Cyrela (CYRE3) pode liberar até R$ 1,88 bilhão em dividendos extraordinários

Venda de participações em Cury, Lavvi e Plano&Plano poderia gerar distribuição relevante, mas impacto no retorno ao acionista seria limitado.

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Última atualização:  01 de abr, 2026 às 16:46
Foto de unidade física da Cyrela. Imagem: Cyrela/Reprodução via Suno

A Cyrela (CYRE3) poderia destravar até R$ 1,88 bilhão em dividendos extraordinários caso decidisse vender integralmente suas participações nas incorporadoras Cury, Lavvi e Plano&Plano. A estimativa foi apresentada em relatório divulgado pelo JPMorgan Chase.

No entanto, segundo o banco, o impacto final para os acionistas da companhia seria relativamente limitado. A análise aponta que, mesmo com o montante elevado de recursos, o retorno total ao acionista seria de cerca de 1%, já que o ganho pontual com a venda das participações seria parcialmente compensado pela redução no valor dos ativos restantes no balanço da construtora.

Cotação CYRE3 em tempo real

Investidas representam parcela relevante do lucro

De acordo com o relatório do JP Morgan, a maior parte do lucro obtido em uma eventual venda das participações viria da diferença entre o valor contábil registrado no balanço e o preço de mercado das ações dessas empresas. Esse tipo de ganho é considerado não recorrente.

Além disso, a venda reduziria o tamanho da operação da Cyrela e diminuiria sua capacidade de geração de resultados no futuro.

As três empresas participadas tiveram peso relevante no desempenho da construtora em 2025. Juntas, contribuíram com aproximadamente R$ 395 milhões para o lucro líquido da companhia, o que representa cerca de 20% do resultado total reportado no período.

Dentro desse montante, a Cury respondeu por cerca de R$ 170 milhões, enquanto a Plano&Plano contribuiu com aproximadamente R$ 123 milhões e a Lavvi adicionou cerca de R$ 102 milhões ao resultado.

Venda da participação na Cury é cenário mais favorável

Entre os diferentes cenários avaliados pelo banco, o mais favorável seria a venda integral da participação de cerca de 15% que a Cyrela possui na Cury. Nesse caso, o retorno potencial ao acionista poderia chegar a 14%.

O principal fator por trás desse cenário é a forte valorização das ações da Cury desde o seu IPO, o que ampliou a diferença entre o valor de mercado da participação e o valor registrado no balanço da Cyrela.

De acordo com o relatório, essa operação poderia gerar aproximadamente R$ 1,18 bilhão em dividendos extraordinários para os acionistas.

Desinvestimento reduziria retorno

Apesar do ganho pontual, o JP Morgan alerta que a venda dessas participações também teria efeitos negativos sobre indicadores financeiros da companhia. Um dos principais impactos seria no ROE, que mede o retorno sobre o patrimônio líquido.

Atualmente, o indicador da Cyrela gira entre 18% e 19%. Caso a participação na Cury fosse vendida, o ROE cairia para cerca de 17,8%. Se a empresa decidisse vender todas as três participações, o indicador poderia recuar para aproximadamente 16%.

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Vendas parciais de participação

A Cyrela já realizou movimentos nessa direção anteriormente. No terceiro trimestre de 2025, a companhia registrou cerca de R$ 210 milhões em ganhos após vender parte de sua participação na Cury.

Apesar disso, o relatório do JP Morgan mantém uma visão positiva sobre o papel. O banco reiterou recomendação overweight (equivalente à compra) para as ações da companhia, com preço-alvo de R$ 37,50. Esse valor representa um potencial de valorização próximo de 20% em relação ao último fechamento das ações da construtora.

Segundo o banco, a Cyrela permanece bem posicionada no setor imobiliário brasileiro graças à sua estratégia de diversificação, atuando simultaneamente nos segmentos de baixa, média e alta renda, além do crescimento das empresas investidas.

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Lucas Machado

Redator e psicólogo com quase 5 anos de experiência na produção de artigos e notícias sobre uma ampla gama de temas. Suas áreas de interesse e expertisse incluem previdência, seguros, direito sucessório e finanças, em geral. Atualmente, faz parte da equipe do Melhor Investimento, abordando uma variedade de tópicos relacionados ao mercado financeiro.