Brasil trava no ranking de corrupção e mantém uma das piores notas da história
Brasil repete 35 pontos no Índice de Percepção da Corrupção e segue abaixo da média global, segundo a Transparência Internacional.
Foto: Gribiche (Rob Sinclair)/CC
O Brasil manteve em 2025 seu desempenho mais fraco no Índice de Percepção da Corrupção (IPC), permanecendo entre os países com piores avaliações no levantamento internacional.
O país registrou 35 pontos em uma escala que vai de 0 (mais corrupto) a 100 (mais íntegro), repetindo uma das menores notas já obtidas desde o início da série histórica.
Divulgado anualmente pela Transparência Internacional, o IPC é considerado o principal termômetro global sobre a percepção de corrupção no setor público. O estudo reúne dados de diversas fontes independentes e avalia o ambiente institucional de dezenas de países.
Brasil fica na metade inferior do ranking
Com a pontuação obtida, o Brasil aparece na 107ª posição entre as nações avaliadas. A variação em relação ao ano anterior foi considerada estatisticamente irrelevante, o que coloca o país em um grupo classificado como estagnado, sem avanço consistente no enfrentamento à corrupção.
Além de ficar abaixo da média global, o desempenho brasileiro também é inferior ao de outros países com nível de renda semelhante. Desde meados da última década, o Brasil não consegue recuperar o patamar observado nos primeiros anos da série, quando registrou suas melhores notas.
As piores pontuações do país foram registradas em 2024 (34 pontos), 2018 e 2019 (35 pontos), e em 2023 (36 pontos). Desde 2015, o Brasil esteve estagnado abaixo da média global dos países. – Transparência Internacional.
Pressões institucionais no Brasil
Entre os fatores de preocupação destacados no relatório estão o crescimento do volume de emendas parlamentares e a ampliação da influência do Legislativo sobre o orçamento público. A organização avalia que esse movimento pode comprometer mecanismos de transparência e controle, caso não haja fiscalização adequada.
Também foram mencionadas recomendações para fortalecer códigos de conduta e mecanismos de integridade em diferentes esferas do poder público, além da importância de investigações independentes em casos de suspeitas envolvendo recursos públicos.
Junto à atualização do IPC, a entidade apresentou o documento Retrospectiva 2025 , que alerta para o avanço do crime organizado nas estruturas governamentais do país. O relatório destaca episódios de corrupção sistêmica, exemplificados por irregularidades identificadas no Banco Master e no INSS .
De acordo com a organização, tais apurações revelaram vulnerabilidades críticas em dois pilares fundamentais:
- Sistema Financeiro: Brechas que facilitam a transferência de recursos ilícitos.
- Setor Jurídico (Advocacia): Falhas que permitem a instrumentalização do Direito para fins infratores.
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Avanços pontuais são reconhecidos
Apesar do cenário adverso, o relatório reconhece iniciativas positivas. Entre elas estão ações de órgãos de controle e do Ministério Público voltadas ao uso de inteligência financeira para combater crimes como lavagem de dinheiro e sonegação fiscal.
O documento também cita como avanço a ampliação do monitoramento sobre o uso de recursos públicos e a rejeição de propostas legislativas que poderiam enfraquecer instrumentos de fiscalização.
Mesmo com esses pontos favoráveis, o diagnóstico geral indica que o Brasil ainda não conseguiu estabelecer uma trajetória consistente de melhora no combate à corrupção, permanecendo abaixo da média global e distante das melhores posições do ranking.
Cenário global piora
O relatório mostra que a percepção de corrupção aumentou em diversas regiões do mundo. A média global do índice caiu para 42 pontos, o menor nível em mais de dez anos. A maioria dos países avaliados ficou abaixo de 50 pontos, o que indica problemas relevantes na integridade do setor público.
O levantamento da ONG mostra que, desde 2012, o cenário global apresentou trajetórias distintas nos indicadores analisados:
- 31 registraram melhora;
- 50 tiveram piora;
- 100 permaneceram estagnados.
O estudo também aponta que até democracias consolidadas registraram piora na percepção de corrupção, incluindo Estados Unidos, Canadá e países europeus como Reino Unido e França.
Onde está o Brasil entre as melhores e piores pontuações
| País | Posição no ranking | Pontos |
| Dinamarca | 1ª | 89 |
| Finlândia | 2ª | 88 |
| Singapura | 3ª | 84 |
| Nova Zelândia | 4ª | 81 |
| Noruega | 4ª | 81 |
| Suécia | 5ª | 80 |
| Suíça | 5ª | 80 |
| Brasil | 107ª | 35 |
| Eritrea | 180ª | 13 |
| Líbia | 180ª | 13 |
| Iêmen | 180ª | 13 |
| Venezuela | 181ª | 10 |
| Somália | 182ª | 9 |
| Sudão do Sul | 182ª | 9 |
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