Petrobras vai retomar obras de unidade de fertilizantes no MS após 10 anos

A Petrobras aprovou a retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III, em Três Lagoas (MS), paralisada desde 2015.

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Última atualização:  15 de abr, 2026 às 22:39
Vista aérea de uma grande refinaria industrial da Petrobras. Imagem: Divulgação

A Petrobras decidiu dar um passo estratégico ao confirmar que Petrobras vai retomar obras de unidade de fertilizantes no Mato Grosso do Sul, reativando um projeto que estava parado desde 2015 e que agora ganha novo fôlego dentro do plano de expansão da estatal. A decisão foi tomada pelo Conselho de Administração na última segunda-feira (13) e reforça o reposicionamento da companhia no setor de fertilizantes, considerado essencial para o agronegócio brasileiro.

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A decisão envolve a retomada da construção da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III), localizada em Três Lagoas. O empreendimento havia sido interrompido há quase uma década, em meio a um período de desinvestimentos da Petrobras em segmentos fora do core de petróleo e gás.

Agora, o projeto volta ao radar com previsão de retomada ainda no primeiro semestre de 2026. A expectativa da companhia é que a unidade entre em operação comercial em 2029, marcando um novo ciclo de atuação no mercado de fertilizantes.

A inclusão da obra no Plano de Negócios 2026–2030, aprovado anteriormente, já indicava essa mudança de estratégia. No entanto, a decisão recente consolida o avanço prático do projeto.

Investimento bilionário e retomada estratégica

Para concluir a UFN-III, a Petrobras estima um investimento de aproximadamente US$ 1 bilhão. O aporte reforça a aposta da estatal na produção nacional de insumos agrícolas, em um momento em que o Brasil ainda depende fortemente de importações para atender sua demanda interna.

A retomada da unidade faz parte de um movimento mais amplo iniciado em 2023, quando a empresa decidiu voltar ao segmento de fertilizantes. A estratégia busca reduzir vulnerabilidades externas e aproveitar o potencial do mercado doméstico, especialmente diante da relevância do agronegócio para a economia brasileira.

Capacidade produtiva e impacto na oferta

Quando estiver em operação, a unidade terá capacidade para produzir:

  • cerca de 3.600 toneladas por dia de ureia
  • aproximadamente 2.200 toneladas por dia de amônia

Desse total, cerca de 180 toneladas diárias de amônia serão excedentes e poderão ser destinadas à comercialização.

A ureia é atualmente o fertilizante nitrogenado mais consumido no Brasil, com demanda anual estimada em cerca de 8 milhões de toneladas. Já a amônia é insumo essencial tanto para fertilizantes quanto para a indústria petroquímica.

Distribuição e foco no agronegócio

A produção da UFN-III será direcionada majoritariamente para estados com forte presença agropecuária:

  • Mato Grosso
  • Mato Grosso do Sul
  • Goiás
  • Paraná
  • São Paulo

Essas regiões concentram culturas estratégicas como milho, soja, cana-de-açúcar, café, trigo e algodão — todas altamente dependentes de fertilizantes nitrogenados.

Além disso, a ureia também possui aplicação como suplemento alimentar para ruminantes, ampliando sua relevância no setor pecuário.

Por que a Petrobras está retomando o projeto

A decisão de que a Petrobras vai retomar obras de unidade de fertilizantes no Mato Grosso do Sul está diretamente ligada a fatores estratégicos e econômicos. Entre os principais motivos estão:

  • Alta dependência de importações: o Brasil importa grande parte dos fertilizantes que consome
  • Segurança alimentar: garantir produção interna reduz riscos de abastecimento
  • Volatilidade global: crises internacionais impactam preços e oferta de insumos
  • Diversificação de negócios: a Petrobras busca ampliar suas frentes de atuação

Esse movimento também reflete uma mudança de visão em relação ao papel da estatal, que volta a investir em áreas consideradas estratégicas para o desenvolvimento econômico do país.