Payroll dos EUA surpreende, mas revisões e dados fracos mantêm cautela no mercado

EUA cria 130 mil vagas em janeiro, supera estimativas e reduz probabilidade de corte de juros pelo Fed.

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Última atualização:  11 de fev, 2026 às 17:37
emprego eua payroll Foto: Getty Images

O Payroll dos Estados Unidos surpreendeu positivamente o mercado ao registrar a criação de 130 mil postos de trabalho em janeiro, número bem acima das projeções dos analistas, que estimavam cerca de 70 mil novas vagas. A taxa de desemprego também veio abaixo do esperado, em 4,3%, reforçando a percepção de resiliência do mercado de trabalho americano.

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Apesar do dado mais forte no headline, o relatório trouxe pontos de atenção. Houve uma revisão da série histórica que eliminou 898 mil postos de trabalho contabilizados ao longo de 2025. Além disso, indicadores antecedentes divulgados na semana passada, como o JOLTS e os pedidos de seguro-desemprego, apresentaram desempenho mais fraco do que o previsto.

De acordo com Sara Paixão, analista de macroeconomia da InvestSmart, o resultado reforça a leitura de um mercado de trabalho ainda aquecido, mas que precisa ser analisado com cautela diante das revisões e dos dados mistos.

“O payroll veio acima do esperado e mostra que o mercado de trabalho dos Estados Unidos segue resiliente, mesmo em um ambiente de política monetária restritiva. No entanto, as revisões expressivas da série e os dados mais fracos do JOLTS e do seguro-desemprego indicam que o cenário não é tão homogêneo quanto o número principal sugere”, afirma.

Segundo a analista, a reação imediata do mercado foi de ajuste nas expectativas para a política monetária.

“Os juros futuros, especialmente os de dois anos, avançaram após a divulgação. A leitura é de que, se o mercado de trabalho continuar mostrando força, o Federal Reserve pode ser obrigado a manter uma postura mais rígida por mais tempo, o que compromete parte dos cortes de juros que estavam precificados para este ano”, explica.

Com o novo cenário, as apostas para um corte de juros na reunião de junho diminuíram. A probabilidade, que era de 58% no dia anterior à divulgação, recuou para cerca de 50% após o relatório.

O foco agora se volta para os próximos indicadores de inflação e atividade.

“O Fed está claramente dependente de dados. Se o mercado de trabalho seguir sólido e a inflação não desacelerar de forma consistente, o espaço para cortes pode ficar ainda mais restrito”, conclui.

Pedro Gomes

Jornalista formado pela UniCarioca, com experiência em esportes, mercado imobiliário e edtechs. Desde 2023, integra a equipe do Melhor Investimento.