A gestão de risco surge como um papel primordial no crescente mercado dos investimentos, onde as oportunidades caminham lado a lado com os desafios. Grande parte dos investidores buscam segurança e sucesso financeiro a longo prazo. Para isso, uma boa gestão do seu patrimônio é imprescindível.

Este artigo busca explorar e deixar claro para os leitores do Melhor Investimento o conceito, a importância e as principais estratégias envolvidas na gestão de risco nos investimentos, oferecendo uma visão ampla para orientar investidores em suas jornadas.

O que é gestão de risco nos investimentos

A gestão de risco nos investimentos é baseada em praticar um conjunto de técnicas e hábitos para identificar, avaliar e diminuir os diferentes tipos de riscos que envolvem as decisões de investimento. Onde alocar o dinheiro, quais ativos mais rentáveis e etc.

Ela representa um processo contínuo e dinâmico, para proteger o capital investido e otimizar as possibilidades de retorno e alcançar os objetivos individuais de cada investidor.

De maneira geral, a gestão de risco envolve uma análise cuidadosa dos riscos potenciais envolvidos em cada investimento, seguida pela implementação de estratégias para reduzir ou controlar esses riscos. 

De forma sucinta, é uma forma de manter o investidor em um caminho estratégico, evitando surpresas. Isso pode incluir ações como a diversificação da carteira de investimentos, o estabelecimento de limites de perda, o monitoramento constante do mercado e a alocação de ativos de acordo com o perfil de risco do investidor.

Principais tipos de riscos nos investimentos

Os investimentos são uma forma de buscar retornos financeiros, mas também estão ligados a uma série de riscos que podem fazer os investidores acumularem perdas. Por isso é importante estar atento aos possíveis problemas de gestão presentes no mercado.

Conheça os principais tipos de riscos nos investimentos e saiba como evitá-los:

Risco de mercado

Este tipo de risco está relacionado à volatilidade e às flutuações nos preços dos ativos, influenciadas por fatores econômicos, geopolíticos e eventos imprevisíveis. Os investimentos em ações, títulos e commodities estão sujeitos a esse tipo de risco.  Por exemplo, durante as recentes crises econômicas, guerras e cenários de pandemias, muitos investidores sofreram perdas significativas devido à queda nos preços das ações e títulos causada pela instabilidade econômica global.

Risco de crédito

Referente a possibilidade de inadimplência por parte do emissor de um título ou instrumento financeiro. Investimentos em títulos corporativos, empréstimos e outros ativos de renda fixa estão sujeitos a esse tipo de risco. Esse risco surge sempre que uma relação de crédito é estabelecida, como ocorre em empréstimos e financiamentos. Basicamente, ele refere-se à possibilidade de o devedor não cumprir com as obrigações assumidas perante o credor.

Por exemplo, se alguém pede emprestado R$ 10 mil e promete devolvê-los em 10 meses, o risco de crédito está ligado à chance de essa pessoa não pagar o valor dentro do prazo acordado. Esse não pagamento pode ser motivado por diversos fatores, como falta de recursos, esquecimento ou até mesmo má-fé.

É importante reconhecer que cada devedor apresenta um nível diferente de risco de crédito, o qual deve ser avaliado cuidadosamente. Em transações com instituições financeiras, esse risco é um elemento crucial. De fato, as condições de pagamento geralmente são determinadas em função desse fator, o que pode resultar em um encarecimento ou redução dos custos do crédito.

Ao solicitar um empréstimo ou financiamento sem oferecer garantias, o risco de crédito para o credor aumenta significativamente. Consequentemente, é comum que as condições impostas sejam mais rigorosas, com taxas de juros mais elevadas, penalidades por atraso e menor margem para negociação.

Risco de liquidez

O risco de liquidez é outro aspecto fundamental a ser considerado ao investir. Ele se refere à facilidade com que um investimento pode ser convertido em dinheiro pelo investidor.

Quando se trata de investir em ações, por exemplo, o risco de liquidez está intimamente relacionado à capacidade de vender os papéis. Se houver uma demanda forte por parte de investidores interessados em adquirir a ação, o risco de liquidez tende a ser menor. Por outro lado, se não houver compradores disponíveis, o risco de liquidez aumenta, pois pode ser difícil vender as ações sem afetar o preço de mercado de forma significativa.

