PIB do Brasil cresce e fecha 2025 com alta de 2,3%
Economia perde força: PIB do Brasil cresce 0,1% no 4º trimestre; veja os impactos para o investidor
(Foto: Pixabay)
O IBGE informou nesta terça-feira (03) que o PIB do Brasil avançou 0,1% no quarto trimestre de 2025, abaixo do ritmo observado no início do ano e em linha com a perda de fôlego da atividade econômica. Na comparação anual, a economia cresceu 2,3%, desacelerando frente aos 3,4% registrados em 2024, ainda que dentro das expectativas coletadas pela Reuters.
Em valores correntes, o PIB somou R$ 12,7 trilhões, com destaque para a agropecuária (+11,7%), além de avanços em serviços (+1,8%) e indústria (+1,4%).
Na composição do crescimento, atividades como agropecuária, indústria extrativa e informação e comunicação lideraram o desempenho e responderam por grande parte do valor adicionado no ano. O avanço refletiu, principalmente, a supersafra agrícola (com forte desempenho de soja e milho) e a expansão da produção de petróleo, além de um mercado de trabalho ainda aquecido e estímulos fiscais que sustentaram o consumo.
A leitura do ano, no entanto, mostra uma economia em dois tempos: crescimento forte no primeiro semestre e desaceleração gradual na segunda metade, em meio aos efeitos da política monetária restritiva.
No quarto trimestre, o PIB ficou praticamente estável, com queda da indústria (-0,7%) e altas moderadas em serviços (+0,8%) e agropecuária (+0,5%).
Saiba mais sobre o resultado do setor de serviços:
Para Sara Paixão, analista de macroeconomia da InvestSmart XP, o resultado do PIB mostra uma economia que ainda cresce, mas já sente os efeitos do aperto monetário.
“O PIB de 2025 apresentou um crescimento sólido, mas com desaceleração relevante frente ao ano anterior. No primeiro semestre, a atividade operou acima do potencial, impulsionada pela agropecuária e pela indústria extrativa, o que também ajudou a manter a inflação de serviços pressionada”.
Segundo a analista, a desaceleração no segundo semestre ocorreu em linha com os juros elevados, que reduziram o ritmo da atividade. “O avanço de 0,1% no quarto trimestre ficou abaixo do consenso de mercado e reforça a perda de tração, com destaque negativo para a indústria”.
Na avaliação de Sara, o cenário para 2026 pode trazer uma nova inflexão:
“A expectativa é de uma retomada da atividade no primeiro trimestre de 2026, impulsionada, principalmente, pela isenção de Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil”, explica.
O que isso significa para o investidor
Para o investidor, o dado reforça um ambiente de transição: juros ainda elevados no curto prazo, mas com possibilidade de estímulos à frente, o que pode reaquecer setores ligados ao consumo e aumentar a sensibilidade do mercado às próximas decisões de política econômica.
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