Keeta adia estreia no Rio e acirra disputa no mercado de delivery

A Keeta adiou sua estreia no Rio de Janeiro, inicialmente prevista para março, e atribuiu a decisão a contratos de exclusividade firmados por concorrentes com redes de restaurantes.

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Última atualização:  26 de fev, 2026 às 17:03
Mochila de transporte de alimentos da KeeTa acoplada a uma moto. O logotipo preto da marca aparece centralizado sobre o fundo amarelo vibrante, sugerindo serviço de delivery em operação. Foto: Reprodução/Instagram

A decisão de que a Keeta adia estreia no Rio marca um novo capítulo na disputa pelo mercado brasileiro de delivery. A plataforma chinesa, que pertence ao grupo Meituan, havia programado iniciar operações na capital fluminense em março, mas suspendeu o lançamento por tempo indeterminado.

O motivo, segundo a empresa, são contratos de exclusividade firmados entre restaurantes e concorrentes, o que estaria limitando a entrada de novos aplicativos. A medida impacta diretamente o plano de expansão nacional da companhia, que previa alcançar até 15 regiões metropolitanas até junho e mil cidades até o fim do ano.

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O que aconteceu e por que a Keeta adia estreia no Rio

A Keeta decidiu postergar sua operação no Rio de Janeiro após concluir que o cenário competitivo inviabilizaria uma estreia consistente.

De acordo com o CEO Tony Qiu, contratos de exclusividade impedem que parte relevante das redes de restaurantes atue simultaneamente em múltiplas plataformas. Sem oferta ampla de estabelecimentos, a empresa avalia que a experiência do consumidor ficaria prejudicada.

A companhia afirma que mais da metade das redes com mais de cinco unidades estaria vinculada a algum tipo de exclusividade.

Domínio do iFood e debate concorrencial

A crítica central envolve o iFood, que concentra cerca de 80% do mercado nacional de delivery.

Em 2023, o iFood firmou um acordo com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), comprometendo-se a não estabelecer contratos exclusivos com redes que possuam mais de 30 estabelecimentos.

Ainda assim, executivos da Keeta afirmam que práticas de exclusividade continuam ocorrendo de forma indireta, o que manteria parte do mercado “bloqueada”.

A disputa já chegou ao Cade. Em agosto, a empresa acionou a 99Food sob alegação de práticas anticoncorrenciais. O processo segue em análise.

Impacto no plano de expansão nacional

Quando a Keeta anunciou sua entrada no Brasil, durante evento em Pequim no ano passado, revelou um plano de investimento de US$ 1 bilhão entre 2025 e 2030.

A operação começou em outubro, com projeto piloto em Santos e São Vicente. Em dezembro, a plataforma passou a operar na capital paulista e em cidades da região metropolitana.

Com a decisão de que a Keeta adia estreia no Rio, o cronograma nacional também sofre ajustes. A meta de chegar rapidamente a 15 regiões metropolitanas pode ser revista.

Segundo a empresa, o objetivo é construir presença sustentável, evitando estratégia baseada apenas em subsídios agressivos e “queima de caixa”.

Debate sobre remuneração mínima por entrega

Outro ponto que envolve o setor é a proposta em discussão na Câmara dos Deputados para estabelecer remuneração mínima de R$ 8,50 por entrega.

Embora o tema gere preocupação entre empresas do setor, Tony Qiu afirmou que esse não é o principal fator por trás da decisão de que a Keeta adia estreia no Rio. Segundo ele, o desafio é encontrar equilíbrio entre renda mais estável aos entregadores e manutenção de preços acessíveis aos consumidores.

A proposta ainda não foi implementada e segue em debate legislativo.

Estratégia de longo prazo no Brasil

Apesar do revés, a empresa reafirma que pretende manter sua atuação no país no horizonte de cinco anos.

Executivos da companhia destacam que a entrada no Brasil é estratégica, mas depende de condições competitivas consideradas equilibradas. A decisão de adiar o lançamento no Rio, segundo a empresa, busca evitar prejuízos à experiência do usuário e à reputação da marca.

O cenário agora coloca em evidência o modelo de concorrência no mercado brasileiro de delivery, setor que movimenta bilhões de reais por ano e concentra elevada participação em um único operador.

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