Flávio Bolsonaro pode ser multado em até R$ 25 mil por divulgação de carta de Jair Bolsonaro

A campanha de Flávio Bolsonaro poderá ser multada em até R$ 25 mil caso a Justiça Eleitoral conclua que a divulgação de uma carta escrita por Jair Bolsonaro caracterizou propaganda eleitoral antecipada.

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Última atualização:  15 de jul, 2026 às 12:37
Close do senador Flávio Bolsonaro, vestindo uma camisa amarela e verde, enquanto segura uma folha de papel com um texto manuscrito em frente à câmera. O texto no papel está invertido (efeito espelho). Ao fundo, há uma pintura abstrata colorida. Foto: Reprodução

A campanha de Flávio Bolsonaro pode ser multada em até R$ 25 mil caso a Justiça Eleitoral conclua que a divulgação de uma carta escrita pelo ex-presidente Jair Bolsonaro configurou propaganda eleitoral antecipada. O episódio ocorreu após o senador (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República nas eleições de 2026, ler o documento durante uma transmissão ao vivo nas redes sociais. A análise sobre uma eventual infração dependerá da atuação do Ministério Público Eleitoral e, posteriormente, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Flávio Bolsonaro pode ser multado em até R$ 25 mil; entenda o caso

A possibilidade de punição ganhou destaque após a divulgação de uma carta manuscrita por Jair Bolsonaro, que atualmente cumpre prisão domiciliar por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF). O texto foi apresentado por Flávio Bolsonaro durante uma live e continha manifestações de apoio à sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto.

Na mensagem, o ex-presidente afirma que o filho seria a melhor alternativa para conduzir o país e faz um apelo para que seus apoiadores deixem divergências de lado e se mobilizem em torno da pré-campanha presidencial.

O conteúdo chamou a atenção por mencionar diretamente a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro e incentivar o engajamento político dos eleitores, o que poderá ser analisado pela Justiça Eleitoral para verificar se houve extrapolação dos limites permitidos antes do início oficial da campanha.

Segundo a legislação vigente, candidatos só podem realizar propaganda eleitoral a partir de 16 de agosto, data seguinte ao prazo estabelecido pela Lei das Eleições para o início da campanha.

O que diz a legislação eleitoral

A Lei nº 9.504/1997 estabelece que a propaganda eleitoral somente é permitida após 15 de agosto do ano da eleição. Antes desse período, a legislação admite algumas manifestações relacionadas à pré-candidatura, desde que não haja pedido explícito de voto.

Entre as práticas autorizadas estão:

  • menção à pretensa candidatura;
  • divulgação de posicionamentos políticos;
  • participação em entrevistas, debates e eventos públicos;
  • exaltação das qualidades pessoais de um pré-candidato.

Por outro lado, a legislação proíbe pedidos diretos de voto ou qualquer ação que possa caracterizar propaganda eleitoral antecipada.

No caso envolvendo Flávio Bolsonaro, caberá ao Ministério Público Eleitoral avaliar se o conteúdo da carta ultrapassou esses limites. Se houver representação e o entendimento for confirmado pelo Tribunal Superior Eleitoral, a campanha poderá sofrer sanções.

Multa pode variar entre R$ 5 mil e R$ 25 mil

A legislação prevê multa mínima de R$ 5 mil e máxima de R$ 25 mil para casos de propaganda eleitoral antecipada.

Em situações nas quais haja comprovação de gastos superiores ao teto previsto em lei, a penalidade poderá ser ainda maior. Entretanto, como a carta foi divulgada durante uma transmissão nas redes sociais sem custo comprovado de produção ou veiculação, a definição do valor dependerá exclusivamente da interpretação da Justiça Eleitoral, caso uma infração seja reconhecida.

Assim, não há aplicação automática da multa. Antes disso, será necessário que o caso seja analisado pelas autoridades competentes dentro do processo eleitoral.

Carta foi divulgada durante transmissão ao vivo

A carta escrita por Jair Bolsonaro foi lida integralmente por Flávio Bolsonaro durante uma live realizada em suas redes sociais.

No documento, o ex-presidente afirma que o senador seria seu “porta-voz” e defende que os apoiadores trabalhem em favor da sua pré-candidatura. O texto também apresenta elogios ao filho e afirma que ele seria a melhor opção para enfrentar problemas como corrupção, violência e dificuldades econômicas.

Esses trechos são justamente os que poderão ser analisados para verificar se houve apenas manifestação política permitida durante a pré-campanha ou se a mensagem representou um pedido indireto de apoio eleitoral.

A decisão dependerá da interpretação do Ministério Público Eleitoral e, posteriormente, do Tribunal Superior Eleitoral.

Caso também ocorre em meio às restrições impostas a Jair Bolsonaro

Além da discussão sobre eventual propaganda eleitoral antecipada, o episódio acontece em um contexto de restrições judiciais impostas ao ex-presidente.

Jair Bolsonaro permanece em prisão domiciliar por determinação do STF e está submetido ao cumprimento de medidas cautelares. Segundo as decisões judiciais em vigor, o descumprimento dessas determinações pode resultar em consequências mais severas, incluindo a revisão do benefício da prisão domiciliar.

Flávio Bolsonaro também enfrenta limitações relacionadas às medidas impostas ao pai. Entre elas está a impossibilidade de visitá-lo durante parte do período eleitoral, situação que poderá afetar reuniões políticas e articulações da campanha presidencial.