EUA e China se distanciam no comércio e Brasil amplia mercados, mostra estudo da McKinsey
Um estudo recente da McKinsey revela que o comércio entre EUA e China tem diminuído, com ambos os países redirecionando suas parcerias comerciais.
EUA e China se distanciam no comércio e Brasil amplia mercados, mostra estudo da McKinsey
A crescente reorientação das relações comerciais globais está moldando novas dinâmicas entre as principais economias do mundo. Segundo um estudo recente do McKinsey Global Institute, as grandes economias como os Estados Unidos e a China têm diminuído suas trocas comerciais, enquanto países de médio porte, como Brasil, Índia e nações do Sudeste Asiático, estão se beneficiando dessa mudança, ampliando suas exportações e diversificando suas parcerias comerciais.
O que está impulsionando o distanciamento entre EUA e China no comércio?
Nos últimos anos, as tensões geopolíticas, os desafios de “desacoplamento” e estratégias como o “friendshoring” têm levado os Estados Unidos e a China a uma redução nas trocas comerciais diretas, com ambos os países focando em parceiros alternativos. O relatório do McKinsey destaca que, entre 2017 e 2024, a participação da China nas importações dos EUA caiu substancialmente, especialmente em setores como eletrônicos, máquinas e têxteis. Ao mesmo tempo, os EUA redirecionaram seu comércio, aumentando as importações de países como México e países do Sudeste Asiático (ASEAN).
O México, por exemplo, superou a China em 2023 e se tornou o maior fornecedor de mercadorias para os Estados Unidos, enquanto a ASEAN registrou um aumento nas importações americanas, refletindo uma nova dinâmica no comércio global. Isso aponta para um claro movimento de diversificação, com os EUA buscando diminuir sua dependência da China e fortalecer suas relações comerciais com países mais próximos geograficamente ou politicamente alinhados.
O papel do Brasil na nova geometria do comércio global
O Brasil, entre 2017 e 2024, viu suas exportações crescerem, principalmente em produtos agrícolas e metais, com destaque para o comércio com a China. Embora as exportações agrícolas para a China tenham sofrido uma queda em 2024 devido a condições climáticas adversas, o Brasil tem se beneficiado de uma crescente diversificação de seus mercados. O comércio com o Sudeste Asiático, especialmente países como Cingapura, tem registrado forte expansão, com a nação asiática se tornando o terceiro maior destino das exportações brasileiras de energia, superando países tradicionais.
Além disso, o Brasil tem experimentado um crescimento nas importações de produtos manufaturados, especialmente no setor de veículos elétricos da China. A participação do país nas importações brasileiras de equipamentos de transporte, por exemplo, dobrou entre 2022 e 2024, refletindo as mudanças nas preferências e na estratégia de negócios do Brasil.
O impacto do comércio da China com a América Latina
Para a China, o comércio com a América Latina tem mostrado um crescimento significativo, com o Brasil se destacando como seu principal parceiro na região. Em 2024, o comércio entre Brasil e China representou quase metade de todo o comércio da China com a América Latina, um aumento considerável em relação a 2017. Esse crescimento tem sido impulsionado principalmente pelas importações de produtos agrícolas do Brasil, bem como pelo aumento das exportações chinesas de bens manufaturados, como produtos de tecnologia limpa e veículos elétricos.
Outros países da região, como Peru e Colômbia, também experimentaram um rápido crescimento nas trocas comerciais com a China, com algumas economias menores, como Equador e Costa Rica, apresentando taxas de crescimento ainda mais aceleradas.
O aprofundamento das relações comerciais China-Rússia
Outro ponto relevante do estudo é o aprofundamento das relações comerciais entre a China e a Rússia. A Rússia, uma importante fonte de recursos energéticos para a China, tem se tornado um destino significativo para os automóveis e outros equipamentos de transporte chineses. A participação das exportações chinesas para a Rússia no setor de transporte cresceu de 2% para mais de 10% entre 2017 e 2024, refletindo uma mudança estratégica de fornecimento.