Payroll dos EUA aponta perda de 92 mil vagas e desemprego sobe a 4,4%

Resultado frustra projeções do mercado e reforça sinais de desaceleração no mercado de trabalho americano

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06 de mar, 2026 às 12:30
Bandeira dos EUA com nota de 100 dólares rasgada, simbolizando impacto econômico após payroll negativo e perda de 92 mil empregos. Foto: Envato Elements

A economia dos Estados Unidos perdeu 92 mil postos de trabalho em fevereiro, segundo dados divulgados nesta sexta-feira pelo relatório oficial de emprego conhecido como payroll.

O resultado veio abaixo das expectativas do mercado e mostrou uma desaceleração no mercado de trabalho, com a taxa de desemprego subindo para 4,4% no período.

Economistas consultados antes da divulgação esperavam a criação de cerca de 59 mil vagas, após um resultado de janeiro inicialmente positivo.

No entanto, o número de empregos do mês anterior também foi revisado para baixo, passando de cerca de 130 mil para 126 mil novas vagas.

O relatório é considerado um dos indicadores mais importantes para medir o ritmo da economia americana e costuma influenciar decisões de política monetária e expectativas do mercado financeiro.

Greve e clima ajudaram a pressionar o resultado

Segundo analistas, parte da queda nas vagas em fevereiro pode ser explicada por fatores pontuais. Entre eles estão a greve de cerca de 31 mil trabalhadores do setor de saúde, ligada à empresa Kaiser Permanente, e as condições climáticas severas registradas em várias regiões do país durante o inverno.

Esses fatores temporários afetaram especialmente setores ligados a serviços e atividades presenciais. Além disso, economistas apontam que o forte resultado registrado em janeiro pode ter distorcido a comparação mensal.

As estimativas do mercado variavam bastante antes da divulgação, indo desde perda de 9 mil vagas até criação de 125 mil empregos, o que indicava incerteza sobre o ritmo da atividade econômica.

Mercado de trabalho dá sinais de estabilidade

Mesmo com o resultado negativo em fevereiro, especialistas afirmam que o mercado de trabalho dos Estados Unidos continua relativamente sólido quando analisado em uma perspectiva histórica.

A taxa de desemprego de 4,4% ainda é considerada baixa para os padrões de longo prazo da economia americana. Muitos economistas avaliam que o cenário só geraria maior preocupação caso o indicador ultrapasse 4,5% de forma consistente.

Ainda assim, o relatório reforça a percepção de que o mercado de trabalho está entrando em um período de maior estabilidade após anos de crescimento forte.

Impacto na política monetária do Federal Reserve

Os dados do payroll também são acompanhados de perto pelo Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, responsável por definir a política de juros do país.

Com sinais mistos na economia, incluindo desaceleração no emprego e pressões inflacionárias ligadas a fatores externos, o mercado avalia que o Fed deve adotar cautela nas próximas decisões.

A próxima reunião de política monetária do banco central americano está marcada para 17 e 18 de março, e a expectativa predominante entre analistas é de manutenção da taxa de juros na faixa entre 3,50% e 3,75%.

Além do cenário doméstico, o banco central também monitora riscos externos, como tensões geopolíticas e mudanças na política comercial dos Estados Unidos, fatores que podem influenciar a inflação e o crescimento econômico nos próximos meses.

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Carolina Gandra

Jornalista do portal Melhor Investimento, especializada em criptomoedas, ações, tecnologia, mercado internacional e tendências financeiras. Transforma temas complexos como blockchain, inteligência artificial e estratégias de mercado em conteúdos acessíveis e envolventes. Com análises atuais e visão estratégica, ajuda leitores a decifrar o futuro dos investimentos e identificar oportunidades no mercado financeiro.