Brasil trava no ranking de corrupção e mantém uma das piores notas da história

Brasil repete 35 pontos no Índice de Percepção da Corrupção e segue abaixo da média global, segundo a Transparência Internacional.

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Última atualização:  10 de fev, 2026 às 15:54
Foto do Congresso Nacional do Brasil, Brasília. Foto: Gribiche (Rob Sinclair)/CC

O Brasil manteve em 2025 seu desempenho mais fraco no Índice de Percepção da Corrupção (IPC), permanecendo entre os países com piores avaliações no levantamento internacional.

O país registrou 35 pontos em uma escala que vai de 0 (mais corrupto) a 100 (mais íntegro), repetindo uma das menores notas já obtidas desde o início da série histórica.

Divulgado anualmente pela Transparência Internacional, o IPC é considerado o principal termômetro global sobre a percepção de corrupção no setor público. O estudo reúne dados de diversas fontes independentes e avalia o ambiente institucional de dezenas de países.

Brasil fica na metade inferior do ranking

Com a pontuação obtida, o Brasil aparece na 107ª posição entre as nações avaliadas. A variação em relação ao ano anterior foi considerada estatisticamente irrelevante, o que coloca o país em um grupo classificado como estagnado, sem avanço consistente no enfrentamento à corrupção.

Além de ficar abaixo da média global, o desempenho brasileiro também é inferior ao de outros países com nível de renda semelhante. Desde meados da última década, o Brasil não consegue recuperar o patamar observado nos primeiros anos da série, quando registrou suas melhores notas.

 As piores pontuações do país foram registradas em 2024 (34 pontos), 2018 e 2019 (35 pontos), e em 2023 (36 pontos). Desde 2015, o Brasil esteve estagnado abaixo da média global dos países. – Transparência Internacional.

Pressões institucionais no Brasil

Entre os fatores de preocupação destacados no relatório estão o crescimento do volume de emendas parlamentares e a ampliação da influência do Legislativo sobre o orçamento público. A organização avalia que esse movimento pode comprometer mecanismos de transparência e controle, caso não haja fiscalização adequada.

Também foram mencionadas recomendações para fortalecer códigos de conduta e mecanismos de integridade em diferentes esferas do poder público, além da importância de investigações independentes em casos de suspeitas envolvendo recursos públicos.

Junto à atualização do IPC, a entidade apresentou o documento Retrospectiva 2025 , que alerta para o avanço do crime organizado nas estruturas governamentais do país. O relatório destaca episódios de corrupção sistêmica, exemplificados por irregularidades identificadas no Banco Master e no INSS .

De acordo com a organização, tais apurações revelaram vulnerabilidades críticas em dois pilares fundamentais:

  • Sistema Financeiro: Brechas que facilitam a transferência de recursos ilícitos.
  • Setor Jurídico (Advocacia): Falhas que permitem a instrumentalização do Direito para fins infratores.

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Avanços pontuais são reconhecidos

Apesar do cenário adverso, o relatório reconhece iniciativas positivas. Entre elas estão ações de órgãos de controle e do Ministério Público voltadas ao uso de inteligência financeira para combater crimes como lavagem de dinheiro e sonegação fiscal.

O documento também cita como avanço a ampliação do monitoramento sobre o uso de recursos públicos e a rejeição de propostas legislativas que poderiam enfraquecer instrumentos de fiscalização.

Mesmo com esses pontos favoráveis, o diagnóstico geral indica que o Brasil ainda não conseguiu estabelecer uma trajetória consistente de melhora no combate à corrupção, permanecendo abaixo da média global e distante das melhores posições do ranking.

Cenário global piora

O relatório mostra que a percepção de corrupção aumentou em diversas regiões do mundo. A média global do índice caiu para 42 pontos, o menor nível em mais de dez anos. A maioria dos países avaliados ficou abaixo de 50 pontos, o que indica problemas relevantes na integridade do setor público.

O levantamento da ONG mostra que, desde 2012, o cenário global apresentou trajetórias distintas nos indicadores analisados:

  • 31 registraram melhora;
  • 50 tiveram piora;
  • 100 permaneceram estagnados.

O estudo também aponta que até democracias consolidadas registraram piora na percepção de corrupção, incluindo Estados Unidos, Canadá e países europeus como Reino Unido e França.

Onde está o Brasil entre as melhores e piores pontuações

PaísPosição no rankingPontos
Dinamarca89
Finlândia88
Singapura84
Nova Zelândia81
Noruega4ª 81
Suécia80
Suíça5ª 80
Brasil107ª35
Eritrea180ª13
Líbia180ª 13
Iêmen180ª13
Venezuela181ª10
Somália182ª9
Sudão do Sul182ª9

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Lucas Machado

Redator e psicólogo com quase 5 anos de experiência na produção de artigos e notícias sobre uma ampla gama de temas. Suas áreas de interesse e expertisse incluem previdência, seguros, direito sucessório e finanças, em geral. Atualmente, faz parte da equipe do Melhor Investimento, abordando uma variedade de tópicos relacionados ao mercado financeiro.