Investidor transformou experiência com psicodélicos em negócio bilionário

Christian Angermayer afirma que experiências com psilocibina inspiraram a criação da AtaiBeckley, adquirida pela Eli Lilly em um acordo bilionário.

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Última atualização:  26 de jul, 2026 às 21:25
Empresário dos Psicodélicos, Christian Angermayer Imagem: Reprodução via The Australian.

Uma experiência com cogumelos alucinógenos em uma ilha do Caribe mudou o rumo da vida do investidor alemão Christian Angermayer e deu origem a um dos maiores negócios recentes da indústria de medicamentos psicodélicos.

Hoje, aos 48 anos e com uma fortuna estimada em US$ 1,2 bilhão, Angermayer viu sua farmacêutica AtaiBeckley ser adquirida pela gigante Eli Lilly por US$ 2,8 bilhões, em um acordo que ainda pode render mais US$ 1 bilhão caso metas de desenvolvimento sejam atingidas.

Segundo o investidor, a origem de tudo remonta à Páscoa de 2014, quando decidiu experimentar psilocibina, composto presente nos chamados cogumelos mágicos.

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Experiência psicodélica

Antes da experiência, Angermayer buscou orientação de um professor especializado em psicofarmacologia para entender os possíveis efeitos da substância. Apesar do receio de sofrer consequências psicológicas permanentes, decidiu consumir os cogumelos.

Ele afirma que a experiência mudou sua forma de enxergar a vida, mas levou alguns anos para compreender seu significado. No fim de 2017, após uma segunda experiência com psicodélicos, decidiu investir no desenvolvimento de tratamentos para transtornos mentais baseados nessas substâncias.

“Sempre digo que preciso construir uma estátua enorme de cogumelo lá. Foi a experiência positiva mais importante da minha vida”, afirmou.

Encontro com bilionário deu início ao projeto

Logo após a segunda experiência, Angermayer viajou para Nova York para se reunir com o investidor Mike Novogratz.

Durante a conversa, compartilhou sua visão sobre o potencial terapêutico dos psicodélicos. No dia seguinte, Novogratz o colocou em contato com George Goldsmith e Ekaterina Malievskaia, empreendedores que buscavam financiamento para desenvolver medicamentos à base de psilocibina.

Da parceria nasceu a Compass Pathways, empresa dedicada ao desenvolvimento de tratamentos utilizando o composto ativo dos cogumelos alucinógenos.

No mesmo período, Angermayer também fundou a Atai, empresa voltada ao desenvolvimento de terapias baseadas em DMT e 5-MeO-DMT, substâncias estudadas para o tratamento de transtornos psiquiátricos.

Venda bilionária

O ciclo iniciado há mais de uma década culminou na compra da AtaiBeckley pela Eli Lilly. Além dos US$ 2,8 bilhões pagos inicialmente, o contrato prevê pagamentos adicionais de até US$ 1 bilhão, condicionados ao cumprimento de metas relacionadas ao desenvolvimento dos medicamentos.

Como detém cerca de 15% da companhia, Angermayer deverá receber aproximadamente US$ 360 milhões antes dos impostos.

Com a aquisição, a Eli Lilly passa a controlar o BPL-003, medicamento experimental administrado por spray nasal e desenvolvido a partir do 5-MeO-DMT. O produto está em desenvolvimento para o tratamento da depressão resistente e deverá iniciar os estudos de fase III em 2029.

“Se eu não tivesse tido aquela experiência em 29 de dezembro e não tivesse contado para o Mike, eu não teria nada disso hoje. Foi a faísca inicial”, disse o investidor.

Especialista vê avanço, mas faz alerta sobre terapias

A aquisição foi comemorada por parte do setor de psicodélicos. Para Rick Doblin, fundador da Associação Multidisciplinar de Estudos Psicodélicos (MAPS), a operação representa um marco para a indústria e reforça o interesse das grandes farmacêuticas no segmento.

Apesar disso, ele demonstrou preocupação com o fato de os tratamentos avançarem sem necessariamente estarem acompanhados de protocolos robustos de psicoterapia assistida.

Segundo Doblin, o desenvolvimento clínico dos psicodélicos deve considerar não apenas o medicamento, mas também o acompanhamento terapêutico dos pacientes.

Enquanto isso, Angermayer afirma continuar otimista com o futuro do setor e acredita que os psicodélicos ainda poderão transformar o tratamento de diversas doenças mentais nos próximos anos.

Com informações de Forbes.

Lucas Machado

Redator e psicólogo com quase 5 anos de experiência na produção de artigos e notícias sobre uma ampla gama de temas. Suas áreas de interesse e expertisse incluem previdência, seguros, direito sucessório e finanças, em geral. Atualmente, faz parte da equipe do Melhor Investimento, abordando uma variedade de tópicos relacionados ao mercado financeiro.