JBS (JBSS32) entrega 4T robusto, reforça caixa e faz ação saltar no exterior

A JBS (JBSS32) registrou forte alta nas ações após divulgar resultados consistentes no 4T25, com lucro de US$ 415 milhões e receita recorde.

imagem do autor
Última atualização:  26 de mar, 2026 às 15:02
Torre com letreiro da JBS Foto: Divulgação

A JBS (JBSS32) apresentou resultados sólidos no quarto trimestre de 2025, reforçando a tese de que diversificação e resiliência sustentam balanço e ação da companhia. Após a divulgação, os papéis negociados nos Estados Unidos registraram alta superior a 8%, refletindo a confiança do mercado na capacidade da empresa de atravessar um ambiente global desafiador.

O movimento ocorreu após a companhia reportar lucro líquido de US$ 415 milhões e receita recorde de US$ 23,06 bilhões no período. Além disso, a empresa anunciou o pagamento de dividendos de US$ 1 por ação, fortalecendo o retorno ao acionista. O desempenho foi divulgado junto aos resultados do 4T25 e analisado por grandes instituições financeiras, como Bradesco BBI, Itaú BBA e XP Investimentos.

Leia também:

JBS (JBSS32): diversificação e resiliência sustentam balanço em cenário global adverso

A leitura predominante entre analistas é que a diversificação geográfica e de proteínas foi determinante para o desempenho da JBS. Em um cenário marcado por desafios como spreads pressionados no segmento de aves nos Estados Unidos, oferta restrita de gado e incertezas sanitárias, a companhia conseguiu equilibrar resultados entre diferentes operações.

Segundo o Bradesco BBI, os números vieram em linha com as estimativas, evidenciando melhora operacional em diversas divisões. A receita consolidada atingiu US$ 23,1 bilhões, alta de 16% na comparação anual, impulsionada por crescimento em praticamente todas as unidades de negócio.

O Ebitda ajustado somou US$ 1,7 bilhão, com queda de 8% na base anual e margem de 7,3%. Apesar da retração, houve sinais positivos relevantes, como a recuperação sequencial da Seara e o avanço das operações de bovinos nos Estados Unidos.

Forte geração de caixa e disciplina financeira reforçam confiança

Outro ponto central do trimestre foi a forte geração de caixa. A JBS registrou fluxo de caixa livre de US$ 990 milhões no quarto trimestre, impulsionado principalmente pela liberação de capital de giro.

No consolidado de 2025, o fluxo de caixa livre ficou em US$ 400 milhões, impactado por consumo de capital de giro e investimentos robustos. O capex atingiu US$ 2,1 bilhões, alta de 42% em relação ao ano anterior, em linha com o plano estratégico da companhia.

Mesmo com esse nível elevado de investimentos, a alavancagem permaneceu controlada em 2,7 vezes, o que permitiu a aprovação de dividendos adicionais. O pagamento de US$ 1 por ação está previsto para junho de 2026, com retorno estimado próximo de 6%.

Diversificação vira vantagem competitiva

Na avaliação do Itaú BBA, a estratégia de diversificação — que já foi alvo de críticas no passado — agora se mostra um dos principais diferenciais da companhia.

A combinação entre diferentes proteínas (bovinos, aves e suínos) e atuação global permitiu à JBS mitigar impactos negativos específicos de determinados mercados. O desempenho acima do esperado em bovinos nos Estados Unidos e a resiliência das margens da Seara foram fatores decisivos para sustentar os resultados.

Além disso, a empresa conseguiu atravessar ruídos como o ciclo desfavorável do gado e impactos indiretos de episódios de gripe aviária, mantendo estabilidade operacional.

Valuation descontado sustenta visão positiva

Outro ponto destacado pelos analistas é o valuation ainda atrativo. De acordo com o Itaú BBA, a JBS negocia atualmente a múltiplos inferiores aos de empresas globais comparáveis.

O indicador EV/Ebitda está abaixo de 6 vezes, enquanto a média histórica do setor gira entre 7 e 8 vezes. Esse desconto ocorre mesmo considerando margens normalizadas, o que reforça a percepção de oportunidade.

Diante disso, o banco mantém recomendação de compra para os papéis negociados em Nova York, com preço-alvo de US$ 20 até o final de 2026.

Pontos positivos e desafios no radar

A XP Investimentos destacou diversos fatores positivos no trimestre, incluindo:

  • Desempenho acima do esperado da JBS Australia
  • Resultado sólido em suínos nos Estados Unidos
  • Margem positiva em bovinos, considerada surpresa
  • Geração de caixa superior às projeções

Por outro lado, alguns pontos de atenção permanecem:

  • Desempenho mais fraco em operações no Brasil
  • Pressões no ciclo do frango
  • Margens historicamente baixas no início do ano para carne bovina nos EUA

Além disso, o ambiente global ainda traz incertezas relevantes, como tensões geopolíticas, riscos sanitários e questões regulatórias.