Diesel sobe 20,6% em março e pressiona preços dos combustíveis no Brasil
O preço do diesel subiu 20,6% entre o fim de fevereiro e a segunda semana de março, segundo a ANP, atingindo R$ 7,65 por litro.
Foto: Eric Gaillard / REUTERS
O preço do diesel no Brasil disparou 20,6% entre o fim de fevereiro e a segunda semana de março, segundo levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A forte alta do combustível, que é essencial para o transporte de cargas, acende um alerta para impactos na inflação e no custo de vida da população.
O movimento foi registrado nos postos de abastecimento em todo o país e ocorre em meio a um cenário de valorização internacional do petróleo, influenciado por tensões no Oriente Médio, além de reajustes recentes promovidos pela Petrobras (PETR4). Com isso, o diesel passou a custar, em média, R$ 7,65 por litro na segunda semana de março.
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Diesel sobe 20,6% em março e amplia pressão sobre a economia
O aumento expressivo do diesel é considerado o principal destaque do levantamento da ANP. Isso porque o combustível é amplamente utilizado no transporte rodoviário, responsável por grande parte da logística no Brasil.
Entre os fatores que explicam a alta, está a dependência parcial do país em relação à importação do produto. Como parte do diesel consumido no Brasil vem do exterior, oscilações no mercado internacional têm impacto direto nos preços internos.
Além disso, o reajuste aplicado pela Petrobras intensificou a pressão. Apenas na semana entre os dias 15 e 21 de março, o diesel subiu mais 6,6% em comparação com a semana anterior, indicando que o movimento de alta ganhou força ao longo do mês.
Esse cenário reforça preocupações com o chamado “efeito cascata”, já que o encarecimento do diesel tende a elevar os custos de transporte e, consequentemente, os preços de alimentos, produtos industrializados e serviços.
Influência externa explica avanço do diesel
A escalada do preço do diesel também está diretamente ligada ao contexto global. O conflito no Oriente Médio tem contribuído para a alta das cotações do petróleo, elevando o custo dos derivados em diversos países.
Como o Brasil não é totalmente autossuficiente na produção de diesel, o mercado interno acaba absorvendo parte dessas variações externas. Esse fator torna o preço do combustível mais volátil, especialmente em momentos de instabilidade geopolítica.
Outro ponto relevante é a política de preços praticada pela Petrobras, que considera referências internacionais. Isso faz com que reajustes sejam repassados ao consumidor conforme as condições do mercado global.
Gasolina também sobe, mas em ritmo menor
Embora o diesel tenha liderado as altas, a gasolina também apresentou elevação no período analisado pela ANP. O preço médio do combustível chegou a R$ 6,65 por litro na segunda semana de março.
Na comparação com o fim de fevereiro, a alta foi de 5,89%. Já em relação à primeira semana de março, o avanço foi de 2,9%.
Apesar da elevação, a gasolina sofreu impacto mais moderado, o que pode ser explicado por diferenças na dinâmica de produção, importação e consumo em relação ao diesel.
Gás de cozinha mantém estabilidade no período
Diferentemente dos combustíveis líquidos, o gás de cozinha (GLP) apresentou estabilidade nos preços. O botijão de 13 quilos foi vendido, em média, por R$ 109,91 na segunda semana de março.
O valor praticamente não variou em relação ao fim de fevereiro (R$ 109,87) e à semana anterior (R$ 109,89), indicando um cenário mais equilibrado para esse item essencial no orçamento das famílias.
Alta do diesel preocupa inflação e cadeia produtiva
O avanço de 20,6% no preço do diesel em março levanta preocupações relevantes para a economia brasileira. Como o transporte rodoviário é predominante no país, qualquer aumento no combustível impacta diretamente os custos logísticos.
Esse efeito pode ser sentido em diversos setores, desde o agronegócio até o varejo, pressionando os preços finais ao consumidor. Com isso, há risco de aumento da inflação nos próximos meses, especialmente em itens básicos.
Diante desse cenário, o comportamento do diesel seguirá no radar de agentes econômicos, empresas e consumidores, que acompanham de perto os desdobramentos do mercado internacional e possíveis novos reajustes da Petrobras.
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