Empresa de Warren Buffett investe US$ 350 milhões no New York Times e retoma aposta no setor de mídia

A empresa de Warren Buffett investe US$ 350 milhões no New York Times, segundo relatório enviado à SEC referente ao quarto trimestre do ano passado.

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Última atualização:  18 de fev, 2026 às 11:04
Retrato em plano médio do investidor Warren Buffett. Ele sorri levemente, usa óculos de armação escura, terno risca-de-giz preto, camisa branca e uma gravata vermelha com detalhes dourados. Foto: Reprodução / NBC

A empresa de Warren Buffett investe US$ 350 milhões no New York Times, marcando uma mudança relevante na estratégia da holding americana no setor de comunicação. O aporte foi revelado na última terça-feira (17), por meio do relatório de participações acionárias enviado à Securities and Exchange Commission (SEC), referente ao quarto trimestre do ano passado.

A operação foi realizada pela Berkshire Hathaway, conglomerado controlado por Warren Buffett, e representa um retorno ao segmento de mídia após anos de afastamento. O movimento ocorre nos Estados Unidos e chama atenção porque, em 2020, a companhia havia se desfeito de todos os seus investimentos em jornais.

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O documento protocolado na SEC mostra que a Berkshire Hathaway adquiriu uma participação avaliada em cerca de US$ 350 milhões na The New York Times Company.

O investimento ocorreu no quarto trimestre do ano passado, último período sob comando direto de Buffett na posição de CEO. A divulgação oficial aconteceu nesta semana, seguindo a obrigatoriedade de reporte trimestral das posições relevantes mantidas pela companhia.

A empresa de Warren Buffett investe US$ 350 milhões no New York Times em um momento de consolidação do modelo digital do jornal. Nos últimos anos, o veículo ampliou sua base de assinantes digitais e diversificou receitas por meio de produtos como newsletters, podcasts e conteúdos exclusivos.

Do ponto de vista estratégico, a operação indica confiança na sustentabilidade financeira do grupo de mídia, que conseguiu atravessar a crise estrutural da imprensa tradicional por meio da digitalização e da expansão internacional.

Mudança de estratégia após saída do setor de jornais

O fato de que a empresa de Warren Buffett investe US$ 350 milhões no New York Times ganha ainda mais relevância quando se observa o histórico recente da Berkshire no setor.

Em 2020, a companhia vendeu todos os seus ativos ligados a jornais locais nos Estados Unidos, alegando dificuldades estruturais do modelo impresso e queda nas receitas publicitárias. À época, Buffett chegou a demonstrar ceticismo em relação ao futuro da imprensa tradicional.

Agora, a nova posição na The New York Times Company sinaliza uma distinção entre jornais locais e grandes marcas globais com forte presença digital. Diferentemente de veículos regionais, o New York Times construiu um modelo de assinatura robusto e diversificado, o que pode ter sido determinante para a decisão de investimento.

Analistas interpretam o movimento como uma aposta em empresas de mídia com forte capacidade de adaptação tecnológica e geração recorrente de receita.

Contexto: último trimestre sob liderança direta de Buffett

O relatório que revelou que a empresa de Warren Buffett investe US$ 350 milhões no New York Times refere-se ao quarto trimestre do ano passado — o último com Buffett atuando formalmente como CEO da Berkshire Hathaway.

Aos 95 anos, o megainvestidor encerrou um ciclo de décadas à frente da holding, deixando um portfólio amplamente diversificado, com participações relevantes nos setores financeiro, energético, tecnológico e de consumo.

O investimento no jornal pode ser interpretado como uma das últimas decisões estratégicas tomadas sob sua liderança direta, reforçando o perfil de investimentos de longo prazo que caracteriza sua trajetória.

Ampliação de posição na Chevron e contexto geopolítico

Além do aporte no setor de mídia, a Berkshire também ampliou sua participação na petroleira Chevron.

O movimento ocorreu pouco antes de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar uma operação militar que resultou na captura de Nicolás Maduro, em Caracas, no início do ano.

A ampliação da posição na Chevron reforça a estratégia da companhia de manter exposição relevante ao setor de energia, especialmente em um cenário de instabilidade geopolítica e volatilidade nos preços do petróleo.

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