Milei acusa Lula de promover campanha contra a Argentina

O presidente argentino afirma que governo brasileiro conduz ofensiva contra seu país, enquanto Itamaraty reage às declarações feitas por Milei contra Lula e o STF durante evento político em São Paulo.

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26 de jul, 2026 às 22:40
Foto do presidente da Argentina Javier Milei. Imagem: Reprodução via Bloomberg.

O presidente da Argentina, Javier Milei, afirmou neste domingo (26) que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera uma campanha “anti-Argentina”. A declaração foi feita após o governo brasileiro adotar medidas diplomáticas em resposta às críticas feitas pelo argentino durante a convenção do PL, em São Paulo, que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República.

Como reação às falas de Milei, o Ministério das Relações Exteriores convocou o embaixador da Argentina no Brasil, Guillermo Daniel Raimondi, para prestar esclarecimentos. Paralelamente, o governo brasileiro também determinou o retorno do embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli, para consultas, procedimento utilizado na diplomacia para demonstrar insatisfação diante da postura de outro país.

Segundo fontes do Itamaraty, as declarações do presidente argentino foram interpretadas como uma ofensa não apenas ao presidente Lula, mas também às instituições brasileiras. Embora o ministério não tenha divulgado nota oficial, a avaliação interna é de que as manifestações extrapolaram os limites do protocolo diplomático.

Em resposta, Milei afirmou que o Brasil estaria promovendo uma campanha coordenada para desgastar a imagem da Argentina. De acordo com o presidente argentino, esse movimento teria se intensificado durante a Copa do Mundo de 2026, quando episódios de racismo envolvendo torcedores argentinos ganharam ampla repercussão no Brasil. Para ele, autoridades brasileiras e parte da imprensa teriam generalizado os casos e contribuído para uma imagem negativa do país.

O líder argentino tem defendido, nas últimas semanas, a existência de uma ofensiva política e ideológica contra seu governo, que classifica como parte de uma “batalha cultural” conduzida por setores da esquerda na América Latina.

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Ataques durante convenção

A crise diplomática ganhou força após Milei participar da convenção do PL, realizada em São Paulo. Durante o evento, o presidente argentino voltou a atacar Lula, chamando-o de “presidiário”, e dirigiu ofensas ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, a quem se referiu como “lixo careca”.

Nos bastidores da diplomacia brasileira, a avaliação é de que as declarações representam uma quebra relevante do protocolo entre chefes de Estado, sobretudo por terem sido feitas em um evento político realizado em território brasileiro.

Após o episódio, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, divulgou nota de repúdio, classificando a manifestação como uma referência desrespeitosa a um integrante da mais alta Corte do país. O Partido dos Trabalhadores (PT) também condenou as declarações do presidente argentino.

Os atritos entre Lula e Milei, no entanto, não são recentes. Desde que assumiu a Presidência da Argentina, o líder ultraliberal já fez diversas críticas públicas ao presidente brasileiro, utilizando expressões como “ladrão” em ocasiões anteriores, o que tem mantido a relação entre os dois governos em constante tensão.

Lucas Machado

Redator e psicólogo com quase 5 anos de experiência na produção de artigos e notícias sobre uma ampla gama de temas. Suas áreas de interesse e expertisse incluem previdência, seguros, direito sucessório e finanças, em geral. Atualmente, faz parte da equipe do Melhor Investimento, abordando uma variedade de tópicos relacionados ao mercado financeiro.