Investimento estrangeiro em ações brasileiras atinge US$ 3,75 bilhões em janeiro
O investimento estrangeiro em ações brasileiras atingiu US$ 3,752 bilhões em janeiro de 2026, mais que o dobro do registrado em janeiro de 2025.
Foto: Pixabay
O investimento estrangeiro em ações brasileiras registrou um crescimento expressivo em janeiro de 2026, atingindo US$ 3,752 bilhões, de acordo com dados divulgados pelo Banco Central do Brasil nesta terça-feira (24). Esse resultado representa mais que o dobro do saldo positivo registrado em janeiro de 2025, que foi de US$ 1,841 bilhão, mostrando que investidores estrangeiros estão confiando cada vez mais no mercado de capitais brasileiro.
O aumento no investimento estrangeiro reflete um cenário favorável, marcado por expectativas de estabilidade econômica e oportunidades de rentabilidade em ações e títulos de renda fixa no Brasil. O levantamento do Banco Central considera a entrada e saída de dólares no país e fornece uma visão detalhada sobre como os recursos internacionais estão sendo aplicados em diferentes setores do mercado financeiro nacional.
Renda fixa atrai ainda mais capital estrangeiro
Além das ações, os títulos de renda fixa negociados no Brasil também tiveram forte atração de investidores internacionais, com um saldo positivo de US$ 6,939 bilhões em janeiro. Para comparação, no mesmo mês de 2025, o saldo havia sido negativo em US$ 2,370 bilhões, demonstrando uma inversão significativa na tendência de entrada de recursos estrangeiros.
O crescimento na renda fixa pode ser explicado pelo apetite dos investidores por segurança e previsibilidade em seus retornos, especialmente em um contexto global de incerteza econômica. Os títulos públicos e privados brasileiros continuam a oferecer taxas de retorno atrativas, o que aumenta o interesse estrangeiro.
Investimento Estrangeiro Direto também mostra crescimento
O Banco Central divulgou ainda que o Investimento Estrangeiro Direto (IED) líquido no Brasil atingiu US$ 8,2 bilhões em janeiro de 2026, representando um crescimento de 22% em relação aos US$ 6,7 bilhões de janeiro de 2025 e superando a expectativa dos analistas, que girava próximo de US$ 6,8 bilhões.
Considerando uma base móvel de 12 meses, o IED soma US$ 79,1 bilhões, ou 3,42% do PIB, destacando-se como um componente importante para compensar o déficit em conta corrente que vem aumentando nos últimos anos.
Segundo Mônica Araújo, estrategista de Renda Variável e Empresas da InvestSmart XP, “a expectativa é que o IED se mantenha relevante e crescente neste ano e nos próximos, dado que o Brasil apresenta oportunidades em setores estratégicos, como infraestrutura, mercado consumidor robusto e Terras Raras”.
Saída de capital em fundos de investimento
Apesar do desempenho positivo em ações e renda fixa, o investimento estrangeiro líquido em fundos de investimento no Brasil apresentou saldo negativo de US$ 1,824 bilhão em janeiro. Em 2025, esse valor havia sido negativo em apenas US$ 189 milhões.
Esse movimento indica que, embora investidores estejam confiando no mercado acionário e em títulos de renda fixa, há menor apetite para aplicações via fundos, que podem apresentar maior exposição e custos de gestão.
Déficit em lucros, dividendos e aumento das despesas com juros
O balanço de pagamentos do Brasil também registrou um déficit de US$ 4,654 bilhões na rubrica de lucros e dividendos enviados ao exterior em janeiro de 2026. No mesmo mês do ano passado, o déficit havia sido de US$ 3,986 bilhões, mostrando aumento na remessa de lucros das empresas brasileiras para investidores estrangeiros.
Além disso, as despesas com juros externos somaram US$ 3,661 bilhões, acima dos US$ 3,094 bilhões registrados em janeiro de 2025. Esses dados indicam que, mesmo com a entrada líquida de investimentos em ações e renda fixa, parte do capital estrangeiro retorna ao exterior na forma de lucros, dividendos e pagamentos de juros.
Por que o investimento estrangeiro em ações brasileiras cresceu
O crescimento do investimento estrangeiro em ações brasileiras pode ser atribuído a uma combinação de fatores:
- Estabilidade econômica interna: a política fiscal e monetária do país tem se mostrado consistente, atraindo investidores em busca de segurança.
- Rendimentos competitivos em renda fixa: títulos brasileiros continuam oferecendo retornos atrativos, incentivando aplicações diversificadas.
- Confiança no mercado acionário: setores estratégicos, como tecnologia, energia e consumo, apresentam oportunidades de valorização, atraindo capital internacional.
- Cenário global de juros baixos: investidores internacionais buscam mercados emergentes, como o Brasil, para obter maiores retornos.
Com esses fatores, o Brasil se mantém como um destino relevante para investidores estrangeiros, mostrando resiliência mesmo diante de volatilidades globais.
Este conteúdo foi útil? Siga o Melhor Investimento nas redes sociais: