Mercado vê chance de 50% para terceiro corte de juros nos EUA após queda da inflação

O mercado passou a precificar 50% de probabilidade de um terceiro corte de juros nos Estados Unidos em 2026 após a inflação de janeiro subir apenas 0,2%, abaixo das expectativas mais pessimistas.

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13 de fev, 2026 às 17:00
A imagem mostra em ângulo o selo oficial em relevo do Board of Governors of the Federal Reserve System (Banco Central dos Estados Unidos), fixado em uma superfície de vidro azulado.

O mercado financeiro passou a precificar uma mudança relevante na trajetória da política monetária americana. O mercado vê chance de 50% para terceiro corte de juros nos EUA após queda da inflação, segundo a leitura mais recente dos contratos futuros, após os dados de preços ao consumidor de janeiro surpreenderem positivamente. O movimento ocorreu nesta sexta-feira, em Nova York, e provocou forte reação nos títulos do Tesouro americano.

A nova precificação ganhou força depois que o índice de preços ao consumidor (CPI) mostrou desaceleração no início do ano, reforçando apostas de que o Federal Reserve poderá adotar uma postura mais flexível ao longo de 2026. O cenário também coincide com a possível mudança no comando da autoridade monetária, com a indicação de Kevin Warsh por Donald Trump.

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O ponto central é claro: investidores agora atribuem cerca de 50% de probabilidade a um terceiro corte de 0,25 ponto percentual até dezembro de 2026. Após a divulgação do CPI, os contratos passaram a embutir aproximadamente 63 pontos-base de flexibilização monetária no período.

O que aconteceu? A inflação veio mais branda.
Quando? Dados referentes a janeiro, divulgados nesta sexta-feira.
Onde? Estados Unidos, com impacto direto em Nova York e nos mercados globais.
Como? Por meio da reprecificação dos contratos futuros de juros.
Por quê? Porque uma inflação mais fraca reduz a necessidade de política restritiva.

Esse ajuste nas expectativas é relevante porque influencia câmbio, bolsas, commodities e mercados emergentes. Em um ambiente global ainda sensível a juros americanos, qualquer sinal de flexibilização tem efeito imediato sobre fluxos de capital.

Inflação mais fraca sustenta expectativa de corte de juros nos EUA

O índice cheio de preços ao consumidor subiu 0,2% em janeiro, o menor avanço desde julho. Já o núcleo do CPI, que exclui alimentos e energia, avançou em linha com as projeções.

Embora o resultado não tenha sido dramaticamente abaixo das estimativas, o detalhamento da leitura foi considerado encorajador. A desaceleração reforça a percepção de que as pressões inflacionárias seguem perdendo intensidade.

Para investidores, a combinação entre inflação moderada e mercado de trabalho estável cria espaço para cortes graduais. Nos últimos meses, bancos de Wall Street vinham adiando suas projeções de flexibilização. Agora, parte dessas apostas retorna ao radar.

Treasuries reagem com queda nos rendimentos

A reação mais imediata ocorreu no mercado de renda fixa. Os títulos do Tesouro americano subiram, derrubando os rendimentos:

  • A taxa da nota de dois anos caiu para cerca de 3,4%, o menor nível desde outubro.
  • O rendimento do título de 10 anos recuou de 4,25% no início da semana para abaixo de 4,05%.

Além da leitura da inflação, o movimento foi reforçado por busca por proteção após a volatilidade nas bolsas. O S&P 500 registrou sua pior semana desde novembro, pressionado principalmente pelo setor de tecnologia.

Esse ambiente de aversão ao risco favoreceu ativos considerados mais seguros, como os Treasuries.

Cronograma provável para os cortes

O mercado agora projeta o próximo corte de 0,25 ponto percentual para julho, com chance relevante de flexibilização já em junho. A leitura predominante é que o Federal Reserve poderá reduzir juros mais de duas vezes em 2026, caso o cenário inflacionário continue benigno.

Vale lembrar que o banco central americano cortou juros três vezes no fim de 2025, diante de sinais de enfraquecimento do mercado de trabalho, e manteve a taxa estável na reunião mais recente.

Ainda assim, o consenso dentro do Fed não é uniforme. Alguns dirigentes consideram que a inflação permanece acima da meta e defendem cautela.

Contexto político e expectativas para a gestão Warsh

A discussão sobre cortes também ganha contornos políticos. O período projetado para flexibilização coincide com a provável posse de Kevin Warsh na presidência do Fed.

Warsh é visto como defensor de juros mais baixos para estimular a atividade econômica. Essa percepção ajuda a explicar por que parte do mercado já embute um cenário mais acomodatício no médio prazo.

No entanto, analistas alertam que a autoridade monetária mantém independência formal. Assim, qualquer decisão continuará condicionada aos dados econômicos — especialmente inflação e mercado de trabalho.

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