Petrobras vai retomar obras de unidade de fertilizantes no MS após 10 anos
A Petrobras aprovou a retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III, em Três Lagoas (MS), paralisada desde 2015.
Imagem: Divulgação
A Petrobras decidiu dar um passo estratégico ao confirmar que Petrobras vai retomar obras de unidade de fertilizantes no Mato Grosso do Sul, reativando um projeto que estava parado desde 2015 e que agora ganha novo fôlego dentro do plano de expansão da estatal. A decisão foi tomada pelo Conselho de Administração na última segunda-feira (13) e reforça o reposicionamento da companhia no setor de fertilizantes, considerado essencial para o agronegócio brasileiro.
Leia também:
A decisão envolve a retomada da construção da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III), localizada em Três Lagoas. O empreendimento havia sido interrompido há quase uma década, em meio a um período de desinvestimentos da Petrobras em segmentos fora do core de petróleo e gás.
Agora, o projeto volta ao radar com previsão de retomada ainda no primeiro semestre de 2026. A expectativa da companhia é que a unidade entre em operação comercial em 2029, marcando um novo ciclo de atuação no mercado de fertilizantes.
A inclusão da obra no Plano de Negócios 2026–2030, aprovado anteriormente, já indicava essa mudança de estratégia. No entanto, a decisão recente consolida o avanço prático do projeto.
Investimento bilionário e retomada estratégica
Para concluir a UFN-III, a Petrobras estima um investimento de aproximadamente US$ 1 bilhão. O aporte reforça a aposta da estatal na produção nacional de insumos agrícolas, em um momento em que o Brasil ainda depende fortemente de importações para atender sua demanda interna.
A retomada da unidade faz parte de um movimento mais amplo iniciado em 2023, quando a empresa decidiu voltar ao segmento de fertilizantes. A estratégia busca reduzir vulnerabilidades externas e aproveitar o potencial do mercado doméstico, especialmente diante da relevância do agronegócio para a economia brasileira.
Capacidade produtiva e impacto na oferta
Quando estiver em operação, a unidade terá capacidade para produzir:
- cerca de 3.600 toneladas por dia de ureia
- aproximadamente 2.200 toneladas por dia de amônia
Desse total, cerca de 180 toneladas diárias de amônia serão excedentes e poderão ser destinadas à comercialização.
A ureia é atualmente o fertilizante nitrogenado mais consumido no Brasil, com demanda anual estimada em cerca de 8 milhões de toneladas. Já a amônia é insumo essencial tanto para fertilizantes quanto para a indústria petroquímica.
Distribuição e foco no agronegócio
A produção da UFN-III será direcionada majoritariamente para estados com forte presença agropecuária:
- Mato Grosso
- Mato Grosso do Sul
- Goiás
- Paraná
- São Paulo
Essas regiões concentram culturas estratégicas como milho, soja, cana-de-açúcar, café, trigo e algodão — todas altamente dependentes de fertilizantes nitrogenados.
Além disso, a ureia também possui aplicação como suplemento alimentar para ruminantes, ampliando sua relevância no setor pecuário.
Por que a Petrobras está retomando o projeto
A decisão de que a Petrobras vai retomar obras de unidade de fertilizantes no Mato Grosso do Sul está diretamente ligada a fatores estratégicos e econômicos. Entre os principais motivos estão:
- Alta dependência de importações: o Brasil importa grande parte dos fertilizantes que consome
- Segurança alimentar: garantir produção interna reduz riscos de abastecimento
- Volatilidade global: crises internacionais impactam preços e oferta de insumos
- Diversificação de negócios: a Petrobras busca ampliar suas frentes de atuação
Esse movimento também reflete uma mudança de visão em relação ao papel da estatal, que volta a investir em áreas consideradas estratégicas para o desenvolvimento econômico do país.