Petrobras pode subir mais de 50%, diz XP após revisão de projeções
A corretora mantém recomendação de compra para as ações da estatal e aposta em preços mais elevados do petróleo nos próximos anos.
Imagem: Petrobras/Reprodução
A XP Investimentos revisou para cima suas projeções para a Petrobras (PETR4) e elevou o preço-alvo das ações preferenciais da companhia de R$ 47 para R$ 63. A nova estimativa representa um potencial de valorização de aproximadamente 54% em relação aos níveis atuais de mercado.
Além da atualização do preço-alvo, a instituição financeira manteve sua recomendação de compra para os papéis da estatal, sustentada por expectativas mais favoráveis para o mercado internacional de petróleo e pelos efeitos das medidas adotadas pelo governo federal para reduzir o impacto da alta dos combustíveis sobre os consumidores.
Subsídios aos combustíveis podem reforçar geração de caixa
Na avaliação da XP, os programas de subsídios implementados para diesel e gasolina podem gerar benefícios relevantes para a Petrobras ao longo de 2026. A corretora estima que as medidas tenham potencial para acrescentar cerca de US$ 7,5 bilhões ao fluxo de caixa livre destinado aos acionistas entre o segundo e o quarto trimestre do próximo ano.
Desse montante, a maior parte estaria associada ao diesel, enquanto a gasolina responderia por uma parcela menor do ganho projetado.
Segundo os analistas, embora a Petrobras tenha mantido certa estabilidade nos preços domésticos dos combustíveis, os mecanismos de compensação criados pelo governo funcionam, na prática, de forma semelhante a um reajuste indireto, permitindo que a companhia capture parte dos benefícios decorrentes da valorização internacional do petróleo.
XP revisa projeções para o petróleo
Outro fator que contribuiu para a revisão das estimativas foi a mudança nas expectativas para os preços do petróleo Brent.
A XP passou a trabalhar com uma média de US$ 86 por barril em 2026, acima das projeções utilizadas anteriormente para o longo prazo. As novas premissas também consideram preços de US$ 75 por barril em 2027 e US$ 70 a partir de 2028.
A instituição acredita que os riscos geopolíticos continuam sustentando um prêmio adicional sobre a commodity, especialmente diante das incertezas envolvendo importantes rotas globais de exportação de petróleo.
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Fluxo de caixa pode superar US$ 17 bilhões
Com as novas projeções, a XP estima que a Petrobras possa gerar aproximadamente US$ 17,7 bilhões em fluxo de caixa livre para os acionistas em 2026.
O cálculo considera um cenário em que o Brent permaneça próximo de US$ 90 por barril durante boa parte do período. Para os analistas, a combinação entre preços elevados da commodity e os efeitos das políticas de compensação aos combustíveis cria um ambiente favorável para a geração de valor pela companhia.
Mercado ainda debate futuro do petróleo
Apesar da visão otimista da XP, parte dos investidores continua avaliando a possibilidade de um cenário de maior oferta global de petróleo nos próximos anos.
Essa hipótese poderia pressionar as cotações do Brent para níveis mais próximos de US$ 60 por barril, reduzindo a rentabilidade das empresas do setor.
A corretora reconhece esse risco, mas considera que ele não representa seu cenário-base para o mercado de energia. Na avaliação da instituição, mesmo com preços entre US$ 65 e US$ 70 por barril, a Petrobras continuaria apresentando fundamentos capazes de sustentar uma tese positiva de investimento.
Petrobras segue entre as preferidas do setor
A revisão reforça o posicionamento da Petrobras entre as principais apostas de analistas para o segmento de petróleo e gás.
Além do potencial de valorização das ações, investidores continuam acompanhando a capacidade da estatal de gerar caixa e distribuir dividendos em um ambiente marcado por volatilidade nos preços da commodity e incertezas geopolíticas.
Com a atualização das projeções, a XP passa a enxergar um cenário mais favorável para a companhia, embora destaque que fatores externos, especialmente ligados ao mercado internacional de petróleo, continuarão sendo determinantes para o desempenho das ações nos próximos anos.