Planos de saúde coletivos sobem 9,9% em 2026, mas reajuste segue acima da inflação
Mesmo com desaceleração nos aumentos, alta dos contratos segue muito acima da inflação oficial do país.
Imagem: Envato Elements.
Os planos de saúde coletivos começaram 2026 com reajuste médio de 9,9%, segundo dados divulgados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Embora o percentual represente a menor alta registrada nos últimos cinco anos, o aumento ainda supera com folga a inflação oficial do país no período.
As informações consideram os reajustes anuais aplicados pelas operadoras nos dois primeiros meses do ano e reforçam a pressão contínua dos custos de saúde sobre empresas, associações e consumidores vinculados a contratos coletivos.
Reajuste desacelera após anos de altas mais fortes
O índice médio de 9,9% representa uma desaceleração em relação aos últimos anos, especialmente após os reajustes de 14,13% registrados em 2023 e de 13,18% em 2024.
Ainda assim, o percentual permanece elevado para grande parte dos consumidores e empresas, principalmente em um cenário de renda pressionada e custos crescentes em diversos setores da economia.
A última vez em que os planos coletivos tiveram reajuste inferior ao atual foi em 2021, quando a alta média ficou em 6,43%. Naquele período, a pandemia de covid-19 provocou redução na utilização de consultas, exames e cirurgias eletivas, o que ajudou a conter parte das despesas das operadoras.
Desde então, o setor voltou a registrar aumento relevante na demanda por serviços médicos e hospitalares, pressionando os custos assistenciais.
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Alta supera inflação oficial do país
Mesmo com desaceleração, o reajuste dos planos coletivos continua muito acima da inflação oficial brasileira.
Para efeito de comparação, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado em fevereiro de 2026 ficou em 3,81%, menos da metade da variação média aplicada pelos planos de saúde.
O tema costuma gerar críticas de entidades de defesa do consumidor, principalmente em contratos empresariais e coletivos por adesão, que concentram a maior parte dos beneficiários do setor.
O Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), por exemplo, frequentemente questiona reajustes considerados muito acima da inflação geral da economia.
ANS diz que comparação com inflação é limitada
A ANS argumenta que não é adequado comparar diretamente o reajuste dos planos de saúde com os índices tradicionais de inflação.
Segundo a agência reguladora, os cálculos do setor levam em consideração fatores específicos da saúde suplementar, como aumento da frequência de utilização dos serviços, incorporação de tecnologias, custos hospitalares e elevação de despesas médicas.
Na avaliação da agência, o comportamento dos custos de saúde costuma seguir dinâmica diferente daquela observada em outros segmentos da economia.
Planos menores tiveram reajustes ainda maiores
Os dados divulgados pela ANS mostram que os contratos coletivos com menos beneficiários sofreram aumentos mais intensos no início de 2026.
Nos planos com até 29 vidas — termo utilizado pelo setor para definir o número de clientes vinculados ao contrato — o reajuste médio chegou a 13,48%.
Já os planos com 30 ou mais beneficiários registraram alta média de 8,71%.
Segundo a agência, cerca de 77% dos consumidores estão concentrados nos contratos maiores, que normalmente possuem maior poder de negociação junto às operadoras.
Como funciona o reajuste dos planos coletivos
Diferentemente dos planos individuais e familiares, os planos coletivos não possuem reajuste definido diretamente pela ANS.
Nesse modelo, os percentuais são negociados entre a operadora e a pessoa jurídica responsável pelo contrato, como empresas, sindicatos, associações profissionais e entidades de classe.
A ANS apenas acompanha os reajustes praticados para monitorar o comportamento do mercado e divulgar médias do setor.
Já nos contratos individuais, o percentual máximo permitido continua sendo determinado pela própria agência reguladora.
Setor segue lucrativo e número de usuários cresce
Os dados mais recentes da ANS mostram que o Brasil possuía cerca de 53 milhões de vínculos de planos de saúde em março de 2026, crescimento de aproximadamente 906 mil contratos em relação ao ano anterior.
A grande maioria dos beneficiários está concentrada justamente nos planos coletivos, que representam cerca de 84% dos contratos ativos no país.
O setor também segue registrando forte expansão financeira. Segundo a ANS, as operadoras de saúde suplementar encerraram 2025 com receita total de R$ 391,6 bilhões e lucro líquido acumulado de R$ 24,4 bilhões — o maior resultado já registrado pela indústria.
Na prática, isso significa que as empresas do setor obtiveram cerca de R$ 6,20 de lucro para cada R$ 100 recebidos ao longo do ano passado.
Com informações de Agência Brasil.