Juros do MCMV não devem cair; governo projeta 1,5 milhão de unidades em 2027

O governo federal não pretende reduzir os juros do Minha Casa, Minha Vida, mesmo com a expectativa de queda da Selic.

imagem do autor
10 de fev, 2026 às 06:30
otografia em close-up de miniaturas de casas de diferentes estilos sobre uma mesa, cercadas por moedas e chaves de metal, simbolizando o mercado imobiliário e financiamento habitacional. Imagem: Bigc Studio / Canva Pro

Os juros do Minha Casa, Minha Vida não devem sofrer novos cortes, mesmo diante da expectativa de redução da taxa Selic ao longo de 2026. A avaliação é do ministro das Cidades, Jader Filho, que afirmou que as taxas atuais do programa já se encontram no menor nível da história e são suficientes para atender à demanda habitacional da população de baixa renda.

A declaração foi feita nesta semana, durante evento realizado na sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no Rio de Janeiro. Segundo o ministro, o governo federal não trabalha com a possibilidade de redução adicional dos juros do Minha Casa, Minha Vida, pois os resultados obtidos até agora indicam que o modelo atual é sustentável e eficaz.

Leia também:

De acordo com Jader Filho, apesar de a taxa Selic estar em 15% — o maior patamar registrado em quase duas décadas —, os juros do Minha Casa, Minha Vida seguem dissociados da política monetária tradicional. Isso ocorre porque o programa utiliza fontes específicas de financiamento, como o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), o que permite condições mais acessíveis para os beneficiários.

Na Faixa 1 do programa, destinada a famílias com renda mensal de até R$ 2.850, os juros do Minha Casa, Minha Vida são de 4% ao ano nas regiões Norte e Nordeste e de 4,25% ao ano nas demais regiões do país. Segundo o ministro, esses percentuais representam o menor nível já praticado desde a criação do programa habitacional.

Para o governo, a manutenção dessas taxas é fundamental para garantir previsibilidade ao setor da construção civil e segurança às famílias que dependem do financiamento para adquirir a casa própria.

Por que o governo descarta novos cortes nos juros

O ministro explicou que a decisão de não reduzir ainda mais os juros do Minha Casa, Minha Vida está diretamente ligada ao equilíbrio financeiro do programa. Segundo ele, a taxa atual já garante subsídio significativo às famílias de baixa renda sem comprometer a sustentabilidade dos recursos do FGTS.

Além disso, o governo avalia que a política de juros baixos tem sido suficiente para estimular a contratação de financiamentos habitacionais, mesmo em um ambiente de juros elevados na economia como um todo. A estratégia, portanto, é manter as condições atuais e ampliar o volume de contratações por meio do aumento da oferta de moradias.

Projeção de contratos até 2026

Segundo Jader Filho, a expectativa do governo federal é encerrar o ano de 2026 com cerca de 3 milhões de contratos assinados no âmbito do Minha Casa, Minha Vida. O número inclui financiamentos realizados com recursos do FGTS e outras modalidades de apoio habitacional.

O ministro afirmou que o ritmo atual de contratações indica que a meta é factível, especialmente diante da retomada de investimentos no setor imobiliário e da ampliação de parcerias com estados e municípios. O desempenho do programa também tem impacto direto na geração de empregos e no crescimento da economia.

Governo projeta 1,5 milhão de unidades em 2027

O ministro das Cidades também apresentou projeções para o período pós-2026. Em um cenário de continuidade das políticas atuais, o governo estima a contratação de 1,5 milhão de unidades habitacionais em 2027.

Segundo ele, a expansão dependerá da manutenção do modelo vigente e do ambiente político após as eleições presidenciais. Ainda assim, a avaliação interna é de que o Minha Casa, Minha Vida tem capacidade operacional e financeira para seguir crescendo nos próximos anos.

Volume financeiro e uso de recursos do FGTS

Dados oficiais mostram que, entre o início de 2023 e dezembro de 2025, foram contratadas 1,63 milhão de moradias utilizando recursos do FGTS. O volume financeiro dessas operações soma R$ 259,6 bilhões, o que reforça a relevância do programa para o setor habitacional e para a economia brasileira.

O uso do FGTS permite manter os juros do Minha Casa, Minha Vida abaixo das taxas praticadas no mercado tradicional, garantindo acesso ao crédito para famílias que dificilmente conseguiriam financiamento em outras condições.

Gostou deste conteúdo? Siga o Melhor Investimento nas redes sociais: 

Instagram | Facebook