subindo em frente ao profissional, com moedores de café repletos de grãos em primeiro plano e xícaras organizadas sobre a máquina de espresso. Ao fundo, grandes janelas de vidro revelam a iluminação externa. Foto: REUTERS/Callaghan O'Hare

O setor de serviços dos EUA atinge máxima em três anos e meio em fevereiro, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (4), em Washington. O avanço reforça a percepção de que a economia americana iniciou o primeiro trimestre com ritmo mais forte do que o esperado, impulsionada por demanda interna resiliente e recuperação das encomendas.

O Índice de Gerentes de Compras (PMI) não manufatureiro do Instituto de Gestão de Fornecimento subiu para 56,1 no mês passado, ante 53,8 em janeiro. O resultado representa o nível mais alto desde julho de 2022 e ficou acima das projeções de analistas, que esperavam leitura em torno de 53,5.

Leituras acima de 50 indicam expansão da atividade. Como o setor responde por mais de dois terços do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos, o desempenho tem peso relevante sobre o crescimento geral.

Quando e onde: dados de fevereiro divulgados em Washington

Os números refletem a atividade registrada em fevereiro e foram apresentados na capital americana. A pesquisa, amplamente acompanhada por investidores e formuladores de política monetária, serve como termômetro da economia de serviços — segmento que engloba comércio, transporte, tecnologia, saúde e finanças.

O resultado surge após o PIB americano desacelerar para uma taxa anualizada de 1,4% no quarto trimestre. No trimestre anterior, entre julho e setembro, a economia havia crescido a um ritmo mais robusto, de 4,4%.

Com isso, o fato de que o setor de serviços dos EUA atinge máxima em três anos e meio alimenta expectativas de recuperação mais consistente já no início deste ano.

Como o avanço ocorreu: demanda forte e novas encomendas

Setor de serviços dos EUA atinge máxima em três anos e meio com impulso das encomendas

O principal motor da expansão foi o aumento das novas encomendas. O subíndice avançou para 58,6, o maior nível desde setembro de 2024, frente a 53,1 no mês anterior. O crescimento indica que empresas continuam recebendo pedidos em ritmo acelerado, sinalizando confiança por parte de consumidores e companhias.

Além disso:

  • As encomendas para exportação registraram recuperação significativa;
  • Os pedidos em atraso também cresceram;
  • O índice de preços pagos pelas empresas caiu de 66,6 para 63,0, sugerindo leve moderação nas pressões de custo.

Esse conjunto de fatores explica por que o setor de serviços dos EUA atinge máxima em três anos e meio, mesmo em um ambiente global de incertezas.

A combinação de demanda aquecida e arrefecimento parcial dos custos pode contribuir para um cenário de crescimento com inflação mais controlada — ponto crucial para as decisões do Federal Reserve.

Por que isso importa: impacto no crescimento e na política monetária

O desempenho robusto do setor fortalece as projeções de expansão econômica no primeiro trimestre. Economistas já revisam estimativas diante da surpresa positiva do indicador.

Como o setor de serviços é menos sensível às oscilações industriais e mais ligado ao consumo doméstico, sua força sugere que o mercado de trabalho e a renda das famílias continuam sustentando a atividade.

Além disso, o fato de que o setor de serviços dos EUA atinge máxima em três anos e meio pode influenciar a trajetória dos juros. Caso a atividade permaneça aquecida, o banco central poderá manter postura cautelosa antes de iniciar cortes adicionais nas taxas.

Riscos no horizonte: guerra no Oriente Médio pode frear avanço

Apesar do resultado positivo, o cenário externo impõe cautela. A pesquisa foi realizada antes da intensificação do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. A escalada elevou os preços do petróleo e do gás natural e aumentou a volatilidade nos mercados financeiros.

Caso a guerra no Oriente Médio se amplie, os impactos podem incluir:

  • Pressão adicional sobre a inflação via energia;
  • Queda na confiança empresarial;
  • Redução do consumo e dos investimentos.

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