O ex-secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Neri Geller, que recentemente foi desligado de suas funções após o governo federal anular um leilão para importação de arroz, falou pela primeira vez sobre sua demissão. Em uma declaração nesta terça-feira (18), Geller expressou sua insatisfação e destacou que não será usado como bode expiatório.

Geller afirmou categoricamente que foi contrário ao leilão em questão e ressaltou que não saiu do governo por vontade própria, mas sim por uma decisão governamental. “Fiquei chateado, sim, com o ministro da Agricultura com a forma como eu saí do governo. Não saí a pedido. Não seria justo com a sociedade e não seria correto porque no nosso entendimento não houve má fé. Houve um equívoco político na condução do leilão”, disse ele durante uma audiência na Câmara.

A demissão de Neri Geller e as controvérsias sobre empresas intermediárias

A demissão de Geller veio à tona após surgirem suspeitas de fraude relacionadas ao leilão de importação de arroz. O ponto focal da controvérsia foi a participação de empresas intermediárias ligadas a um ex-assessor de Geller e a seu filho, o que levantou a questão de um possível conflito de interesses.

Geller se defendeu, explicando que seu filho não teve envolvimento direto no leilão e que as empresas em questão estavam inativas. Ele destacou que ficou “surpreso” com as alegações e afirmou que não houve irregularidades por parte de sua família.

Disputa sobre a renúncia do cargo: versões conflitantes

Surgiram versões conflitantes sobre a saída de Geller do governo. Enquanto o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, afirmou que Geller teria colocado seu cargo à disposição devido ao mal-estar causado pela revelação das controvérsias, Geller reiterou que foi demitido.

Durante a audiência na Câmara, Geller contestou a narrativa de renúncia voluntária e reafirmou que foi afastado de suas funções. Essa disputa sobre os eventos que levaram à sua demissão adiciona mais complexidade ao caso.

Posicionamento em relação ao governo: compromisso com a verdade

Apesar de sua demissão e das divergências com o governo, Geller afirmou que não pretende criticar abertamente o governo. No entanto, ele deixou claro que não aceitará ser responsabilizado pelos problemas do leilão.

Em sua declaração, Geller mostrou-se comprometido com a verdade e afirmou que não servirá de bode expiatório para eventuais falhas na condução do leilão de arroz. Essa postura reflete seu desejo de esclarecer os fatos e defender sua integridade.

Julia Peres

Redatora do Melhor Investimento.