IGP-M: 1ª prévia de março registra nova deflação de 0,19%

O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) registrou queda de 0,19% na primeira prévia de março, aprofundando o movimento deflacionário observado no mês anterior.

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Última atualização:  10 de mar, 2026 às 10:20
Bancada de feira com cestos de vime repletos de frutas, legumes e hortaliças variadas, representando a variação de preços de alimentos que compõe os índices de inflação. Foto: Divulgação

A inflação medida pelo Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), popularmente conhecido como a “inflação do aluguel”, apresentou uma variação de -0,19% na primeira leitura de março. O dado, divulgado nesta segunda-feira pela Fundação Getulio Vargas (FGV), sinaliza uma continuidade no alívio dos preços no atacado, após o índice ter fechado o mês de fevereiro com queda de 0,52%.

Este movimento é acompanhado de perto pelo mercado financeiro, pois o IGP-M serve como termômetro para diversos contratos da economia real e é composto por três subíndices que medem desde os custos da construção civil até os preços ao consumidor final.

O peso do IPA no resultado deflacionário

O principal responsável pela retração do índice geral foi o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que monitora os preços no atacado. Na primeira prévia de março, o IPA registrou queda de 0,38%, contra um recuo de 0,90% no mesmo período de fevereiro.

Dentro do IPA, destaca-se o comportamento das commodities e matérias-primas brutas. A desaceleração ou queda nos custos de insumos industriais e agrícolas retira a pressão sobre a cadeia produtiva, o que, eventualmente, pode se refletir em preços menores para o consumidor e em margens de lucro mais estáveis para empresas listadas na bolsa de valores que dependem dessas matérias-primas.

Inflação do aluguel e o setor imobiliário

Apesar de ser amplamente utilizado para o reajuste de contratos de locação, o IGP-M tem se distanciado de outros índices de inflação, como o IPCA (índice oficial do país). Enquanto o IPCA foca no consumo das famílias, o IGP-M é fortemente influenciado pelo dólar e pelo mercado internacional.

Para o investidor de fundos imobiliários (FIIs) e proprietários de imóveis, a deflação do IGP-M pode significar a ausência de reajustes positivos no valor do aluguel ou até a necessidade de negociações entre locadores e locatários. Por outro lado, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), que também integra o IGP-M, registrou leve alta de 0,22% nesta prévia, mostrando que os custos no canteiro de obras ainda enfrentam pressões residenciais de mão de obra e materiais específicos.

O que o investidor deve observar

O cenário de deflação no IGP-M traz alívio para o controle inflacionário, mas exige atenção estratégica na alocação de ativos. Títulos de renda fixa atrelados a este índice perdem rentabilidade nominal em períodos de queda. Assim, investidores que buscam proteção contra a inflação costumam diversificar entre papéis IPCA+ e ativos prefixados, a depender das projeções para a taxa Selic.

A dinâmica dos preços ao produtor sugere que a inflação de custos está sob controle no curto prazo, o que corrobora com um ambiente de estabilidade para determinados setores da economia. Contudo, é fundamental monitorar se essa queda no atacado chegará efetivamente ao Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que nesta prévia subiu 0,30%, impulsionado por itens como alimentação e transportes.

Perspectivas para o fechamento do mês

A primeira prévia de março compreende o período de coleta de dados entre os dias 21 e 29 do mês anterior. Os analistas agora aguardam as próximas leituras para consolidar a tendência do mês. Caso a deflação se confirme no fechamento de março, o IGP-M acumulará uma variação negativa relevante em 12 meses, consolidando-se como um fator de descompressão para os custos operacionais de empresas que possuem contratos de insumos ou aluguéis indexados a este indicador.

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