Paul Meade deixa Apple e vai para OpenAI no setor de hardware de IA

Paul Meade, executivo responsável pela engenharia de hardware do Vision Pro e pelos projetos de óculos inteligentes da Apple, deixará a companhia para integrar a divisão de hardware da OpenAI.

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27 de jun, 2026 às 15:30
O logotipo e o nome 'OpenAI' em branco exibidos na tela escura de um celular ou dispositivo, posicionado sobre um teclado de computador com iluminação em tons de roxo e rosa. Foto: REUTERS/Dado Ruvic

A chegada de Paul Meade à OpenAI marca mais um capítulo na crescente disputa por talentos entre as gigantes da tecnologia. O executivo, que ocupava uma posição estratégica na Apple liderando projetos ligados ao Vision Pro e aos futuros óculos inteligentes da companhia, deixará a fabricante do iPhone nos próximos dias para integrar a divisão de hardware da desenvolvedora do ChatGPT.

A movimentação acontece em um momento de intensa transformação no setor de inteligência artificial, com empresas buscando ampliar sua presença não apenas em software, mas também em dispositivos físicos equipados com recursos avançados de IA. A contratação de Meade reforça os planos da OpenAI de lançar uma nova geração de produtos capazes de integrar inteligência artificial diretamente ao cotidiano dos usuários.

A mudança ocorre nos Estados Unidos e representa um importante desafio para a Apple, que busca acelerar seus próprios projetos envolvendo realidade aumentada, dispositivos vestíveis e inteligência artificial.

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Paul Meade OpenAI: contratação fortalece estratégia de hardware

A ida de Paul Meade para a OpenAI tem peso significativo devido à sua experiência acumulada ao longo de mais de uma década na Apple. O executivo ingressou na companhia em 2010, participou de projetos relacionados ao iPad e ao iPhone e, nos últimos anos, esteve diretamente envolvido no desenvolvimento do Vision Pro.

Além de liderar a engenharia de hardware do headset, Meade também supervisionava iniciativas ligadas aos óculos inteligentes da Apple, considerados peças importantes da estratégia futura da empresa para competir em um mercado que ganha relevância rapidamente.

Na OpenAI, o executivo deverá atuar na criação de novos dispositivos equipados com inteligência artificial. A empresa já indicou que trabalha em diferentes categorias de produtos que poderão chegar ao mercado nos próximos anos, ampliando sua atuação para além dos serviços digitais.

O movimento também reforça a aproximação entre a OpenAI e antigos líderes da Apple. Nos últimos anos, diversos profissionais com experiência em design e hardware migraram para projetos ligados à empresa responsável pelo ChatGPT.

OpenAI amplia equipe com ex-executivos da Apple

A contratação de Meade não é um caso isolado. A OpenAI já conta com nomes conhecidos do setor de tecnologia que anteriormente ocuparam posições de destaque na Apple.

Entre eles estão o designer industrial Jony Ive, além de Tang Tan e Evans Hankey.

Esses profissionais participaram da criação de uma startup focada em hardware com inteligência artificial, posteriormente adquirida pela OpenAI em uma operação bilionária. A integração dessas equipes demonstra o interesse da companhia em construir um ecossistema próprio de dispositivos capazes de explorar todo o potencial da IA generativa.

Especialistas do setor avaliam que a estratégia pode colocar a OpenAI em rota de colisão com empresas como Apple, Meta e Google na disputa pelo futuro da computação pessoal.

Saída de Paul Meade representa perda importante para a Apple

Dentro da Apple, Paul Meade era considerado uma das principais lideranças da área de engenharia de hardware. Sua atuação esteve ligada ao Vision Products Group, equipe responsável pelos projetos de realidade mista, realidade aumentada e dispositivos vestíveis da companhia.

Além do Vision Pro, o grupo trabalha em tecnologias voltadas para futuros óculos inteligentes e outros equipamentos que utilizam recursos de inteligência artificial para ampliar a interação entre usuários e dispositivos.

A saída do executivo ocorre justamente quando a Apple tenta reposicionar sua estratégia para esse segmento. O desempenho comercial do Vision Pro ficou abaixo das expectativas iniciais da empresa, levando a revisões nos planos de desenvolvimento de novos produtos.

Para minimizar os impactos da mudança, a companhia decidiu transferir grande parte das atribuições de Meade para Fletcher Rothkopf, executivo que já participava dos principais projetos da divisão.

Reorganização interna coincide com mudanças na liderança

A saída de Meade também acontece em meio a uma ampla reestruturação da área de hardware da Apple.

Nos últimos meses, mudanças na liderança alteraram a estrutura organizacional da empresa. Diversos executivos passaram a responder a novos gestores, reduzindo a influência direta que alguns vice-presidentes possuíam anteriormente.

A reorganização ocorreu após a promoção de importantes lideranças da companhia e resultou em uma nova cadeia de comando para as equipes responsáveis pelo desenvolvimento de hardware.

Embora a Apple não tenha comentado oficialmente os motivos da saída, fontes do mercado apontam que as mudanças internas contribuíram para um ambiente de transformação dentro da empresa.

Apple aposta em novos dispositivos com inteligência artificial

Mesmo enfrentando desafios no segmento de realidade mista, a Apple continua investindo em tecnologias relacionadas à inteligência artificial.

Entre os projetos em desenvolvimento estão dispositivos para casas inteligentes, robôs de mesa, acessórios vestíveis e futuras versões dos AirPods equipadas com sensores e câmeras capazes de interpretar o ambiente ao redor do usuário.

A empresa também mantém pesquisas voltadas para novos headsets e óculos de realidade aumentada. No entanto, produtos mais avançados dessa categoria ainda devem levar alguns anos para chegar ao mercado.

Enquanto isso, a OpenAI acelera seus investimentos em hardware e fortalece sua equipe com profissionais experientes. A chegada de Paul Meade evidencia como a disputa pela liderança na era da inteligência artificial deixou de se concentrar apenas em softwares e passou a envolver também a criação dos dispositivos que servirão como porta de entrada para essa nova tecnologia.