EUA e Irã discutem plano de cessar-fogo, segundo fontes envolvidas
Teerã rejeita reabertura imediata da rota estratégica enquanto negociações seguem sob pressão após ameaça de novos ataques por parte de Donald Trump
Cenário em Teerã após os ataques dos EUA e de Israel no início de março (Imagem: ATTA KENARE/AFP/Reprodução)
Os Estados Unidos e o Irã receberam um esboço de proposta para encerrar as hostilidades no conflito que já dura mais de cinco semanas no Oriente Médio. No entanto, Teerã rejeitou a reabertura imediata do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas energéticas do mundo, aumentando a tensão nas negociações.
Segundo informações de fontes envolvidas nas conversas, o plano prevê duas etapas principais: um cessar-fogo imediato seguido por um acordo mais amplo, que poderia ser concluído em um prazo entre 15 e 20 dias.
As negociações teriam envolvido o chefe do Exército do Paquistão, Asim Munir, que manteve contatos com o vice-presidente dos EUA, JD Vance, com o enviado especial Steve Witkoff e com o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi.
Apesar da proposta, autoridades iranianas afirmaram que o país não pretende reabrir o estreito como condição para um cessar-fogo temporário e não aceitará prazos enquanto avalia os termos apresentados.
Trump pressiona por acordo e ameaça novos ataques
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que espera um acordo até terça-feira (7). Em publicação na rede social Truth Social, ele ameaçou ampliar ataques contra infraestrutura energética e de transporte iraniana caso o estreito permaneça fechado.
Posteriormente, o republicano indicou um prazo mais específico para o avanço das negociações: até as 20h no horário da costa leste americana.
Enquanto as tratativas avançam, novos bombardeios foram registrados na região. A ofensiva iniciada por Estados Unidos e Israel contra o Irã já provocou milhares de mortes e ampliou os impactos econômicos globais, especialmente no mercado de energia.
Fique por dentro:
Estreito de Ormuz se torna ponto central da crise
Como resposta às ações militares, o Irã fechou na prática o Estreito de Ormuz, por onde circula aproximadamente um quinto do petróleo e do gás natural comercializados no mundo.
Além disso, forças iranianas realizaram ataques contra alvos israelenses, bases militares americanas e instalações energéticas em países do Golfo.
O assessor presidencial dos Emirados Árabes Unidos, Anwar Gargash, afirmou que qualquer acordo precisa garantir a livre navegação na região. Segundo ele, sem restrições ao programa nuclear iraniano e ao uso de mísseis e drones, a estabilidade regional continuará ameaçada.
Escalada militar amplia impactos humanitários
Ataques recentes também demonstraram a capacidade de reação do Irã, incluindo ofensivas contra instalações petroquímicas e contra um navio ligado a Israel no Kuwait, no Bahrein e nos Emirados Árabes Unidos.
A mídia estatal iraniana informou ainda a morte de Majid Khademi, chefe da inteligência da Guarda Revolucionária do Irã.
Segundo relatos, ataques conduzidos por Estados Unidos e Israel também atingiram membros da alta cúpula do regime iraniano, incluindo o líder supremo Ali Khamenei, posteriormente substituído por seu filho, Mojtaba Khamenei.
Em Israel, equipes de resgate retiraram dois corpos de um edifício residencial atingido por um míssil iraniano na cidade de Haifa.
De acordo com o grupo de direitos humanos HRANA, cerca de 3.540 pessoas morreram no Irã desde o início da guerra, incluindo pelo menos 244 crianças.
Com informações de CNN Brasil.