MG propõe multa para quem levar bebê reborn ao SUS e investe em saúde mental
Deputado estadual quer impedir o uso do sistema público de saúde para atender bonecos hiper-realistas
MG propõe multa para quem levar bebê reborn ao SUS e investe em saúde mental
Um projeto de lei apresentado na Assembleia Legislativa de Minas Gerais pretende proibir que bonecos hiper-realistas, conhecidos como bebê reborn, sejam levados para atendimento em unidades do Sistema Único de Saúde (SUS). A proposta, de autoria do deputado estadual Cristiano Caporezzo (PL), estipula multa de até dez vezes o valor do serviço médico prestado a quem tentar obter atendimento para os bonecos nas redes públicas do estado.
A justificativa, segundo o parlamentar, é conter o que chamou de “distopia generalizada” e preservar o bom funcionamento do sistema público de saúde. O projeto foi protocolado na primeira semana de maio de 2025 e segue para análise nas comissões da Assembleia.
Leia tambén: Quem é o maior influenciador digital do Brasil?
Proibição de atendimento a bebê reborn no SUS divide opiniões
A proposta surgiu após um episódio envolvendo uma mulher que teria buscado atendimento médico alegando que seu bebê reborn apresentava febre. O caso, segundo Caporezzo, exemplifica uma situação-limite em que o vínculo emocional com um boneco hiper-realista ultrapassa a realidade, gerando impactos no uso de recursos públicos essenciais.
Caso aprovado, o projeto prevê que os valores arrecadados com as multas sejam destinados ao tratamento de pessoas com transtornos mentais no próprio sistema de saúde estadual. O texto também destaca a necessidade de evitar sobrecargas em unidades que já operam no limite da capacidade, especialmente em regiões carentes de atendimento médico.
Cresce debate legislativo sobre uso terapêutico e simbólico dos bonecos reborn
Enquanto Minas Gerais discute a proibição do atendimento médico a bonecos reborn, outros estados e municípios brasileiros têm adotado abordagens diferentes para lidar com o tema. No Rio de Janeiro, por exemplo, a Assembleia Legislativa (Alerj) analisa um projeto que segue na direção oposta: criar um programa estadual de saúde mental voltado a pessoas que desenvolvem laços emocionais com os bonecos reborn.
De autoria do deputado Rodrigo Amorim (União), a proposta prevê apoio psicológico e acompanhamento terapêutico multidisciplinar, com foco em casos onde o vínculo emocional com o boneco pode estar relacionado a traumas, luto ou transtornos como depressão e isolamento social. O texto também reconhece que, em determinadas situações, o uso dos bebês reborn pode ter função terapêutica — especialmente no contexto de perdas perinatais.
Essa diversidade de propostas evidencia o debate ainda incipiente, mas crescente, sobre o impacto emocional e social que os bebês reborn vêm provocando no Brasil. Segundo especialistas, embora os bonecos possam ter funções terapêuticas, o uso excessivo ou desvinculado de acompanhamento profissional pode acarretar riscos emocionais significativos.
Rio de Janeiro aprova homenagem às artesãs dos bonecos reborn
Na capital fluminense, a abordagem foi mais simbólica. A Câmara Municipal do Rio de Janeiro aprovou a criação do “Dia da Cegonha Reborn”, a ser comemorado anualmente em 4 de setembro. O projeto é de autoria do vereador Vitor Hugo (MDB) e aguarda sanção do prefeito Eduardo Paes.
A homenagem é voltada às artesãs conhecidas como “cegonhas”, que produzem os bebês reborn com minúcia artística: os bonecos são confeccionados manualmente com detalhes que simulam veias, manchas de pele, cabelos implantados fio a fio e peso semelhante ao de um recém-nascido. O nome “reborn”, do inglês “renascido”, faz referência ao processo de criação dos bonecos, que costuma durar semanas.
Esse reconhecimento também revela o aspecto artesanal e comercial por trás dos reborns, que movimentam um nicho crescente no mercado de arte, colecionismo e também nas redes sociais.
O que é bebê reborn e por que tem causado tanta repercussão?
O bebê reborn é um boneco artístico desenvolvido com o objetivo de se parecer o máximo possível com um bebê de verdade. Produzido manualmente, ele pode ser usado por colecionadores, artistas, terapeutas ou pessoas que criam laços afetivos com o objeto. A estética hiper-realista já chamou a atenção de celebridades como Britney Spears, Gracyanne Barbosa e o padre Fábio de Melo, que compartilharam nas redes sociais suas experiências com os bonecos.
No entanto, o fenômeno tem levantado discussões nas redes e no meio clínico, especialmente quando surgem vídeos em que os reborns são protagonistas de simulações de parto, amamentação e outros cuidados típicos da maternidade. Para alguns profissionais da saúde mental, a prática pode indicar processos de luto mal resolvidos ou sintomas de desequilíbrios emocionais que exigem acompanhamento especializado.
No Brasil, com a crescente exposição do tema na mídia e nas redes sociais, é provável que novas legislações e programas de saúde mental surjam para lidar com os impactos psicológicos e sociais provocados pela popularização dos bebês reborn.