Gestão de risco vai além da volatilidade, diz Camilo Marcantonio da Charles River Capital

Camilo Marcantonio afirmou que volatilidade não define risco e destacou a importância de margem de segurança, diversificação equilibrada e portfólio resiliente em anos eleitorais.

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Última atualização:  12 de mar, 2026 às 17:34
Painel de Camilo Marcantonio, CIO da Charles River Capital. Camilo Marcantonio, CIO da Charles River Capital à esq. e Paulo Mattos, CFO da Invest Smart à Dir. (Imagem: Melhor Investimento).

A gestão de risco em investimentos costuma ser associada à volatilidade dos preços no curto prazo. Para Camilo Marcantonio, CIO da Charles River Capital, essa leitura é incompleta — e, muitas vezes, equivocada.

Durante participação no Smart Summit 2026, em painel conduzido por Paulo Mattos, CFO da Invest Smart e ex-analista da própria Charles River, o gestor detalhou como sua casa interpreta risco, constrói portfólio e adapta a estratégia diante de ciclos políticos, especialmente em anos eleitorais.

A conversa mergulhou em um dos pilares da filosofia de investimento da gestora: a ideia de que o verdadeiro risco não está nas oscilações de preço, mas sim na possibilidade de destruição permanente de valor.

A partir desse conceito, Marcantonio explicou como a Charles River estrutura seu processo de análise, define margens de segurança e constrói um portfólio que busca resiliência mesmo em cenários políticos adversos.

Gestão de risco vai além da volatilidade

Camilo Marcantonio, afirmou que o conceito de risco adotado pela gestora difere da visão tradicional do mercado.

Segundo ele, a volatilidade dos preços não é o principal parâmetro para medir risco em investimentos. “Risco para nós não é volatilidade. Risco é a probabilidade de perda permanente de capital”, disse Marcantonio durante a conversa conduzida por Paulo Mattos, CFO da Invest Smart e ex-analista da própria Charles River.

Na avaliação do gestor, o verdadeiro risco ocorre quando um ativo é adquirido por um preço superior ao seu valor real. Assim, explicou, o desafio da gestão está em evitar erros na avaliação do valor intrínseco dos ativos.

Ele destacou que a análise de risco envolve estimar a probabilidade de a avaliação estar superestimada. “Quando pensamos em risco, estamos tentando medir a chance de estarmos errados ao avaliar o valor de um ativo”, afirmou.

Margem de segurança e diversificação controlada

Marcantonio explicou que a gestão de risco da gestora passa por três pilares principais: avaliação detalhada dos ativos, exigência de margem de segurança e diversificação.

Segundo ele, a margem de segurança precisa ser suficiente para compensar eventuais erros de avaliação. Idealmente, afirmou, ela deve ser superior ao risco estimado para o investimento.

O CIO também destacou que a diversificação é necessária, mas deve ser feita com equilíbrio. Na visão da Charles River, uma diversificação excessiva pode prejudicar o acompanhamento dos ativos da carteira.

Ele observou que, quando uma carteira possui muitos ativos, os últimos adicionados tendem a ter menor qualidade em relação aos principais investimentos. “Quando você diversifica demais, começa a colocar na carteira coisas que gosta menos do que as primeiras escolhas”, disse.

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Eleições tendem a provocar mudanças marginais no portfólio

Questionado sobre como anos eleitorais influenciam a estratégia de investimento, Marcantonio afirmou que a abordagem da gestora é focada em uma visão de longo prazo.

Segundo ele, os ativos são analisados com horizonte de “perpetuidade”, o que reduz o impacto de eventos políticos previsíveis, como eleições.

Ele explicou que a gestora revisa a avaliação de risco dos ativos diante de mudanças no cenário político, mas ressaltou que essas alterações costumam ser pontuais. “Se estivermos sendo muito afetados por um cenário eleitoral, provavelmente não analisamos o ativo adequadamente desde o início”, afirmou.

Exposição global ajuda a proteger carteira

Marcantonio destacou que o portfólio da Charles River tende a apresentar resiliência em períodos eleitorais devido à forte exposição a setores ligados à economia global.

Segundo ele, muitas empresas da carteira possuem receitas em moedas fortes, como dólar e euro, o que pode funcionar como proteção em cenários de instabilidade política no Brasil.

Em situações em que o mercado reage negativamente a um resultado eleitoral, explicou o gestor, a desvalorização do real costuma favorecer empresas exportadoras.

Ele citou setores como o agronegócio e bens de capital como exemplos de negócios que se beneficiam desse movimento cambial.

Entre as companhias mencionadas estão a SLC Agrícola e a BrasilAgro, além de empresas industriais com forte presença internacional.

Portfólio combina exportadoras e mercado doméstico

Além de empresas exportadoras, a carteira da gestora também inclui companhias voltadas ao mercado interno.

Marcantonio citou a presença da Dexco — antiga Duratex — ligada ao setor de materiais de construção.

O portfólio também possui exposição ao setor de aço e a instituições financeiras, embora essa participação tenha sido reduzida recentemente após forte valorização das ações.

Cenários eleitorais podem beneficiar diferentes setores

Na visão do gestor, o impacto das eleições sobre os investimentos depende do cenário político que emerge após o pleito.

Caso vença um candidato visto com desconfiança pelo mercado, explicou, a tendência costuma ser de desvalorização do real e valorização do dólar, beneficiando exportadoras e empresas ligadas a commodities.

Por outro lado, se o candidato preferido pelo mercado for eleito, a expectativa é de queda nos juros, o que tende a favorecer empresas mais expostas ao mercado interno e companhias mais alavancadas.

Para Marcantonio, construir uma carteira equilibrada entre esses cenários é fundamental para enfrentar ciclos políticos sem comprometer a estratégia de longo prazo.

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Lucas Machado

Redator e psicólogo com quase 5 anos de experiência na produção de artigos e notícias sobre uma ampla gama de temas. Suas áreas de interesse e expertisse incluem previdência, seguros, direito sucessório e finanças, em geral. Atualmente, faz parte da equipe do Melhor Investimento, abordando uma variedade de tópicos relacionados ao mercado financeiro.