HAPV3: BBI corta recomendação de Hapvida para neutra e reduz preço-alvo

O Bradesco BBI rebaixou a recomendação da Hapvida (HAPV3) de compra para neutra e reduziu o preço-alvo da ação para R$ 14, citando fraco momento operacional, baixa visibilidade de lucros e valuation elevado.

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30 de abr, 2026 às 15:30
Uma imagem em estilo 3D de um ambiente de escritório moderno. Em primeiro plano, um smartphone apoiado em um suporte de mesa exibe o logotipo da Hapvida em uma tela azul escura com pontos de luz. Imagem gerada por IA

A ação da Hapvida (HAPV3) voltou ao radar do mercado após o Bradesco BBI rebaixar sua recomendação. No relatório de prévia do primeiro trimestre de 2026 (1T26), divulgado nesta semana, o banco cortou a indicação de compra para neutra e reduziu o preço-alvo de R$ 19 para R$ 14, citando um cenário de menor visibilidade de lucros e valuation elevado no curto prazo.

A revisão ocorre em um momento em que o setor de saúde apresenta recuperação gradual, mas ainda com diferenças relevantes entre operadoras e prestadores de serviços médicos. A decisão do BBI sinaliza uma mudança importante na percepção de risco-retorno da companhia.

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O principal ponto do relatório é o rebaixamento da Hapvida (HAPV3), que deixou de figurar entre as preferidas do banco. Além da mudança de recomendação, o corte no preço-alvo reforça uma visão mais cautelosa para o desempenho das ações até o fim de 2026.

Segundo os analistas, a decisão foi motivada por um conjunto de fatores que limita o potencial de valorização no curto prazo. Entre eles, estão a dificuldade de prever a trajetória de lucros e a percepção de que a ação negocia a múltiplos elevados em comparação com concorrentes do setor.

Motivos do downgrade da Hapvida

O Bradesco BBI destaca que a Hapvida (HAPV3) enfrenta um momento operacional ainda desafiador.

Entre os principais pontos:

  • Valuation elevado: a ação negocia a cerca de 20 vezes o lucro estimado para 2026
  • Fluxo de caixa pressionado: projeção negativa em torno de -3%
  • Baixa visibilidade de resultados: incertezas sobre a consistência da recuperação
  • Margens ainda comprimidas, apesar de sinais de melhora recente

Em comparação, empresas como a Rede D’Or (RDOR3) apresentam múltiplos mais baixos e melhor geração de caixa, o que aumenta sua atratividade relativa.

Perspectivas para a Hapvida no 1T26

Para o primeiro trimestre de 2026, a expectativa é de um desempenho misto da Hapvida (HAPV3).

Por um lado, a companhia deve mostrar:

  • Melhora sequencial na sinistralidade
  • Avanço gradual da margem EBITDA

Por outro, persistem fatores negativos relevantes:

  • Pressão na comparação anual dos resultados
  • Queima de caixa de cerca de R$ 65 milhões, ligada a um acordo com o vendedor da NotreDame Intermédica
  • Queda na base de beneficiários, com redução líquida de aproximadamente 70 mil vidas

Esse conjunto de indicadores reforça a leitura de que a recuperação ainda não está consolidada.

Preferências do BBI no setor de saúde

Enquanto a visão sobre a Hapvida (HAPV3) ficou mais cautelosa, o banco mantém uma postura otimista em relação a outras empresas do setor.

As principais recomendações de compra são:

  • Rede D’Or (RDOR3): deve apresentar crescimento consistente, com avanço das receitas hospitalares e melhora de margens. O lucro líquido pode subir cerca de 16% na comparação anual.
  • Mater Dei (MATD3): destaque para expansão do EBITDA, projetado em alta de aproximadamente 31%, impulsionado por maior ocupação e aumento do ticket médio.

Além disso, a DASA (DASA3) também aparece como um nome com perspectiva positiva, beneficiada pelo bom momento do segmento de diagnósticos no Brasil.

Expectativas para o setor no 1T26

De forma geral, o relatório aponta que o setor de saúde deve registrar um trimestre positivo, especialmente entre prestadores de serviços.

A expectativa inclui:

  • Crescimento de receitas
  • Expansão das margens operacionais
  • Melhora na eficiência em hospitais e empresas de diagnóstico

Essa tendência favorece companhias com maior exposição a serviços hospitalares, em detrimento das operadoras de planos de saúde, que ainda lidam com desafios estruturais.

Empresas com desempenho mais fraco

O relatório também traz previsões menos otimistas para alguns players:

  • Oncoclínicas (ONCO3): deve registrar queda de receita na comparação trimestral e pressão nas margens.
  • Qualicorp (QUAL3): tendência de redução de receitas e perda de beneficiários, com margens praticamente estáveis.

Leitura geral: um setor com dinâmicas diferentes

A análise do Bradesco BBI mostra que, embora o setor de saúde esteja em recuperação, há uma clara divisão entre os segmentos.

  • Operadoras, como a Hapvida (HAPV3), ainda passam por ajustes operacionais e financeiros
  • Hospitais e diagnósticos vivem um momento mais favorável, com crescimento e maior previsibilidade

Nesse contexto, o rebaixamento de HAPV3 reflete menos uma deterioração isolada e mais uma mudança na preferência dos analistas dentro do próprio setor.