Na última semana, Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, declarou que  apesar da taxa básica de juros da economia estar em patamar alto, a inflação no Brasil está caindo mais devagar do que o esperado.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, registrou alta de 0,71% em março e acumulou alta de 4,65% em 12 meses, menor nível desde 2021.

O mercado recebeu bem os percentuais, o que resultou em movimentos como a queda do dólar e a alta da Bolsa de Valores de São Paulo.

“Olhamos muitas coisas e cruzamos muitos dados. Mas a realidade é que a queda da inflação é mais lenta do que esperávamos, considerando o patamar da taxa real de juros no Brasil. O que nos diz que a batalha não foi vencida e temos que persistir”, declarou Campos Neto em conferência com investidores internacionais.

Desde agosto de 2022, a taxa básica de juros da economia está em 13,75% ao ano, sendo esse o maior patamar para o país desde 2016 e o maior juro real (descontada a inflação) do mundo. Embora o governo espere sinalizações do Banco Central indicando que essa taxa será reduzida nos próximos meses, o BC ainda não se manifestou sobre o assunto.

Um investidor questionou o presidente do BC sobre o motivo pelo qual o Banco Central está levando em consideração as expectativas de especialistas que apontam uma inflação futura mais alta, em vez dos dados atuais de mercado que indicam uma trajetória mais favorável. 

Em resposta, Campos Neto afirmou que a avaliação do BC é de que a inflação acumulada atualmente está “contaminada” pelas medidas temporárias adotadas pelo governo Bolsonaro em 2022 para combater a inflação durante o período eleitoral.

Campos Neto afirmou que também é possível observar esse movimento em outras economias

O presidente do BC ressaltou que a preocupação não é exclusiva do Brasil – e que o processo de queda da inflação é também mais lento que o esperado em outras economias.

“Quando você olha o núcleo da inflação, o ritmo é lento. Está caindo, mas em um ritmo muito lento. E isso é um consenso entre vários bancos centrais, provavelmente significa que o trabalho não terminou e precisamos insistir”, disse.

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Equipe MI

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