Com R$ 4 bilhões em dívidas, Grupo Fictor pede recuperação judicial

Grupo Fictor pede recuperação judicial no TJ-SP após crise de liquidez relacionada ao caso Banco Master; dívidas somam cerca de R$ 4 bilhões.

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Última atualização:  02 de fev, 2026 às 10:11
fictor pede RJ Foto: Reprodução Fictor Invest

O Grupo Fictor protocolou neste domingo (1º) um pedido de recuperação judicial no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) para as empresas Fictor Holding e Fictor Invest, em meio a uma crise de liquidez atribuída aos desdobramentos do caso envolvendo o Banco Master.

Relembre o caso:

Segundo a companhia, a solicitação tem como objetivo reorganizar as operações e assegurar o pagamento integral dos compromissos financeiros, que somam aproximadamente R$ 4 bilhões. O grupo pediu à Justiça a concessão do prazo legal de 180 dias de suspensão de cobranças e execuções, período conhecido como stay period.

Em comunicado, a Fictor afirmou que pretende quitar suas dívidas sem deságio, utilizando o período de proteção judicial para negociar novas condições e prazos com credores, sem interromper as atividades operacionais.

Impacto do caso Banco Master na Fictor

A empresa relaciona a deterioração de sua liquidez ao episódio envolvendo o Banco Master, que teve a liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em novembro de 2025. Dias antes da decisão, um consórcio liderado por um dos sócios do grupo havia anunciado uma proposta para aquisição da instituição financeira.

Com a intervenção do BC, a operação foi suspensa, o que, segundo a Fictor, provocou forte impacto reputacional. A companhia afirma que a sequência de notícias negativas e especulações afetou diretamente a confiança do mercado e o acesso a recursos, pressionando o caixa do grupo.

Medidas adotadas antes do pedido

Ainda de acordo com a empresa, antes de recorrer à recuperação judicial, foi implementado um plano de reestruturação, que incluiu a redução da estrutura física e do quadro de funcionários. A Fictor afirma que a medida buscou preservar direitos trabalhistas e agilizar o pagamento das indenizações aos colaboradores desligados.

O grupo também destacou que, desde o início de suas operações, não havia registrado atrasos relevantes em suas obrigações financeiras, reforçando que a crise decorre de um evento pontual.

Subsidiárias ficam fora da recuperação

Fundado em 2007, o Grupo Fictor atua nos setores de indústria alimentícia, energia, infraestrutura e soluções de pagamento. No pedido apresentado à Justiça, a empresa informou que a recuperação judicial não inclui as subsidiárias, que devem manter suas rotinas operacionais, contratos e compromissos normalmente.

Segundo o grupo, a estratégia busca evitar que empresas consideradas economicamente viáveis sejam impactadas por restrições típicas do processo recuperacional.

Pedro Gomes

Jornalista formado pela UniCarioca, com experiência em esportes, mercado imobiliário e edtechs. Desde 2023, integra a equipe do Melhor Investimento.