Já no caso de investimentos em renda fixa, o risco de liquidez depende da capacidade de resgatar antecipadamente o título ou de vendê-lo no mercado secundário. Assim, antes de fazer um investimento, o investidor pode avaliar esse risco, considerando a facilidade com que poderá converter o investimento em dinheiro quando necessário.

Risco operacional

Refere-se a falhas nos processos internos, sistemas ou pessoas de uma instituição financeira ou empresa. Essas falhas podem resultar em perdas financeiras, danos à reputação e interrupções nas operações comerciais.

O risco operacional é dividido em três categorias: risco organizacional, risco de operação e risco pessoal: O risco organizacional surge de deficiências na estrutura das empresas, algumas das quais ingressam no mercado sem um planejamento de longo prazo adequado.

É crucial que as instituições sejam estabelecidas sobre bases sólidas, com processos claros, para garantir a sobrevivência do negócio e a preparação para enfrentar problemas futuros.

O risco de operação refere-se a falhas nos sistemas, resultantes de problemas técnicos ou lacunas na segurança. Por último, o risco pessoal envolve o capital humano da organização. É importante destacar que essas três categorias são responsáveis pelos tipos de riscos operacionais.

Exemplo: a recente crise da Americanas, que teve suas ações impactadas por conta da descoberta de uma inconsistência contábil em suas finanças.

Risco tributário/fiscal

O risco fiscal refere-se a possibilidade de variações de curto a médio prazo em indicadores fiscais em relação ao que foi planejado no orçamento do governo ou em outras projeções fiscais. De acordo com o Tesouro Transparente, são eventos que podem impactar as finanças públicas, prejudicando a consecução das metas fiscais estabelecidas.

São eventos considerados riscos fiscais quando não podem ser controlados ou evitados pelo governo. Em resumo, o risco fiscal refere-se à exposição do governo à volatilidade em áreas como receitas, despesas, saldo fiscal e valor dos ativos e passivos. Esses riscos podem ser agrupados em categorias como riscos econômicos gerais, como crescimento econômico aquém do esperado, levando a perdas de receita, e riscos específicos, como os custos potenciais de desastres naturais.

Envolve também mudanças na legislação fiscal que podem impactar negativamente os retornos dos investimentos. Alterações nas alíquotas de impostos sobre ganhos de capital, dividendos e outras formas de renda podem afetar os investidores. 

Risco regulatório

Este tipo de risco está relacionado a mudanças nas leis e regulamentos governamentais que afetam os mercados financeiros e as empresas. Alterações nas políticas regulatórias podem ter um impacto significativo nos preços dos ativos e na rentabilidade dos investimentos.

 Um exemplo aconteceu em fevereiro deste ano, quando a CVM publicou alterações nas regras para os produtos isentos de IR (LCI, LCA, CRI,CRA), mudando o tempo de carência mínima de 1 ano para 9 meses.

Como fazer a gestão de risco nos investimentos

A partir do conhecimento dos principais fatores de risco que podem afetar os seus investimentos, é necessário agora por em prática ações para não ser afetado sobre estas tendências:

Conheça seu perfil de investidor

Antes de realizar qualquer investimento, é crucial entender seu perfil de investidor, incluindo seus objetivos financeiros, tolerância ao risco e horizonte de investimento (em quanto tempo espera retornos). Isso ajudará a determinar uma alocação de ativos mais personalizada e adequada para sua situação específica.

Defina o valor disponível para os investimentos considerando sua  reserva de emergência

Manter uma reserva financeira disponível para despesas inesperadas é fundamental para a gestão de risco. Essa reserva pode ajudar a cobrir despesas inesperadas e evitar a necessidade de vender investimentos em momentos desfavoráveis do mercado.

Diversifique os investimentos (renda fixa e variável)

Diversificar os investimentos entre diferentes classes de ativos, como ações, títulos e imóveis, é uma estratégia eficaz para reduzir o risco da carteira. Isso porque diferentes ativos tendem a se comportar de maneira diferente em diferentes condições de mercado.

