Fortuna dos bilionários cresce em ritmo recorde após eleição de Trump

A fortuna dos bilionários cresceu três vezes mais rápido desde a eleição de Donald Trump, impulsionada por políticas favoráveis aos super-ricos, segundo relatório da Oxfam.

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19 de jan, 2026 às 15:00
Fotografia em plano médio de Elon Musk sorrindo, vestindo um paletó preto e gravata azul escura. Foto: Chip Somodevilla/Getty Images

A fortuna dos bilionários cresce em um ritmo sem precedentes no mundo desde a eleição de Donald Trump para a Presidência dos Estados Unidos, em novembro de 2024. Em pouco mais de um ano, a riqueza acumulada pelo grupo mais rico do planeta avançou 16,2%, desempenho três vezes superior à média anual registrada nos últimos cinco anos, segundo dados da Oxfam. O fenômeno ocorre em um momento de agravamento da desigualdade global, com milhões de pessoas enfrentando fome e insegurança alimentar.

De acordo com o relatório “Resistindo ao Domínio dos Ricos: Protegendo a Liberdade do Poder dos Bilionários”, divulgado às vésperas do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, o planeta ultrapassou pela primeira vez a marca de 3 mil bilionários, que juntos concentram US$ 18,3 trilhões. Apenas o crescimento registrado em 2025 seria suficiente para erradicar a pobreza extrema no mundo 26 vezes.

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O levantamento aponta que, enquanto a fortuna dos bilionários cresce de forma acelerada, uma em cada quatro pessoas no mundo enfrenta algum nível de insegurança alimentar. O contraste reforça a assimetria entre o avanço do capital concentrado e a estagnação das condições de vida de grande parte da população global.

Segundo a Oxfam, o aumento da riqueza dos super-ricos em apenas um ano chegou a cerca de US$ 2,5 trilhões. Caso esse montante fosse redistribuído, seria possível garantir renda básica global e ainda manter os bilionários com patrimônio superior ao registrado anteriormente.

Relatório da Oxfam é divulgado antes do Fórum Econômico Mundial

Os dados foram publicados estrategicamente na véspera do início do Fórum Econômico Mundial (WEF), que reúne chefes de Estado, executivos e representantes do mercado financeiro em Davos. A organização afirma que a concentração extrema de riqueza passou a representar não apenas um problema econômico, mas também um risco à democracia e à estabilidade social.

A Oxfam alerta que, sem mudanças estruturais, o poder econômico continuará se convertendo em influência política desproporcional, dificultando avanços em políticas públicas voltadas à redução da desigualdade.

Políticas econômicas de Trump impulsionam ganhos dos super-ricos

O relatório associa diretamente o crescimento acelerado da fortuna dos bilionários às decisões políticas adotadas pelo governo de Donald Trump, que voltou à Casa Branca em 2025. Entre os principais fatores estão:

  • cortes de impostos sobre grandes fortunas;
  • redução da tributação de grandes empresas;
  • enfraquecimento das regras antitruste;
  • avanço da desregulamentação econômica.

Na prática, essas medidas ampliaram a capacidade de retenção de renda pelos mais ricos e reduziram os mecanismos de redistribuição, criando um ambiente ainda mais favorável à concentração de capital.

Concentração extrema no topo da pirâmide global

A desigualdade se intensifica quando observada no topo da pirâmide. Os dez bilionários mais ricos do mundo concentram aproximadamente US$ 2,4 trilhões. Já os doze mais ricos possuem mais riqueza do que mais de quatro bilhões de pessoas, o equivalente à metade mais pobre da população global.

Somente em 2025, o patrimônio dos bilionários cresceu US$ 2,6 trilhões. Nesse cenário, o empresário Elon Musk tornou-se a primeira pessoa da história a ultrapassar US$ 500 bilhões em patrimônio líquido, impulsionado pela valorização de empresas de tecnologia, energia e inteligência artificial.

Brasil lidera concentração de riqueza na América Latina

O Brasil aparece como o país com maior número de bilionários da América Latina e Caribe. São 66 pessoas que concentram cerca de US$ 253 bilhões, segundo a Oxfam. A organização aponta que o sistema tributário brasileiro historicamente contribui para esse cenário, ao pesar mais sobre a renda do trabalho do que sobre grandes patrimônios.

Embora a recente reforma do imposto de renda tenha ampliado a isenção para faixas mais baixas e criado uma tributação mínima efetiva para os mais ricos, o estudo avalia que ainda faltam avanços estruturais, como a taxação de dividendos, grandes fortunas e heranças.

Poder político e influência dos bilionários

Outro ponto central do relatório é a relação entre riqueza e poder político. A Oxfam estima que bilionários têm 4 mil vezes mais chances de ocupar cargos públicos do que cidadãos comuns. Além disso, pesquisas globais indicam que quase metade da população acredita que os ricos influenciam ou compram eleições.

A presença de super-ricos em fóruns internacionais também chama atenção. Na COP28, realizada pela ONU, dezenas de bilionários participaram como delegados, muitos deles com fortunas ligadas a setores altamente poluentes.

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