Tempos de crise exigem novas estratégias de diversificação

Decisões políticas e fluxo intenso de informações aumentam oscilações globais e pressionam estratégias tradicionais de investimento.

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Última atualização:  13 de mar, 2026 às 16:19

Eventos extremos no mercado financeiro estão se tornando mais frequentes. Ou, ao menos, mais perceptíveis. Segundo especialistas da NOMOS e InvestSmart XP, esses episódios exigem uma revisão das estratégias tradicionais de diversificação e uma análise mais criteriosa sobre quando ajustar a carteira.

Para Beto Saadia, economista-chefe da NOMOS, um evento extremo é caracterizado por movimentos que ultrapassam os desvios padrão esperados nas análises estatísticas de mercado. Na prática, são oscilações abruptas que fogem do comportamento considerado normal.

De acordo com ele, a estrutura atual dos mercados (marcada pelo uso de algoritmos, robôs de negociação e um volume massivo de informações) contribui para uma dinâmica diferente da observada em décadas anteriores.

“O mercado pode passar longos períodos mais estável e, de repente, registrar um spike relevante, algo mais intenso do que era comum nos anos 90”, afirmou o economista.

Velocidade da informação amplia impacto de crises

Outro fator que potencializa os eventos extremos é a rapidez com que notícias e percepções se espalham globalmente. Como exemplo, Saadia citou o colapso do Silicon Valley Bank, cuja crise de confiança ganhou tração nas redes sociais, como a plataforma X, acelerando a reação dos investidores e pressionando o sistema financeiro.

Decisões políticas também podem gerar impactos imediatos e intensos nos mercados internacionais. A imposição de tarifas comerciais pelo ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump, por exemplo, foi apontada como um caso em que os ativos reagiram de forma aguda.

Lucas Rego, assessor private da InvestSmart, destacou que choques econômicos que antes tinham efeitos mais localizados hoje se espalham rapidamente entre países e classes de ativos. “Qualquer pequena coisa, em qualquer lugar do mundo, pode movimentar os mercados. Está tudo muito rápido”, disse.

O desafio da diversificação

A crescente correlação entre ativos também foi apontada como um dos principais desafios atuais. Segundo Saadia, em momentos de queda, estratégias tradicionais de diversificação tendem a funcionar menos. “Na maioria dos casos, a carteira só fica diversificada na alta. Quando o mercado cai, cai tudo junto”, explicou.

Ele citou que ativos considerados proteção, como ouro e bitcoin, estão cada vez mais presentes nas carteiras, o que pode reduzir o efeito de amortecimento em momentos de estresse generalizado.

Rego acrescentou que a diversificação entre setores também passou a ter menor eficiência em determinados cenários, reforçando a necessidade de o investidor entender melhor seu perfil de risco e os objetivos de cada posição.

Estratégias para lidar com a volatilidade

Apesar dos desafios, especialistas destacam que a volatilidade também abre espaço para oportunidades. Saadia apontou o uso de ferramentas quantitativas, como médias móveis e algoritmos de proteção, como formas de mitigar oscilações mais intensas.

Outra estratégia mencionada foi a carteira “barbell”, que combina ativos mais defensivos com posições de maior potencial de retorno e risco assimétrico.

Lucas Rego, por sua vez, ressaltou a importância de decisões estruturais, como investir por meio de fundos ou montar uma carteira própria.

“Escolher o nível de risco que combina com você é fundamental. Um trader pode ter um perfil agressivo, mas isso não significa que ele esteja sempre exposto sem proteção”, afirmou.

Segundo ele, ter diferentes carteiras e reconhecer limitações individuais pode ser determinante para navegar em um ambiente financeiro cada vez mais marcado por eventos extremos e mudanças rápidas de tendência.

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Pedro Gomes

Jornalista formado pela UniCarioca, com experiência em esportes, mercado imobiliário e edtechs. Desde 2023, integra a equipe do Melhor Investimento.