Privatização da Copasa (CSMG3) avança e pode atrair disputa entre investidores em 2026
Processo prevê votação em assembleia em fevereiro e ocorre em meio à expansão do investimento privado no setor de saneamento.
Foto: Copasa/Divulgação
O processo de privatização da Copasa (Companhia de Saneamento de Minas Gerais) avançou e deve ganhar tração ao longo do primeiro semestre de 2026, após um longo período de embates políticos no estado. O governo de Minas Gerais trabalha para concluir a desestatização com base na Lei Estadual nº 4.380/2025, que autoriza o Executivo a adotar medidas para a venda da companhia.
Como parte do cronograma, a Copasa convocou uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE) para o dia 23 de fevereiro de 2026, quando os acionistas irão deliberar sobre o modelo de privatização. A proposta em discussão prevê a realização de uma distribuição secundária de ações, mecanismo que pode reduzir a participação do Estado no capital da companhia.
A Copasa é uma das maiores empresas do setor de saneamento no Brasil e atua em um segmento que passou por mudanças estruturais relevantes desde a implementação do Novo Marco Legal do Saneamento, em 2020. A legislação estabeleceu metas de universalização dos serviços até 2033, ampliando de forma significativa a necessidade de investimentos e reforçando o papel da iniciativa privada no setor.
Na avaliação de Mônica Araújo, estrategista de empresas e renda variável da InvestSmart XP, o ambiente regulatório mais robusto e o histórico recente de privatizações, como a da Sabesp em 2024, aumentam a probabilidade de forte interesse de investidores no processo da Copasa. Segundo ela, o sucesso da operação dependerá da redução de riscos regulatórios, do fortalecimento de contratos de longo prazo com os municípios e da clareza das regras do modelo a ser adotado.
O avanço institucional do processo já vem sendo refletido no desempenho das ações da companhia. Nos últimos 12 meses, os papéis da Copasa acumulam valorização de cerca de 134%, movimento que, segundo Mônica Araújo, reflete tanto a evolução do arcabouço legal quanto a proximidade do evento de privatização.
A estrategista avalia ainda que o setor de saneamento pode passar por novos processos de desestatização e até por movimentos de consolidação, diante da necessidade de investimentos elevados para o cumprimento das metas de universalização.
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