EUA devem administrar a Venezuela e explorar petróleo por anos, afirma Trump

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que seu governo deve administrar a Venezuela e explorar suas reservas de petróleo por vários anos, sem prazo definido.

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Última atualização:  08 de jan, 2026 às 09:36
Foto do presidente Donald Trump apontando o dedo. Foto: Divulgação

Os Estados Unidos devem administrar a Venezuela e explorar o petróleo do país por vários anos, segundo afirmou o presidente norte-americano, Donald Trump, em entrevista ao jornal The New York Times, publicada nesta quinta-feira (8). A declaração reforça a postura intervencionista de Washington em relação ao país latino-americano e indica que a atuação americana não tem prazo definido para terminar.

Ao comentar a presença dos EUA na Venezuela, Trump afirmou que seu governo pretende supervisionar a reconstrução do país, utilizando as vastas reservas petrolíferas venezuelanas como base de um processo que classificou como “lucrativo”. Segundo ele, o objetivo seria reduzir os preços internacionais do petróleo e, ao mesmo tempo, gerar recursos para a economia venezuelana.

As declarações ocorrem em um contexto de mudanças profundas na política externa dos EUA, marcadas pelo afastamento de organismos multilaterais e pelo reforço de uma estratégia unilateral, especialmente em temas econômicos, energéticos e geopolíticos.

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Na entrevista, Trump foi questionado sobre quanto tempo os Estados Unidos pretendem manter influência direta sobre o governo venezuelano. Em resposta, evitou estabelecer um prazo e afirmou que “só o tempo vai dizer”, deixando claro que a administração da Venezuela pelos EUA pode se estender por muitos anos.

A fala confirma que a política americana não se limita a ações pontuais ou emergenciais, mas a um modelo de supervisão prolongada. Para Trump, a atuação de Washington seria necessária para garantir estabilidade política, recuperação econômica e reorganização institucional no país.

Exploração do petróleo é o eixo central da estratégia americana

Trump destacou que o petróleo é o principal ativo da Venezuela e será o motor da chamada reconstrução. Segundo ele, os EUA pretendem usar o petróleo venezuelano tanto para consumo próprio quanto para influenciar o mercado global de energia.

“Vamos reconstruir a Venezuela de uma forma muito lucrativa”, afirmou o presidente, ao explicar que a importação de petróleo ajudaria a reduzir os preços internacionais da commodity. Ao mesmo tempo, parte da receita seria destinada ao país sul-americano, que enfrenta uma grave crise econômica e social.

A estratégia reforça o interesse histórico dos EUA na região e conecta a política externa à agenda energética, tema recorrente nas declarações do republicano.

Governo interino venezuelano é descrito como alinhado aos EUA

Trump afirmou que o atual governo interino da Venezuela, liderado por Delcy Rodríguez, vice-presidente no governo de Nicolás Maduro, estaria cooperando com as exigências americanas.

Segundo o presidente dos EUA, a administração venezuelana “está nos dando tudo o que consideramos necessário”, sinalizando alinhamento político e econômico. A declaração sugere que, ao menos neste momento, Washington avalia positivamente a condução do governo interino.

Essa relação de cooperação é vista como fundamental para viabilizar a exploração do petróleo e a presença prolongada dos EUA no país.

Declarações ocorrem junto a retirada dos EUA de organismos internacionais

As falas sobre a Venezuela foram feitas poucos dias após o governo Trump anunciar a retirada dos Estados Unidos de dezenas de organizações internacionais. Ao todo, os EUA deixaram 35 entidades que não fazem parte da ONU e outras 31 ligadas diretamente ao sistema das Nações Unidas.

Segundo comunicado da Casa Branca, essas organizações atuariam “contrariamente aos interesses nacionais dos Estados Unidos”. A decisão reforça uma política externa mais seletiva e menos comprometida com o multilateralismo tradicional.

Agências ligadas a clima, direitos humanos e diversidade estão entre os alvos

Entre as instituições afetadas estão a ONU Mulheres, a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) e a Conferência da ONU sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD).

O governo Trump classifica essas entidades como promotoras de agendas climáticas, sociais e de diversidade que não estariam alinhadas à sua visão política. O afastamento também inclui a redução ou suspensão de contribuições financeiras.

Cortes já provocam impacto em projetos humanitários e de desenvolvimento

Organizações não governamentais relataram o encerramento de diversos projetos após os cortes promovidos pelo governo americano. Parte dessas iniciativas dependia de recursos da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), que teve sua atuação drasticamente reduzida.

A retração afeta programas humanitários, ambientais e de apoio institucional em países em desenvolvimento, ampliando críticas à postura adotada por Washington.

Especialistas veem mudança estrutural na política externa dos EUA

Analistas avaliam que as decisões de Trump representam uma transformação duradoura na forma como os EUA se relacionam com o sistema internacional.

Para Daniel Forti, analista sênior da ONU no International Crisis Group, a postura americana segue a lógica de “ou do meu jeito ou nada feito”. Segundo ele, os EUA buscam cooperação internacional apenas quando ela atende diretamente aos seus interesses estratégicos.

Postura repete decisões do primeiro mandato de Trump

Durante seu primeiro mandato, entre 2017 e 2021, Trump já havia retirado os Estados Unidos de diversos organismos multilaterais, incluindo a Organização Mundial da Saúde (OMS), em meio à pandemia de Covid-19.

Na ocasião, o presidente acusou a entidade de sofrer influência da China e de fornecer orientações equivocadas durante a crise sanitária global, reforçando o padrão de confronto com instituições internacionais.

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