Irã exige fim de cerco marítimo dos EUA para aceitar trégua

Negociações seguem travadas após apreensão de navios e novos incidentes na principal rota global de petróleo

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Última atualização:  22 de abr, 2026 às 16:22
Imagem do Estreito de Omuz Imagem: Reprodução via NeoFeed

O principal negociador do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou nesta quarta-feira (22) que um cessar-fogo completo só será possível caso os Estados Unidos encerrem o bloqueio naval imposto aos portos iranianos.

A declaração ocorre em meio à escalada de tensões no Estreito de Ormuz, uma das rotas mais estratégicas para o transporte global de energia.

Apreensão de navios intensifica crise

Poucas horas antes da fala, a Guarda Revolucionária Islâmica interceptou e apreendeu dois navios comerciais que navegavam pela região.

As embarcações — MSC Francesca, de bandeira do Panamá, e Esmeralda, registrada na Libéria — teriam sido abordadas sob a alegação de irregularidades na navegação, incluindo suposta manipulação de sistemas de localização. Autoridades iranianas também associaram um dos navios a Israel, ampliando o tom político do episódio.

Irã acusa violação da trégua

Segundo Ghalibaf, as restrições impostas por Washington representam uma “violação flagrante” do cessar-fogo anunciado anteriormente pelo presidente americano, Donald Trump.

Em publicação nas redes sociais, o negociador afirmou que a reabertura do Estreito de Ormuz é inviável enquanto persistirem ações consideradas hostis por Teerã, como o bloqueio naval e o que classificou como “beligerância indireta”.

Ele também destacou que pressões militares ou tentativas de intimidação não levarão o país a ceder nas negociações.

Entenda o contexto:

Mediação do Paquistão não avança

O impasse ocorre mesmo após a prorrogação da trégua por tempo indeterminado, medida anunciada por Trump a pedido do Paquistão, que atua como mediador nas negociações.

Uma rodada recente de conversas realizada em Islamabad terminou sem avanços concretos, evidenciando a dificuldade de alinhamento entre as partes, especialmente em temas sensíveis como segurança marítima e programa nuclear.

Ataques a navios elevam risco na região

Além da apreensão das embarcações, relatos da agência marítima britânica UKMTO e da Reuters indicam que ao menos três navios porta-contêineres foram alvo de disparos desde a madrugada desta quarta-feira. Um dos navios sofreu danos, mas não houve registro de vítimas.

Os incidentes reforçam o clima de instabilidade no Estreito de Ormuz, que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e é responsável por cerca de 20% do fluxo global de petróleo e gás.

Tráfego reduzido e controle iraniano

Desde o início do conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel, o fluxo de embarcações na região caiu significativamente.

Teerã mantém, há semanas, um bloqueio de fato na passagem, permitindo a travessia apenas de algumas embarcações, muitas vezes mediante pagamento de taxas informais.Ao mesmo tempo, o governo iraniano afirma que a rota permanece fechada para navios ligados diretamente aos Estados Unidos e a Israel.

A falta de avanço nas negociações e os episódios recentes aumentam a incerteza no cenário geopolítico e mantêm a pressão sobre os mercados internacionais de energia.

Com o Estreito de Ormuz sob risco, investidores seguem atentos à evolução das tratativas, já que qualquer interrupção mais severa no fluxo de petróleo pode gerar impactos diretos nos preços globais e na inflação.

Com informações de Veja.

Lucas Machado

Redator e psicólogo com quase 5 anos de experiência na produção de artigos e notícias sobre uma ampla gama de temas. Suas áreas de interesse e expertisse incluem previdência, seguros, direito sucessório e finanças, em geral. Atualmente, faz parte da equipe do Melhor Investimento, abordando uma variedade de tópicos relacionados ao mercado financeiro.