Apple processa OpenAI por suposto uso de segredos comerciais em projeto de hardware

A Apple entrou com uma ação judicial contra a OpenAI e dois ex-funcionários, acusando-os de utilizar segredos comerciais relacionados ao desenvolvimento de hardware, processos de fabricação e cadeia de suprimentos.

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Última atualização:  10 de jul, 2026 às 21:32
Fachada de uma loja da Apple com grande logotipo iluminado e várias pessoas passando em frente, destacando a presença de consumidores e movimento na área. Foto: Bloomberg

Apple processa OpenAI e dois ex-funcionários da fabricante do iPhone por suposta apropriação indevida de informações confidenciais relacionadas ao desenvolvimento de hardware. A ação foi apresentada nesta sexta-feira (10) no Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito Norte da Califórnia e amplia a disputa entre as duas empresas, que nos últimos anos passaram de parceiras em inteligência artificial para concorrentes em um mercado cada vez mais estratégico.

Segundo a Apple, documentos internos, projetos de produtos, processos industriais e informações sobre fornecedores teriam sido utilizados de forma indevida para favorecer os planos da OpenAI de desenvolver dispositivos de consumo com inteligência artificial. Até a publicação desta reportagem, a OpenAI e os ex-funcionários citados no processo não haviam se manifestado sobre as acusações.

Apple processa OpenAI e aponta uso indevido de informações confidenciais

Na ação judicial, a Apple afirma que identificou um suposto esquema de obtenção e utilização de segredos comerciais ligados ao desenvolvimento de hardware. A empresa sustenta que informações estratégicas sobre projetos de produtos, processos de fabricação e cadeia de suprimentos foram levadas por ex-funcionários e poderiam ter sido utilizadas para acelerar iniciativas da OpenAI no setor.

O processo foi protocolado no Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito Norte da Califórnia, uma das principais cortes responsáveis por disputas envolvendo empresas de tecnologia no Vale do Silício.

De acordo com a fabricante do iPhone, o caso representa uma tentativa de proteger anos de pesquisa, desenvolvimento e investimentos realizados em tecnologias proprietárias. A companhia afirma que o acesso a essas informações é restrito e protegido por acordos de confidencialidade firmados com seus colaboradores.

Ex-funcionários são alvo das acusações

Entre os réus estão Chang Liu, ex-engenheiro sênior de sistemas elétricos da Apple, e Tang Yew Tan, ex-vice-presidente de design de produto responsável por projetos do iPhone e do Apple Watch.

Segundo a empresa, Liu deixou a Apple sem devolver um computador corporativo. Posteriormente, ainda de acordo com a denúncia, ele teria explorado uma falha no sistema de autenticação para acessar novamente a rede interna da companhia, baixando dezenas de arquivos considerados confidenciais.

Já Tang Yew Tan é apontado como um dos principais responsáveis pelo suposto compartilhamento de informações estratégicas. A Apple afirma que, antes de deixar a empresa, ele enviou para seu e-mail pessoal documentos internos contendo informações sobre fornecedores, estratégias de desenvolvimento e resumos técnicos relacionados à divisão de hardware.

Atualmente, Tan ocupa o cargo de chefe da área de hardware da OpenAI.

Processo também cita fornecedores e entrevistas de emprego

Outro ponto destacado pela Apple envolve a relação entre a OpenAI e fornecedores da empresa.

Segundo a ação, funcionários da dona do ChatGPT teriam buscado informações técnicas junto a parceiros comerciais da Apple. Em um dos episódios descritos no processo, um fornecedor teria sido orientado a executar uma técnica exclusiva de acabamento metálico acreditando que existia autorização da Apple para utilizar aquele método.

Além disso, a fabricante afirma que Tang Yew Tan incentivou candidatos que participavam de processos seletivos na OpenAI a apresentarem componentes utilizados pela Apple durante entrevistas de emprego.

A denúncia menciona que um dos candidatos chegou a afirmar que desconhecia a possibilidade de retirar determinados materiais do ambiente de trabalho para levá-los às entrevistas.

Contratação de ex-funcionários amplia preocupação da Apple

A Apple afirma que mais de 400 ex-funcionários atualmente trabalham na OpenAI, reflexo da intensa disputa por profissionais especializados em inteligência artificial e engenharia de hardware.

Embora reconheça que a migração de talentos seja comum no setor de tecnologia, a companhia ressalta que isso não autoriza o uso de informações confidenciais obtidas durante o período em que esses profissionais atuavam na empresa.

Na avaliação da Apple, o aproveitamento de segredos comerciais por concorrentes representa uma violação da legislação norte-americana de proteção à propriedade intelectual e pode gerar prejuízos significativos para empresas que investem bilhões de dólares em pesquisa e desenvolvimento.

Aquisição da io Products fortaleceu planos da OpenAI

A ação judicial ocorre poucos meses após a OpenAI ampliar sua estratégia para o mercado de hardware.

Em 2025, a empresa anunciou a aquisição da io Products, startup fundada pelo ex-designer da Apple Jony Ive, em uma negociação avaliada em aproximadamente US$ 6,5 bilhões.

Embora Jony Ive não seja citado entre os réus da ação, a compra da startup reforçou a intenção da OpenAI de desenvolver dispositivos próprios voltados ao consumidor, ampliando sua atuação para além dos serviços de inteligência artificial.

A movimentação aumentou a concorrência direta com empresas tradicionais do setor, entre elas a própria Apple.

Relação entre Apple e OpenAI vive momento de tensão

O processo evidencia o desgaste na relação entre Apple e OpenAI, que mantêm uma parceria comercial desde 2024 para integrar o ChatGPT ao ecossistema da Apple.

A colaboração permite que usuários utilizem recursos do ChatGPT por meio da Siri e também contratem os serviços da OpenAI diretamente em dispositivos da marca.

Apesar dessa parceria, a Apple afirma que procurou representantes da OpenAI em fevereiro para discutir preocupações relacionadas ao possível vazamento de informações confidenciais. Segundo a empresa, não houve resposta ao pedido de reunião.

O caso surge em um momento de forte competição entre as principais empresas de tecnologia, impulsionada pelo avanço da inteligência artificial e pela corrida para lançar uma nova geração de dispositivos inteligentes.

Agora, caberá à Justiça dos Estados Unidos analisar as alegações apresentadas pela Apple e as eventuais manifestações da OpenAI e dos demais réus. O desfecho do processo poderá influenciar não apenas a relação entre as duas companhias, mas também estabelecer novos parâmetros sobre a proteção de segredos comerciais em uma indústria cada vez mais disputada.