Prévia da inflação oficial de janeiro desacelera e fica em 0,20%

A prévia da inflação oficial de janeiro desacelerou e registrou alta de 0,20%, influenciada principalmente pela queda na conta de luz e nas passagens aéreas.

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Última atualização:  27 de jan, 2026 às 15:15
Notas de 100 reais dispostas em uma superfície branca, destacando a linha e detalhes do dinheiro brasileiro. Foto: Getty Images

A prévia da inflação oficial de janeiro perdeu força e registrou alta de 0,20%, segundo dados divulgados nesta terça-feira (23) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado representa desaceleração frente a dezembro, quando o índice avançou 0,25%, e reflete principalmente a queda nos preços da energia elétrica e das passagens aéreas.

O indicador, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), funciona como uma prévia da inflação oficial do país. Com o desempenho de janeiro, o índice passou a acumular alta de 4,5% em 12 meses, exatamente o limite máximo da meta de inflação estabelecida pelo governo, de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

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Para o mercado financeiro, o resultado do IPCA-15 de janeiro veio melhor do que o esperado, mas a composição do índice ainda exige cautela. Segundo Sara Paixão, analista de Macroeconomia da InvestSmart, o avanço de 0,20% ficou abaixo das projeções, embora alguns núcleos continuem pressionados.

“O IPCA-15 de janeiro surpreendeu positivamente o mercado, com avanço de 0,20%, frente à projeção de 0,22%. O destaque de alta foi para o grupo Saúde e Cuidados Pessoais e, conforme esperado, após sete meses de queda, o grupo alimentação no domicílio apresentou um avanço de 0,21%, com destaque para o aumento no preço de commodities como tomate, batata e carnes. Já o destaque de queda foi para habitação, em função da bandeira tarifária verde que foi implementada em janeiro.

A abertura do índice, entretanto, ainda apresenta desafios. O núcleo da inflação avançou 0,42% no período, acima da estimativa de 0,39%, e a difusão avançou de 54% para 63%, mostrando que o aumento dos preços foi difundido entre mais grupos. Já a inflação de serviços avançou 0,15%, abaixo das estimativas de 0,20%.

Outro destaque vai para os bens, que, após meses de variação negativa, voltaram a apresentar alta em janeiro, já que esses itens foram muito influenciados pela valorização do real frente ao dólar.

Para a decisão do Copom, que começa hoje e termina na quarta-feira, o resultado não deve trazer impacto. A expectativa é que o comitê mantenha a Selic inalterada no patamar de 15%, com possibilidade de uma sinalização de queda para a próxima reunião, que acontecerá em março.

Já para o IPCA-15 de fevereiro, devemos ter a incorporação da redução no preço da gasolina divulgada pela Petrobras ontem, o que deve trazer um viés baixista para as projeções da variação mensal.”

Conta de luz é principal fator de alívio da inflação em janeiro

O principal responsável pela desaceleração da prévia da inflação oficial de janeiro foi o grupo Habitação, que apresentou queda de 0,26% na comparação mensal. Dentro desse grupo, a energia elétrica residencial recuou 2,91%, exercendo o maior impacto negativo sobre o índice geral, com contribuição de -1,2 ponto percentual (p.p.).

A redução ocorreu após a mudança da bandeira tarifária definida pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Em dezembro, estava em vigor a bandeira amarela, que previa cobrança adicional de R$ 1,885 a cada 100 quilowatt-hora (kWh) consumidos. Em janeiro, passou a valer a bandeira verde, que não implica custo extra para o consumidor.

Passagens aéreas e ônibus ajudam a derrubar o grupo Transportes

O grupo Transportes também contribuiu para conter a inflação, ao registrar queda de 0,13% no mês. O principal fator foi a passagem aérea, que ficou 8,92% mais barata, em média.

Os ônibus urbanos também apresentaram recuo, de 2,79%, influenciados por políticas tarifárias adotadas em algumas capitais. Em Belo Horizonte, por exemplo, a implementação da tarifa zero aos domingos e feriados levou a uma queda de 18,26% no preço médio das passagens.

Combustíveis sobem e impedem desaceleração maior

Apesar da deflação em transportes, os combustíveis subiram 1,25% em janeiro e impediram uma desaceleração mais intensa da prévia da inflação oficial de janeiro.

As principais altas foram registradas no:

  • Etanol: +3,59%
  • Gasolina: +1,01%
  • Gás veicular: +0,11%
  • Óleo diesel: +0,03%

A gasolina teve o maior impacto individual no IPCA-15, com contribuição de 0,05 p.p.. Para fevereiro, no entanto, a expectativa é de alívio após o anúncio da redução de 5,2% no preço da gasolina vendida às distribuidoras pela Petrobras.

Alimentos voltam a subir após sete meses de queda

O grupo Alimentação e bebidas registrou alta de 0,31% em janeiro, acelerando frente ao avanço de 0,13% observado em dezembro. A alimentação no domicílio subiu 0,21%, interrompendo uma sequência de sete meses de queda.

As principais pressões vieram de:

  • Tomate: +16,28%
  • Batata-inglesa: +12,74%
  • Frutas: +1,65%
  • Carnes: +1,32%

Por outro lado, quedas expressivas em leite longa vida (-7,93%), arroz (-2,02%) e café moído (-1,22%) evitaram uma alta ainda maior do grupo.

Metodologia e próximos dados

O IPCA-15 considera uma cesta de bens e serviços consumidos por famílias com renda entre um e 40 salários mínimos, atualmente em R$ 1.621. A coleta de preços desta divulgação ocorreu entre 13 de dezembro de 2025 e 14 de janeiro de 2026, em 11 regiões metropolitanas do país.

O IPCA cheio de janeiro, que é a inflação oficial utilizada como referência para a política monetária, será divulgado pelo IBGE em 10 de fevereiro.

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