Monitore a carteira de investimentos

Acompanhar regularmente o desempenho da carteira de investimentos e fazer ajustes conforme necessário é uma parte importante da gestão de risco. Isso inclui reavaliar a alocação de ativos, fazer rebalanceamentos periódicos e ajustar as estratégias de investimento conforme as condições do mercado mudam. O acompanhamento 

Acompanhe o mercado

Estar atento às tendências econômicas, políticas e eventos globais é fundamental para identificar e mitigar os riscos nos investimentos. Neste ponto, o Melhor Investimento te ajuda com as principais notícias do mercado. Acompanhar os desdobramentos e novos negócios das empresas permite que os investidores ajam proativamente para proteger seu patrimônio.

Defina limites de perda e tolerância ao risco

Estabelecer limites de perda e definir sua tolerância ao risco é uma parte importante da gestão de risco. Isso ajuda a garantir que você não assuma mais risco do que está confortável e permite que você tome decisões mais objetivas e informadas sobre seus investimentos.

Quais são os investimentos de baixo risco?

Como vimos anteriormente, a decisão de qual ativo investir começa por entender o seu perfil como investidor e a rentabilidade desejada. Para os que preferem uma abordagem mais segura, os investimentos de baixo risco são a escolha ideal. Aqui estão algumas opções:

Poupança: conhecida por todos os brasileiros, é uma das formas mais seguras e tradicionais de investimento, oferecendo uma renda estável e separada para despesas futuras, embora com rendimentos modestos em torno de 2,1% ao ano.

CDB (Certificado de Depósito Bancário): é outra opção popular na renda fixa, oferecendo juros pré e pós-fixados, além de contar com a proteção do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) para aplicações de até R$250 mil por CPF.

Tesouro Selic: emitido pelo governo, é uma escolha segura devido à sua menor possibilidade de calote, oferecendo alta liquidez e rendimentos superiores à poupança, atrelados à taxa Selic.

Investimentos de alto risco

Por outro lado, para os investidores mais agressivos, os investimentos de alto risco podem ser mais atrativos, apesar da volatilidade. Aqui estão algumas opções:

Bolsa de valores: Investir em ações na bolsa é como se tornar sócio de uma empresa, compartilhando seus riscos e lucros.

Mercado de opções: oportunidade de comprar ou vender ativos no futuro a um preço pré-determinado, permitindo estratégias diversificadas em diferentes cenários de mercado.

Câmbio de moedas: envolve a troca de uma moeda por outra, sujeita a riscos devido à oscilação das taxas de câmbio, proporcionando oportunidades de lucro, mas também de perdas imprevisíveis.

Resumidamente, escolher entre investimentos de baixo ou alto risco depende do seu perfil e dos objetivos financeiros, sendo essencial entender as características de cada opção para tomar decisões informadas.

Importância de realizar a gestão de risco ao investir

Realizar uma gestão eficaz de risco é fundamental para proteger o patrimônio e preservar o capital investido ao longo do tempo. Ao compreender e gerenciar os riscos associados aos investimentos, os investidores podem tomar decisões mais informadas e evitar perdas significativas durante períodos de volatilidade ou adversidade nos mercados financeiros.

Além disso, a gestão de risco desempenha um papel fundamental na redução da ansiedade e do estresse associados aos investimentos. Implementando estratégias de gestão de risco consistentes, os investidores podem se sentir mais preparados para enfrentar os desafios e oportunidades.

Além de conhecer os riscos e as estratégias para mitigar a incidência de imprevistos, contar com um assessor de investimentos capacitado é um bom passo para gerir de forma correta sua carteira de investimentos. Quando se trata de orientação especializada em gestão de risco e investimentos, a InvestSmart aparece como a principal empresa de assessoria de investimentos do G20 da XP. Com uma equipe experiente e soluções personalizadas, a empresa oferece suporte para ajudar os investidores a alcançarem seus objetivos financeiros com segurança e eficiência.

Conclusão

Em um mundo onde os acontecimentos são imprevisíveis e diferentes fatores influenciam a economia global, a gestão de risco funciona como uma bússola. Ao entender os diferentes tipos de riscos, implementar estratégias eficazes de gestão de risco e buscar orientação profissional quando necessário, os investidores podem enfrentar os desafios do mercado com confiança para alcançar seus objetivos financeiros a longo prazo. 

Pedro Gomes

Jornalista e Redator do Melhor Investimento.