Pesquisa mostra Lula como principal nome associado ao fim da escala 6x1 entre brasileiros
Uma pesquisa do Real Time Big Data divulgada nesta segunda-feira (1º) mostrou que o presidente Lula é o nome mais associado pelos brasileiros ao fim da escala 6x1.
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Uma pesquisa divulgada nesta segunda-feira (1º) revelou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva é o nome mais associado pelos brasileiros ao fim da escala 6×1. O levantamento, realizado pelo instituto Real Time Big Data nos dias 29 e 30 de maio, mostra que 22% dos entrevistados atribuem espontaneamente ao chefe do Executivo a mudança na jornada de trabalho. O estudo foi realizado em todo o país e indica que a disputa política pela autoria da proposta já começa a influenciar a percepção popular.
A pesquisa surge em um momento de forte debate sobre a redução da jornada de trabalho no Brasil, após a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que altera o modelo tradicional de seis dias de trabalho para um de descanso. O tema ganhou destaque nos últimos meses e passou a ser tratado como uma das principais pautas sociais do cenário político nacional.
Lula lidera percepção sobre o fim da escala 6×1
Os números mostram que Lula aparece isolado na liderança quando os brasileiros são questionados sobre quem consideram responsável pelo fim da escala 6×1. O presidente foi citado por 22% dos participantes da pesquisa.
Na sequência aparecem o Congresso Nacional, com 13% das menções, e o Partido dos Trabalhadores (PT), que recebeu 6% das respostas. O ex-presidente Jair Bolsonaro foi lembrado por 3% dos entrevistados, enquanto o Supremo Tribunal Federal (STF) registrou 2%.
O resultado demonstra que, neste momento, o governo federal conseguiu estabelecer uma associação mais forte entre a medida e a figura do presidente. O tema tem sido utilizado por aliados do Palácio do Planalto como exemplo de uma política voltada à valorização dos trabalhadores.
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Maioria da população ainda não sabe quem atribuir a medida
Apesar da liderança de Lula nas respostas espontâneas, a pesquisa aponta que grande parte da população ainda não possui uma opinião formada sobre quem foi responsável pela proposta.
Segundo o levantamento, 52% dos entrevistados afirmaram não saber responder ou preferiram não opinar. Além disso, 2% atribuíram a medida a outros personagens ou instituições que não figuraram entre as respostas mais frequentes.
Esse dado indica que a narrativa sobre o fim da escala 6×1 ainda está em construção. Especialistas observam que propostas de grande impacto social costumam passar por um período de assimilação pública antes que a população identifique claramente seus protagonistas políticos.
Disputa política pela autoria da PEC
A tramitação da proposta foi marcada por uma intensa disputa política. Desde o início das discussões, diferentes grupos tentaram associar a iniciativa às suas respectivas atuações no Congresso e junto aos trabalhadores.
A aprovação da PEC abriu espaço para uma batalha de comunicação entre governo e oposição, principalmente porque a medida possui forte potencial de impacto na vida de milhões de brasileiros. A redução da jornada de trabalho é vista como uma pauta popular e com capacidade de gerar dividendos eleitorais para os grupos que conseguirem assumir o protagonismo do debate.
Nos últimos meses, o assunto ganhou destaque em discursos políticos, entrevistas e campanhas de comunicação nas redes sociais.
Como o governo Lula participou das negociações
Embora a proposta tenha sido originalmente apresentada pela deputada Erika Hilton, o governo federal passou a apoiar a pauta durante sua tramitação no Congresso.
O Palácio do Planalto atuou nas negociações para viabilizar um acordo sobre a transição do novo modelo de jornada e intensificou a defesa pública da redução das atuais 44 horas semanais de trabalho.
Aliados do presidente transformaram o tema em uma das principais bandeiras sociais da atual gestão. O objetivo foi reforçar a imagem do governo junto aos trabalhadores e setores que defendem mudanças nas relações de trabalho.
Ao mesmo tempo, partidos de oposição também buscaram se posicionar sobre o assunto diante da ampla aceitação da proposta entre parte da população.
Fim da escala 6×1 ainda deve gerar nova disputa de narrativa
Embora Lula seja atualmente o personagem mais associado ao fim da escala 6×1, os resultados da pesquisa mostram que o debate está longe de ser encerrado.
O elevado percentual de entrevistados que não souberam responder demonstra que ainda existe espaço para mudanças na percepção pública. À medida que a PEC avançar nas próximas etapas e seus efeitos passarem a ser discutidos de forma mais ampla, diferentes grupos políticos deverão intensificar os esforços para consolidar suas versões sobre a autoria da medida.
Por isso, especialistas avaliam que a disputa pela narrativa continuará sendo um dos principais desdobramentos políticos relacionados ao fim da escala 6×1 nos próximos meses.
Metodologia da pesquisa
O levantamento foi realizado pelo instituto Real Time Big Data entre os dias 29 e 30 de maio de 2026. Foram ouvidas 2.000 pessoas em diferentes regiões do país.
A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-05864/2026.