O Banco Central antecipou em seu relatório do Comitê de Política Monetária (Copom) que, caso a inflação continue em queda, haverá espaço para encerrar o ciclo de manutenção da taxa Selic.

No entanto, é ressaltada a necessidade de cautela ao cortar os juros, conforme enfatiza Mário Mesquita, economista-chefe do Itaú Unibanco e ex-diretor de Política Econômica do Banco Central.

Segundo o relatório, “a visão predominante foi de que a continuação do processo de desinflação em curso, com seu subsequente impacto nas expectativas, pode acumular a confiança necessária para iniciar um processo gradual de redução na próxima reunião”.

Mesquita concorda com essa abordagem e afirma que “a pior situação para a economia” seria o Banco Central reduzir a Selic sob pressão do governo e agentes econômicos, sem considerar os indicadores e perspectivas, e depois ter que aumentá-la novamente meses depois. “O Banco Central está correto em ser cauteloso”, afirmou durante um evento com a imprensa nesta quarta-feira (28).

O economista destacou que outros países reduziram ou até mesmo pararam de aumentar os juros prematuramente e tiveram que retornar às medidas de aperto monetário. No caso do Brasil, além da inflação, o Banco Central também está monitorando o mercado de trabalho. Embora os dados mostrem um aumento no emprego formal, a taxa de desemprego permanece relativamente estável, porém com uma menor taxa de participação em comparação com o período pré-pandemia.

Na projeção de Mesquita, o Banco Central deverá realizar dois cortes de 0,25 ponto percentual, seguidos por mais dois de 0,50 pp. Dessa forma, espera-se que 2023 termine com uma taxa de juros de 12,25%; além disso, a expectativa para o próximo ano é de uma Selic de 10%.

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Equipe MI

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