Opep reduz projeção da demanda global de petróleo em 2026 e mantém PIB do Brasil estável
A Opep revisou para baixo a projeção de crescimento da demanda global de petróleo em 2026, refletindo a desaceleração do consumo em economias desenvolvidas.
Imagem: Reuters/ Dado Ruvic
A demanda global de petróleo em 2026 voltou ao centro das atenções do mercado energético após a nova atualização divulgada pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo nesta quarta-feira (13). O relatório mensal trouxe uma revisão para baixo nas expectativas de crescimento do consumo da commodity no próximo ano, ao mesmo tempo em que manteve inalteradas as projeções para a economia global e para o desempenho do PIB do Brasil.
A atualização ocorre em um contexto de desaceleração do consumo em economias desenvolvidas e maior resiliência dos países emergentes, que seguem sustentando parte relevante da expansão da demanda.
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A principal mudança do relatório está na revisão da demanda de petróleo, que passou de uma expectativa de crescimento de 1,4 milhão para 1,2 milhão de barris por dia (bpd).
Com esse ajuste, o consumo mundial da commodity deve atingir cerca de 106,33 milhões de bpd no próximo ano, indicando uma expansão mais moderada do que o previsto anteriormente.
Segundo a Opep, essa revisão está diretamente relacionada ao ritmo mais lento de crescimento em economias avançadas, especialmente entre os países que integram a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, onde o consumo energético tende a crescer de forma mais contida.
Por que a demanda foi ajustada?
A revisão reflete uma combinação de fatores estruturais e cíclicos. Entre eles estão o menor ritmo de expansão industrial em economias desenvolvidas e o avanço gradual de transições energéticas em alguns mercados.
Ao mesmo tempo, a Opep destaca que países fora da OCDE continuam sendo o principal motor de crescimento, sustentando o consumo global mesmo com a desaceleração observada em outras regiões.
Demanda global de petróleo em 2027 tem cenário mais otimista
Apesar da revisão negativa para 2026, o cenário muda em 2027. A Opep elevou sua projeção de crescimento da demanda para 1,5 milhão de bpd, acima da estimativa anterior.
Se confirmado, esse movimento levará o consumo global a cerca de 107,87 milhões de bpd, reforçando a expectativa de retomada mais forte da demanda global de petróleo em 2026 e 2027 no médio prazo.
A organização também aponta que os países fora da OCDE devem liderar esse avanço, com crescimento estimado de 1,3 milhão de bpd em 2027, enquanto as economias desenvolvidas seguem com expansão mais limitada.
Projeções econômicas globais e impacto no Brasil
Além do mercado de petróleo, a Opep manteve suas previsões para o crescimento da economia mundial, com expansão de 3,1% do PIB global em 2026 e 3,2% em 2027.
Nos Estados Unidos, a expectativa segue em 2,2% de crescimento em 2026 e 2,0% em 2027. Já na zona do euro, houve leve revisão para baixo em 2026, de 1,2% para 1,1%.
A China apresentou revisão positiva para 2026, com crescimento estimado em 4,6%, reforçando seu papel como um dos principais motores.
No caso do Brasil, a organização manteve projeção de crescimento de 2,0% em 2026 e 2,2% em 2027. Segundo o relatório, o desempenho da economia brasileira segue sustentado pela demanda interna, embora ainda existam riscos ligados ao cenário fiscal e ao aperto monetário.
OCDE e países emergentes puxam direções opostas
A diferença entre economias desenvolvidas e emergentes segue sendo um dos pontos centrais da análise da Opep.
Enquanto os países da OCDE devem registrar crescimento mais modesto, os países fora do bloco continuam liderando o avanço do consumo global. A projeção indica expansão de 1,1 milhão de bpd em 2026 nesse grupo, reforçando sua importância para o equilíbrio do mercado energético.
Essa divergência estrutural ajuda a explicar a trajetória desigual, que combina desaceleração em economias maduras e expansão contínua em mercados emergentes.